segunda-feira, outubro 31, 2005

Diversidades entre grupos étnicos

O desencontro da alteridade
Para melhor entendermos e solucionarmos o problema das diferenças étnicas, não será melhor reflectirmos, sobre o que vai na alma de todos os intervenientes?
Caetano Veloso escreveu:
"Quando te encarei frente a frente, não vi o meu rosto; chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto; é que Narciso acha feio o que não é espelho"
Partindo desta perspectiva, compreende-se que as diversidades existentes entre diferentes grupos, se tornem por vezes em pontos de conflito. Por um lado existe o "eu" que vive de modo "estável" e pensa "igual" e por outro lado existe o "outro" que não compartilha das mesmas crenças. Este contacto que se forma geralmente de forma turbulenta: perturba e ameaça desintegrar a identidade "estável" da sociedade do "eu".
O outro é percebido como um "intruso" que trará a desordem e o que o caracteriza é um ser não-humanizado. Neste sentido a palavra "desordem" é vista como algo ruim. É-lhe atribuída a conotação de destruição. Para se defender deste efeito destabilizador, neutraliza-se mediante o desconhecido. Assim é negado ao "outro" o direito de viver a sua identidade étnica, pois o padrão do "eu" prevalece e o "outro" sente-o numa óptica de desprestígio e não-reconhecimento.
A sociedade do outro, passa a ser percebida como ameaçadora, inferior e é vivida de modo odioso. Mas a relação dialógica tem de ser reconhecida como necessária, pois faz parte do mesmo processo de construção histórica. Se não fosse esta possível relação do "eu" com o "outro", viver-se-ía de modo pobre e mutilado e não haveria espaço para o novo, o ousado, o criativo.
Segundo Paraheler(1988), ter que viver com a presença do outro é trabalhar na incerteza, mas só assim se eleva o pensamento ao complexo.
Num próximo Post continuarei com estas reflexões, já que as consideram bastante pertinentes.
Agradeço a quem considerar interessante a reflexão acerca deste conteúdo.
Filomena Ramos

3 comentários:

Delfim Peixoto disse...

Filomena, acho que conseguiste muito assertivamente focar e defender muito bem a ideia da " tolerância". Realmente muitas vezes nós próprios corremos nesse erro que é " olhar para o umbigo" mas concordo completamente com a visão que tens sobre a reacção dialógica. No fundo, a que devermos ter sempre

filomena disse...

Delfim agradeço o comentário e aproveito para partilhar contigo a reflecção que fiz, quanto à relação dialógica, conforme tu referes como sendo "a que devemos ter sempre" e eu concordo contigo.Mas se pensarmos bem, podemos concluír que nem sempre a procuramos ou mantemos, e tavez isso se deva ao facto de um determinado comportamento denominado "preconceito". Estando este comportamento pautado de uma forte componente Emocional, poderá fazer com que nos distanciemos da razão.
Segundo Paraheler (1988), o afecto que se liga ao preconceito é algo vivido como crença com poucas possibilidades de modificação e os preconceitos permanecem inalterados, mesmo após comprovações contrárias.
O grave problema, é que a "discriminação" pode surgir como consequência destes preconceitos.

Anónimo disse...

O Eu depende do outro assim como o outro depende do eu. mas quem sou Eu? Só depois de me conhecer posso conhecer o outro.