quarta-feira, novembro 09, 2005

Amin Maalouf

No seguimento do meu anterior “post” gostava fazer aqui uma curta reflexão sobre a questão das identidades culturais, segundo a perspectiva de Amin Maalouf.
Referindo-se especificamente ao caso das comunidades multiculturais este autor recria um cenário pertinente:
Imaginemos um indivíduo que sai do seu país de origem, onde viveu determinado período da sua vida, onde construiu afectos e formou a sua identidade, condicionada por factores de ordem cultural, étnica, religiosa ou outros e chega a um país de acolhimento onde vive por determinado período de tempo, no qual se integra socialmente ( reside, aprende, trabalha, diverte-se, etc.)
A questão coloca-se: terá este indivíduo uma identidade cultural definida à partida pelo seu local de origem, imbuída do sistema de valores que o caracterizam, muitas das vezes em choque, ou pelo menos em contradição com o sistema de valores do país de acolhimento, ou terá o mesmo indivíduo que sofrer uma “reciclagem”, adoptando exclusivamente a cultura do país de destino, ignorando toda a construção cultural em que assentou a sua formação inicial?
De facto, e na perspectiva deste autor, explícita na sua obra “As Identidades Assassinas“... a identidade não se compartimenta”, não se é, nem mais do país de origem nem menos do país de acolhimento. De facto a identidade cultural de um indivíduo resulta da assimilação única de todas as vivências a que ele foi sujeito, nos mais diversos planos, o que faz dele um ser único e distinto.
Neste contexto o autor introduz a definição de “múltiplas pertenças” para sugerir que os indivíduos não pertencem a nenhum grupo em concreto. Eles como seres únicos, “ têm por vocação serem traços de união, pontes, mediadores entre as diversas comunidades, as diversas culturas”.
Um indivíduo que não consiga assumir as suas múltiplas pertenças, porque é obrigado a assumir uma única cultura, ou seja “...reduz a identidade inteira a uma única pertença... é assim que se fabricam os autores de massacres...”

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