segunda-feira, outubro 31, 2005

Nada mais que "qualificação" e "formação"

Novamente os currículos... e Portugal!

O artigo "A Moeda Mã" de Vasco Pulido Valente, do jornal "Público" de domingo, levou-me a questionar as causas em que o nosso país se encontra e por que sítio se vai começar a resolver os problemas.
A adaptação de currículos de outros países "pseudo" evoluídos à sociedade portuguesa, tem contribuído para que parte dos licenciados, mestrados e doutorados emigrem para países da América e da Europa, engrossando os recursos humanos desses países. No entanto, essa formação é sustentada pelos dinheiros portugueses, em detrimento dos que ficam, e que são apelidados de maus "qualificados" e de baixa "formação".
A promoção e continuação de currículos desajustados, como os nossos, levam-nos à crise orçamental e à estagnação económica e social.
Portugal necessita, de uma reformulação curricular a todos os níveis escolares, de modo a promover uma abertura de mentalidades, de identidades, de criatividade, de tolerância, de forma a favorecer uma emancipação individual e colectiva da sociedade.

3 comentários:

Deb disse...

Interesting! Deb Nutrition

AnaOliveira disse...

Ao ver, ontem (31/10), o programa Causas Comuns, na RTP2, acerca da Formação Profissional em Portugal... pensei que realmente existem recursos sub-aproveitados! Numa intervenção formativa no Brasil, um dos responsáveis pela formação profissional em Portugal constatou a surpresa dos brasileiros por haver formação gratuita no nosso país... e em muitos casos remunerada... Por outro lado... existem vários cursos de formação profissional que não abrem por falta de inscrições...
Com o índice de desemprego e falta de qualificação profissional em algumas áreas profissionas, não se compreende!

Quanto à mobilidade de investigadores acho fundamental... e não anula a qualidade de muitas universidades e politécnicos portugueses...

Ainda na semana passada foi lançado, com sucesso, o primeiro satélite construido por estudantes
europeus, dos quais haviam também potugueses do ISEP - "O SSETI ("Student Space Exploration and Technology Iniciative") Express, um pequeno vaivém similar, em tamanho e forma, a uma máquina de lavar roupa, além de servir como um teste ao design também tirará fotografias da Terra e funciona como um rádio transmissor. O desafio foi lançado a 23 grupos universitários, com raízes culturais diferentes, que trabalharam de locais de toda a Europa via Internet para construírem, juntos, o satélite.
A iniciativa partiu do Departamento de Educação da Agência Espacial Europeia em 2000, com o objectivo de proporcionar experiência e incentivar os estudantes a seguir carreiras na área da tecnologia e ciência.
Mais de 400 estudantes europeus já participaram activamente no projecto estando, actualmente, em desenvolvimento mais dois satélites." in site da RTP

Não raras vezes, ouvimos, também, notícias de grandes invenções no campo da medicina, nomeadamente no IPO... no campo do ramo automóvel e rodoviário a invenção da Via Verde... etc... enfim, talvez o espírito dos Descobrimentos (séc. XV) faça parte dos nossos genes...

Naturalmente, que se houvessem mais recursos financeiros ou melhor gestão dos recursos finceiros, poder-se-iam criar mais oportunidades de evolução científica, económica e social.

AnaOliveira disse...

Acrescento transcrição do relatório para a UNESCO, da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI (1996, p. 17), pois poderá alimentar a nossa reflexão que começou já num post anterior, acerca da relação entre cultura e desenvolvimento...

"(...) a comissão está consciente das missões que cabem à educação, enquanto posta ao serviço do desenvolvimento económico e social. Muitas vezes atribui-se ao sistema de formação a responsabilidade pelo desemprego. A conclusão só é justa em parte, e sobretudo, não deve servir para ocultar outras exigências políticas, económicas e sociais a satisfazer, se se quiser alcançar o pleno emprego ou permitir o arranque das economias subdesenvolvidas".

(...)

" os aperfeiçoamentos desejáveis e possíveis não dispensam a inovação intelectual e a prática dum modelo de desenvolvimento sustentável, segundo as características próprias de cada país."

(...)

"as universidades dos países em desenvolvimento devem levar a cabo investigações que possam contribuir para a solução dos seus problemas mais graves. Cabe-lhe, ainda, propor novas perspectivas de desenvolvimento que levem à construção dum futuro melhor para os seus países. É sua tarefa, também, formar no domínio técnico e profissional (...) para poderem sair do ciclo de pobreza e de subdesenvolvimento em que se encontram."