quarta-feira, novembro 23, 2005

Arte "Inclusiva"

Depois da visita à exposição de Thomas Hirschhorn em Serralves e atrapalhadamente almoçarmos, para depois, prosseguirmos com as restantes aulas e finalizarmos o dia com um seminário, não menos interessante, pelo contrário, (mas não é disto que vos vou falar) dei por mim a pensar e a falar em voz alta.
A exposição era demasiado densa, precisava de reflectir o resto da tarde, depois do seminário não seria capaz de a interpretar, passados alguns dias para melhor reflectir, gostava de tentar expor alguns pensamentos.
A palavra denso é a primeira que me ocorre sempre que penso na exposição, por vários motivos:
Denso porque é escultura sem limites, é o espaço para além da tridimensionalidade T.H. diz,” Dar forma é o meu compromisso”.
É denso porque é complexo, não no uso de técnicas ou tão pouco de materias, mas sim, por tudo o que pretende; T.H. diz” é necessário ela não funcionar para permanecer utópica
Denso pela crítica que faz a globalização, a moda, a perda de identidade e ao capitalismo, através dos materias, atitudes, imagens, gostos, etc; T.H. diz “A moda reflecte o medo da perda de identidade”, “ Não acredito na qualidade… na arte”
Denso pelo carácter social que impregna nos seus projectos (no projecto que realizou em França, nos bairros onde começaram os distúrbios, T. H. trabalhou com obras de arte, por exemplo do Marcel Duchamp, sem segurança do Museu sem qualquer problema. T.H. diz “ A arte é para mim uma ferramenta, uma ferramenta para conhecer o mundo, uma ferramenta para descobrir a realidade… Não quero excluir ninguém com o meu trabalho, gostaria de incluir pessoas no meu trabalho”


Citações de: T.H. Agosto de 2000
Tradução de Sofia Gomes a partir da versão inglesa de Emmelene Landon do original francês

1 comentário:

AnaOliveira disse...

Concordo com o objectico "denso" para a exposição do Thomas Hirschhorn... talvez ainda mais para mim, sem a formação artística que vos permite "dissecar" ou compreender de forma mais consciente e apurada, os diversos aspectos inerentes às diferentes obras...


A propósito deste sentir pesquisei e encontrei:

"O sentido racional da estética foi fortemente abalado no presente século, quando as artes contemporâneas quebraram por completo todas as leis do belo racional que a estética como Ciência tinha laboriosamente definido ao longo de décadas.
O abstraccionismo, o impressionismo e outras correntes da pintura, o atonismo, a música concreta, a arritmia, a dismetria e a não rima, na poesia, e muitas outras tendências actuais da criação artística, apresentando obras de arte com propensão para o feio, o bizarro, o inédito e o inesperado, são modos artísticos que saem completamente de quaisquer parâmetros de uma estética racionalista.
É erro crasso pretender-se julgar a Arte de hoje usando os juízos, critérios e leis estéticas do passado, quando estas já deixaram de existir. A análise de hoje terá de ser individual, subjectiva, inconsciente, escapando a toda e qualquer tentativa de a enquadrar em quaisquer regras de juízo crítico racional.
Uma obra de arte que esteja fora de qualquer possibilidade de “explicação racional” causa problemas de apreensão a quem procura compreendê-la em vez de senti-la.
Alguns autores contemporâneos chegam mesmo ao ponto de negar à Arte qualquer valor racionalmente cognoscitivo, atribuindo-lhe um valor exclusivamente simbólico (Buecher, 1933).
A Estética Sensório-Perceptiva, destaca-se por completo das acepções da Estética Científica, voltando-se para a análise, não da obra de arte, mas das sensações e percepções que esta desperta na pessoa, numa dimensão quase metapsicológico-perceptiva."

In Sousa, Alberto (2003) Educação Pela Arte e Artes na Educação, Lisboa: Instituto Piaget.