quinta-feira, outubro 06, 2005

Ao pensar em currículo e cultura…


Ao pensar em currículo e cultura a primeira coisa que me ocorreu foi pesquisar o papel da escola nos diferentes pontos do globo… Com toda a certeza traçar um currículo na Europa não será igual a traçar um currículo na Ásia ou África… e mesmo dentro de um continente, de um país, região, localidade não será a mesma coisa.

É neste sentido, que tentarei construir o portfólio de Currículo e Cultura.

Os textos apresentados e as reflexões realizadas nas aulas despertaram a vontade de pesquisar outras fontes, que de alguma forma pudessem enriquecer os conteúdos trabalhados. Este texto resulta de uma das pesquisas centradas, essencialmente, na Educação Pré-Escolar, mas que, na minha opinião, abrange todos os níveis de ensino, pois embora com diferentes objectivos, todos deverão preencher requisitos pré-definidos que garantam a qualidade da sua intervenção.

Partindo do conceito proposto por Zabalza (1998:87), que refere que “a escola é entendida como uma mediação (no sentido de uma estrutura de meios postos à disposição de) desenvolvida no âmbito do lançamento e crescimento intelectual, emocional, relacional, psicomotor e linguístico das crianças”, é importante acrescentar que todas essas acções devem ser contextualizadas no meio sócio-cultural e partir das características e necessidades das crianças, famílias e comunidade.

Contudo, não devemos encarar a criança/aluno como um simples depositário da cultura constituída e um objecto de reprodução social, como defende Volpi, in Zabalza (1988:88). Ainda segundo o mesmo autor, “enquanto ser capaz de múltiplas formas de experiência, a todos os níveis, (a criança) é estimulada a assumir atitudes e comportamentos de progressiva autonomia relativamente ao contexto vigente, é educada no, e para o, exercício de uma responsabilidade, perante si e os outros, de tipo crítico, é respeitada como valor em si mesma no contexto de outros valores que constituem o marco de referência de um crescimento mais aberto e tolerante”.

Encarado desta forma, o conceito de educação é universal, pois, embora estruturado de acordo com a cultura vigente, procura a formação integral dos indivíduos, promovendo a igualdade de oportunidades na formação pessoal e integração social e profissional.

No que refere ao ensino pré-escolar, é comum a desvalorização da sua função educativa. Essa imagem é, muitas vezes, construída com base na inexistência, em alguns jardins-de-infância, de uma dinâmica da equipa educativa baseada na articulação das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (1997) com o contexto social das crianças e famílias, caindo, muitas vezes, no improviso e simples proporcionar de momentos lúdicos baseados na experiência (sem intenções educativas definidas), tendo como grande preocupação a integridade física das crianças. Por sua vez, uma grande parte dos encarregados de educação avalia e selecciona as instituições educativas baseando-se nos horários, na alimentação e na prevenção de acidentes. Daqui resulta, muitas vezes, a inexistência da articulação efectiva, com a família e comunidade em geral, ficando, não raras vezes, ao acaso das efemérides ou eventos culturais locais, não explorando, assim as potencialidades e mais valias oferecidas pelo meio envolvente (próximo e alargado).

Neste sentido, é urgente a clarificação dos conceitos de Educação, Cultura, Currículo, Programa, Planificação, Projecto Educativo e Projecto Curricular de Sala. Não para a limitação da acção educativa de cada profissional de educação, mas para a globalização da qualidade dessa mesma acção educativa. Globalização que se refere não a uma regra inflexível comum a todos, mas a uma tomada de consciência da necessidade de partir da cultura e do programa ou orientações instituídas a nível nacional, no sentido de as adaptar às características concretas do meio, de cada criança e das famílias com que irá intervir, promovendo uma avaliação permanente.

Só com esta tomada de consciência global e a prática fundamentada da acção educativa, é possível garantir, de facto, a igualdade de oportunidades a todos os alunos, independentemente das escolas onde se encontrem.



Bibliografia Consultada
. Lei de Bases do Sistema Educativo: site do Ministério da Educação.
. Ministério da Educação (1997) Legislação; Lisboa: Editorial do Ministério da Educação.
. Ministério da Educação (1997) Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar; Lisboa: Editorial do Ministério da Educação.
. Ministério da Educação (1997) Qualidade e Projecto na Educação Pré-Escolar; Lisboa: Editorial do Ministério da Educação.
. Zabalza (1988): Didáctica da Educação Infantil;

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