quinta-feira, outubro 20, 2005

Cultura após investigação

Imaginar a produção cutural material e um grupo de pessoas com valores compartilhados, são imagens que nos podem vir à mente, quando pensamos em cultura. Não ficando apenas com esta visão e indo um pouco mais além, verifica-se que a cultura interage com uma série de sectores que permeiam a nossa existência - turismo, economia, sociedade e meio ambiente.
Investindo na cultura, pode acontecer um crescimento da economia. A grande praga que atinge a economia europeia - o desemprego, tem sido combatida através da cultura.
A diversidade cultural de um povo, a sua criatividade, a vontade de compartilhar o que é seu e o respeito pelo que é diferente, são traços distintos, reconhecidos e valorizados internacionalmente.
É fundamental reconhecer a cultura na sua forma mais ampla, multifacetada e insubstituível, por ser dentro destes parâmetros que se encontra o centro do desenvolvimento económico de uma cidade, região ou país.
A cultura deve ser vista como factor de:
- consolidação de identidade
- divulgação da imagem
- aglutinação de comunidades e grupos
- educação e inclusão social
- promoção da diversidade
- geração da mola propulsora da economia, criatividade e inovação
- atracão de mão de obra qualificada
- gerador de renda, impostos, emprego, infra-estruturas e riqueza
- regeneração de uma região
Assim sendo a cultura não é um sector nem uma área mas algo que permeia o que somos, o que fazemos, como nos entendemos, o que produzimos, o que comemos, como nos comportamos e o que enviamos para fora do país. Por tudo isto se deve restituír à cultura o papel de centro de desenvolvimento sustentável que é seu por direito.
Cultura - manancial de códigos e posturas sobre os quais se legitima a sociedade. Daí que se possa concluír que existem três aspectos a serm investigados: a ordem, o denamismo e a diversidade.
Cultura é partida para:
- o desenvolvimento social, oportunidades económicas e mercados potentes.
- empresas inivadoras, cidadãos capazes, competentes e livres.

Pode dizer-se que o acesso à cultura diverte e emociona, mas acima de tudo permite pensar e agir. A cultura além de gerar riqueza, constrói a auto-estima, coesão social e confiança na sociedade.

Se me permitem vou deixar uma questão no ar, para quem considerar pertinente abordá-la:

- Porque será a cultura um recurso substimado nos países em desenvolvimento?

Reflictam e partilhem comigo.

Filomena ramos

Referências:

http://www.culturaemercado.com.br
http://wwwcentrorefeducacional.com.br

6 comentários:

AnaOliveira disse...

Nos países em desenvolvimento as prioridades do investimento vão para as necessidades básicas de sobrevivência ou equilíbrio financeiro... prevalecendo a perspectiva quantitativa... Assim, gera-se um ciclo vicioso... a falta de cultura gera uma sociedade assente em aspectos logísticos, em estatísticas numéricas, em ter "mais" do que "ser"... Por sua vez, essa estrutura não permite a criação de condições para a promoção da cultura, que não é considerada um bem de extrema necessidade... sendo muitas vezes, até, associada ao luxo e ao supérfluo!
A educação tem aqui um papel fundamental, desmistificando o valor da cultura, abrindo os horizontes das crianças e comunidade em geral, e contribuindo, assim, para a construção da sociedade presente e futura...

AntonioPacheco disse...

Não é possivel ter "mais" se, efectivamente, não se for melhor. Os países menos desenvolvidos, ou em desenvolvimento, são os que têm menos. A sua base política assenta na quantidade- é possível ter muito? - em detrimento da qualidade. A aposta na formação e educação é substimada e os resultados são a miséria, a falta de cultura, a incapacidade.
Para construir um país desenvolvido é preciso apostar na educação primeiro e só depois vem a quantidade e a qualidade de vida.Para mim, a educação encontra-se ao nível «das necessidades básicas de sobrevivência» porque só esta permite desenvolvimento e equilíbrio social e cultural.Tomemos como exemplo os países nórdicos onde a aposta da educação é prato principal. São estes que partem da «primeira linha da grelha de partida».

AnaOliveira disse...

