quinta-feira, outubro 27, 2005

J. Dewey: "A escola não é uma preparação para a vida. A escola é vida."

Se “a escola é vida” e não apenas uma preparação para a mesma, então o currículo escolar deve proporcionar aprendizagens significativas não só aos alunos como a toda a comunidade envolvente (apesar das escolas terem sido criadas a pensar no aluno!...ou não?!)
Esta maneira de ver a escola levanta uma série de questões na forma como o sistema educativo é actualmente encarado e sentido. Eu vou focar apenas um exemplo. Há uma ideia generalizada que o professor está na escola para “ensinar” e o aluno para “aprender”. Desde logo, este pressuposto cria um grande distanciamento na relação professor/aluno. Os professores também aprendem (e muito!) com os seus alunos e é necessário que o aluno sinta essa importância na relação. Os professores também falham e é importante que saibam admitir os erros perante os alunos e juntos, tirarem ilações sobre essas falhas. Só assim, eles sentirão que os erros, receios e medos são uma condição natural e essencial para o desenvolvimento humano. E para mim…o desenvolvimento humano é uma prioridade no currículo.

5 comentários:

AnaOliveira disse...

As instituições educativas também são criadas a pensar nas famílias... Existem até muitas, criadas, pelos próprios pais, como é o caso de Reggio Emilia, que nasceu da vontade dos pais, após a II Guerra Mundial, de criar uma escola diferente para os seus filhos, onde lhes fossem proporcionadas oportunidades de desenvolver todas as suas potencialidades e experimentar o sucesso.
A nível do pré-escolar, a criação da componente de Apoio à Família é, também, um exemplo disso.

Concordo com essa generalização a que te referes, daí a importância da formação contínua dos professores. Eu penso que, para além de todas as aprendizagens que realizamos, estando na posição de "alunos" experimentamos uma série de coisas que nos alertam para a nossa postura na relação com a comunidade educativa...

Margarida disse...

E mais Madalena, se os alunos perceberem que um professor também pode errar, podem aprender a encarar os seus erros ou falhas de uma maneira não tão "histérica". O que quero dizer com isto, é que criando uma pressão mental em que o professor não erra, o aluno também não o pode fazer, já que tem que desempenhar o seu papel de aluno que só aprende. O que é errado; todos nós já erramos; temos é que aprender a lidar com as nossas falhas de modo a que elas sejam um motivo para superar as dificuldades e não para desanimar todo o processo de ensino/aprendizagem. O importante a ter em conta é dizê-lo com frontalidade aos alunos, que uma pessoa por ser professor não quer dizer que tenha fechado as portas do conhecimento. Não. Nós só deixamos de aprender quando deixarmos de existir. Caso contrário, trata-se de uma negação à própria vida.

AntonioPacheco disse...
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AntonioPacheco disse...

A "escola é a própria vida" e a educação é para toda a vida. Por isso o currículo deve, sem dúvida, contemplar toda a comunidade educativa. Não só a família, mas também o meio social em que a criança vive influencia a sua educação. A escola deve tirar partido da conjugação de esforços e da potencialização de recursos da comunidade para a educação das crianças e dos jovens. Assim, tanto os pais, como os outros membros da comunidade poderão colaborar no desenvolvimento do projecto educativo da escola. O processo de colaboração com os pais e com a comunidade tem efeitos na educação das crianças e consequências no desenvolvimento e aprendizagem dos adultos que desempenham funções na sua educação.

Adailton Santos disse...

A importancia de reavaliar o curriculo enquanto mecanismo educacional é de suma importância, uma vez que que estamos lhe dando com seres humanos complexos com culturas distintas e os projetos pedagógicos que vemos hoje em ação muitas vezes está afastado da realidade do aluno e é colocado para o educador de forma mecãnica e sistemática...