domingo, novembro 13, 2005

Comentando René Huyghe e a criação artística

De onde vem o impulso artístico? Nada nasce do nada, é pois necessário analisar um conjunto de factores que se devem reunir, para poder falar na criação do objecto artístico.
René Huyghe, escreve sobre uma” submissão dócil” ao inconsciente e põem de parte a vontade de “fazer ou criar” como factor fundamental para a criação artística. Como pode nascer o objecto artístico sem vontade, sem amor pela criação?
Na génese do objecto artístico estão factores que determinam as suas linhas condutoras, está realidade, está o inconsciente, estão regras individuais, estão limites técnicos e materiais.
A “submissão dócil”, vai para além do inconsciente e talvez não seja submissão mas uma paixão.
Criação artística nasce de uma ponte que se estabelece entre a realidade exterior ( o outro) e o universo do sensível (a projecção do que sou – do EU) através de um impulso artístico.

Inspira
o perfume da flor do teu ser.
Saberás, agora, a dança do gesto meticuloso
acto criativo

(Um desabafo…comentei dois textos, da Margarida e da Giselda, mas creio que não estão no blog…)

1 comentário:

Susana Filipe disse...

Ana
Em tantas reflexões e comentários que tem este nosso blog, é claro que alguns nos dizem mais do que outros. Estas “partilhas”de pensamentos, conhecimentos e experiências são realmente de grande riqueza para todos nos. Mas, para além da riqueza que tem em si, existem os factores próprios de quem lê. Aquilo que faz com que uma reflexão nos toque e nos diga algo, tem também a ver com os tais factores visíveis e invisíveis, externos e internos, do Outro e do Eu.
Factor exterior - .Este teu Post vai ao encontro daquilo que penso e sinto em relação à criação artística.
Factor interior – Hoje fixei-me frente a uma tela branca, e em apenas algumas horas de trabalho terminei mais uma pintura...
Tantas vezes os instantes em que a tela branca ocupa todo o nosso espaço são de angústia e escuridão... Quantas vezes esses mesmo momentos são de quase alucinação, e sem sabermos como, acontece a criação...
Inspiração? Sim! Criação? Sim! Expressão interna? Sim! Resposta à questão fundamental? Sim! Escuro que se transforma em luz? Sim! Mas não é só.... Trabalho, persistência, pesquisa, tentativas, repetições, lutas internas,... São tão importantes e fundamentais como o momento do click.
É assim que acontece “a dança do gesto meticuloso do acto criativo”