domingo, outubro 30, 2005

Sobre a importância da diversidade no dia a dia

Este texto foi enviado para mim pela Ana Maria Pascoal, leitora do nosso blog, este texto é decorrente da sua vivencia no Luxemburgo.


Pois eu não direi que a diversidade é um factor positivo: eu direi que é um factor fundamental e determinante do diálogo para a unidade.
Mas, atenção, nunca confundir unidade com uniformidade...

O que é que une dez pessoas de dez países diferentes à mesa de uma cantina, enquanto fazem uma pausa para um café?
A pausa e o café são o pretexto para a troca de diferentes experiências e é porque somos todos diferentes e portadores de diversidade cultural que apreciamos o contacto e a convivência com o outro. Cada um fala da última peripécia sobre a educação dos filhos ou da última aldrabice e corrupção dos políticos lá do "sítio" e até se estranha o facto dos dinamarqueses, por exemplo, nunca se rirem com anedotas. Criticamo-nos e rimo-nos das nossas diferentes formas de sensibilidade. Depois, combinamos jantar juntos: vamos às tapas espanholas, ao grego, às pizzas ou ao "Lisboa I"? E no sábado, vamos ver os baghad celtas ou o flamenco? E são estas diferenças que nos fazem sentir a enorme riqueza de sermos muitos e tão diferentes. E choramos juntos com as imagens que nos chegam das catástrofes naturais, um pouco por todo o mundo. E juntos ficamos chocados com os atentados aos direitos humanos e mesmo com os maus tratos infligidos aos animais.

São estes valores éticos e morais, universais, que construímos juntos, que nos unem e nos fazem respeitar mutuamente.

1 comentário:

Margarida disse...

Ana, gostaria realmente de acreditar que as pessoas se tornam mais humanas. Mas ... não. A minha leitura é diferente. Noto cada vez mais a passividade do ser humano, a apatia cada vez mais enraizada na sua mente. Não sei se é pelo facto de existirem tantas informações; não sei se é pelo sensacionalismo criado pelos media; mas noto cada vez mais, que poucos são os que se importam realmente com as desgraças da humanidade. As notícias bombardeadas com mortos, sismos, terroristas, abusos e etc. surgem normalmente nas horas das refeições. Quantas pessoas achas que param para ver, que param para sentir, que param para se expressar, que param para agir? Não posso falar em percentagens, mas tenho a noção de que todos continuam a sua refeição sem interrupção. Seremos tão insensíveis? Cada vez mais noto a falta de respeito que se tem pelo outro (quer seja uma grávida, um idoso, um vizinho ou uma simples pessoa). Cada vez mais sou noticiada que os alunos não se encontram mentalmente dentro da sala de aula. Será uma falta de concentração geral? Talvés o conformismo amolece a vontade e ninguem se mexe até ser obrigado.