António, a meu ver a educação não pode vir antes da qualidade de vida... "ela" é ou deverá ser parte integrante dessa qualidade de vida... Mas isto no nosso âmbito cultural.
Concordo que a aposta na formação e educação é fundamental na construção de um país que queremos "desenvolvido", e compreendo quando situa a educação como uma das "necessidades básicas de sobrevivência", mas mediante as situações precárias de alguns países eu situaria, antes, ao nível das "necessidades básicas da socialização"... pois as básicas de sobrevivência referem-se à alimentação, cuidados de higiene e saúde, uma habitação digna desse nome, etc...
Naturalmente que a falta de formação conduz à precariedade das condições de vida... Bem, isto é um ciclo vicioso... Se por um lado subestimar a cultura conduz aos países em desenvolvimento... os países em desenvolvimento não têm capacidade de promover a cultura... então subestima-se a cultura e... volta tudo ao mesmo...
Tal como nos currículos, também nos "projectos políticos" de cada país vemos a influência da cultura... Eu penso que uma das grandes vantagens da globalização poderá ser a conquista de princípios básicos que promovem a igualdade de oportunidades independentemente do país, religião, língua, enfim, cultura em geral...

O exemplo dos nórdicos... de facto são países que apostam imenso em educação... Fiz o ERASMUS na Noruega e apercebi-me do nível de qualidade do ensino e não só, mas temos que considerar que são países que não enfrentam dificuldades financeiras, com uma densidade populacional não elevada e que, recentemente, discutiam como utilizar os lucros excedentes da exploração do petróleo... é uma realidade muito diferente da nossa... mais uma vez verificamos que a cultura está na base de toda a sociedade e dela depende o rumo de um país...
A título de curiosidadee, porque será que, regra geral, o norte dos países... o norte da Europa, etc... são mais desenvolvidos ou têm mais indústria? É curioso, não é?

Margarida disse...

Concordo com ambos os comentários, e só acrescento um ponto: a cultura nos países em desenvolvimento existe e é onde tem mais raízes se compararmos com os outros países. A cultura de que estou a falar é a cultura de transmissão de valores dos "antigos", ou seja, a cultura mais ligada à terra de cada um. Não se trata de uma cultura que esteja em desenvolvimento, mas de uma cultura parada no tempo. Tradições que se transmitem de pais para filhos.
Num país onde o acesso às novas tecnologias é difícil, e por vezes até impossível, a prioridade para a população geral realmente trava-se com a obtenção de algum tipo de qualidade de vida. Em contrapartida, é nesses países que existe uma minoria extremamente rica (económicamente) e que tem acesso à cultura global, mas a quem não interessa passá-la para o seu povo, mantendo-o ignorante e fiel ao trabalho de escravo.

AntonioPacheco disse...

Ana, a educação é para toda a vida, portanto a qualidade de vida está contida na educação e vice-versa.
Claro que aqui nestas conversas utilizam-se metáforas e hipérboles no sentido de ilustrar o valor da educação e da cultura. Quando digo que a educação se encontra ao nível das necessidades básicas, quero dizer que a educação funciona como profilaxia da sub vida a que te referes.Um país com um bom nível de formação, desenvolvido, não sofre desta epidemia «das necessidades básicas» com tanta facilidade quanto um país com um nível cultural/educacional pobre.
Já o disse, em comentário anterior, que a escola é o ascensor social das sociedades meritocráticas: a igualdade de oportunidades a que te referes só pode ser conseguida através de uma formação sólida com base na formação/educação que só a escola oferece. Por outro lado esta igualdade de oportunidades já está comtemplada em legislação ( como tu sabes): A Lei-Quadro da Educação Pré-Escolar(1997) diz: «contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso das aprendizagens», contudo, também aqui já estamos fora de moda porque, pela Europa desenvolvida a política já vai no sentido de assegurar essa mesma igualdade de oportunidades e de sucesso das aprendizagens.
Quanto aos países nórdicos: a sua qualidade a todos os níveis, só é possível porque as suas políticas educativas são bem diferentes da nossa. Não é por acaso que algumas das medidas que hoje estão e ser tomadas foram importadas desses mesmos países... e já agora, saudações curriculares.

AnaOliveira disse...

Margarida
Ao teu comentário gostaria apenas de acrescentar que muitos países desenvolvidos têm essa cultura dos valores, etc, muito vincada. É o caso da Noruega - um dos exemplos, é o facto de apesar de, praticamente, toda a população saber falar inglês, continuar a falar norueguês e promover a continuidade das duas vertentes dessa língua... Todos os documentos estatais, trabalhos de avaliação nas escolas, etc., têm sempre, que ser escritos no norueguês antigo (rikmal) e no novo (landsmal)...
A meu ver, a verdadeira essência consiste no equilíbrio entre a cultura tradicional, as novas culturas ou manifestações culturais, que ocorrem quer através da emigração ou da mudança do paradigma social, científico,
etc... e o acesso à cultura erudita...



António
A nossa discussão só nos poderia conduzir ao consenso... pois contra os factos não há argumentos... mas é sempre fantástico discutir todos estes conceitos, num espaço onde todos falamos a mesma linguagem e onde a manifestação e troca de dúvidas, ideias e saberes não são encaradas como uma perda de tempo...