quinta-feira, novembro 24, 2005

"ANSCHOOL" E A ESCOLA, NA GLOBALIZAÇÃO

O espirito com que se entra para Anschool II, é claramente oposto quando se sai. É como ir a uma festa, ou às compras de Natal. Por melhor que seja, quando acaba, sentimos o espirito esgotado, cansado de tanta confusão.
Anschool, é tudo, dentro de um espaço que é simultaneamente, “ a escultura “ e o espaço de exposição.
Quando entramos para o primeiro espaço, a disposição de cadeiras e mesas, a presença do globos terrestres, mapas, textos e vitrines remetem-nos para o universo escola, mas à medida que se vai penetrando nas outras salas, encontramos algumas semelhanças e muitas diferenças, tal como nas escolas, há informação escrita e visual, mas aqui excessivamente caótica, há igualdade, mas aqui, “clautrofóbica” e caótica, há o exercício da liberdade, mas com muitas restrições.
Aqui, proclama-se arte, politicamente.
Creio que há muito mais para além da mensagem que proclama, “arte absoluta e com liberdade absoluta” (Thomas Hirschhorn, BIC e compromisso político), quando nos bombardeiam com imagens sobrepostas de terroristas, crianças vitimas da fome ou super-modelos num desfile de moda. Esta “arte absoluta”, levanta muitas questões, obrigamos a mergulhar no mundo em que vivemos, na sua construção e destruição quotidiana.
Thomas Hirschhorn, é um autor do fazer, do acto de fazer arte politicamente.
Toma uma atitude pós-modernista, onde arte é um processo em eterna construção ...
De facto, Anschool, é o caos que por vezes se torna a escola, quando escola é o lugar onde se vai votar para escolher um governo, para nos governar, ou o lugar de um atentado terrorista separatista, onde se mata indiscriminadamente.
Deixem-me respirar... quero silêncio, paz, harmonia, quero um futuro para a escola, para o mundo, um futuro diferente desta globalização!

7 comentários:

AnaOliveira disse...

Ana, é fantástico como pões em tudo o que fazes a tua poesia tão própria... É curioso, que mal comecei a ler post... vi que era teu... ainda antes de ler o nome... Gostei muito!

antónio rui disse...

Ana vamos lá ver uma coisa, sim tudo o que aqui apresentas neste post é mesmo interessante mas foge em alguns pontos ao contexto e objectivo do projecto individual , ou processual do artista em causa.
Anschool, é um projecto que não quer ser NUNCA POLITICO nem mesmo politicamente apontado, apenas construir um mundo onde a escola , não é escola, uma pragmatização de assuntos – por isso não se pode dizer – “proclama-se arte, politicamente.”no que concerne a este trabalho e muito menos a este autor , ele quer sobretudo falar de academia e não propriamente escola, o que nos obriga a apontar a uma escola académica – terminologicamente as coisas para ele são assim, será isso um gesto politico—também pode ser. Mas ele diz --- “ eu não construo-o nada pela politica nem por politica me deixo arrastar” “eu faço porque me apetece” será isto uma postura politica isolada do seu ego? O que é facto é que o senhor em causa diz não ir em modas –mas não se deixa-se levar em modas então? Não construiu ele uma instalação? Ou será mesmo uma escultura como ele mesmo diz que somente faz. O que é facto é que ele esta no topten e meritoriamente.
ele diz e contradiz afirmando que esse é o seu fenómeno.
A escola desvirtualizou-se e tornou-se a virtualizar assim que entra em espaço museológico, não nos podemos esquecer do sitio onde o seu trabalho esta, o museu , ainda que contemporâneo , não será um espaço académico?
Portanto, quero com isto dizer que este artista desvirtualiza a escola conceptualmente e torna-a a construir de um ponto de vista igual ao seu contexto inicial.
O local da construção e descontracção - na escola aprende-se e por vezes não, infelizmente, a escola é um local de informação boa ou má.
A informação caótica - pelos que não sabem informar,
A informação do caos controlado – pelos que tentam mas enfim…
E o descontrolo total apresenta-se na construção de identidades por quem isto assimila.

O exagero das peças a mesclada de cores.
O que flutua,
O que devia estar e não esta, é factualmente um espaço que foi construído e nada lá mais cabe.
O caos não permite.
Custa-me fechar o comentário aqui, ainda há tanto que dizer.
Pois podem crer o seguinte, este artista vai ser a moda de muitos outros pelo menos por cá , verão.
Viva o mérito, o muito mérito de Thomas Hirschhorn

Delfim Peixoto disse...

Na verdade, um bom exemplo! Ana, creio que afinal teremos de ser nós a "tirar as cadeiras" ...acredito que iremos conseguir.
Afinal,só vens provar que os professores são o que muitas vezes "não é vivível". Obrigado

Delfim Peixoto disse...

ERRATA: onde se lê " vivível" deve ler-se visível

barbara barreto disse...

Pois é Ana, vivemos numa sociedade caótica, repleta de imagens, informação, luz/trevas...
Neste novo século, a cultura mediática está na ordem do dia e tal e qual como tu, ao percorrer a exposição de Thomas Hirschhorn senti o peso de toda aquela informação visual que bailava à volta dos meus olhos. Na altura pensei que teria de voltar a Serralves, pois o tempo voou, mas à medida que fui "digerindo" tudo o que os meus olhos retiveram, não mais senti essa necessidade, porque o excesso e a claustrofobia provocada, ocupou com desconforto o meu pensamento ainda alguns dias. Também eu não quero uma escola assim. Quero, isso sim, acreditar que é possível explorar com harmonia esta visão que hoje o mundo nos apresenta, trabalhando o seu lado positivo e transformando o negativo.
Utopia... Realidade...

anacarreira disse...

Esclarecimento,
António, eu apenas transcrevi,”arte politicamente” de um texto de T H “Fazer arte politicamente, em lugar de fazer arte politica, significa que a feitura é que é politica e não a arte(...)” in Anschool I eII (2005), não pretendia referir o fazer arte politica. Sentido, processo politico...não é necessário ter medo da palavra POLITICA!

antónio rui disse...

ana, se el fizesse arte politica, era certamente diferente como só para referir que não tenho medo a toda a terminologia politica na arte, até porque alguns dos artistas preferidos são directa ou indirectamente intervenientes politicamente e ditos artistas políticos.
Ahhhh e outra coisa não acredito muito que a feitura seja politica em thomas :).visto nem mesmo ele acreditar.