domingo, novembro 20, 2005

Curiosidades deixadas por Raúl Fornet-Bettancourt

Este investigador e filósofo cubano, radicado na Alemanha desde a década de 70, defendeu que a vaga de violência urbana, associada ao descontentamento social de emigrantes, constitui um “problema económico e de integração”. Também defende a recente onda de violência que percorre França como “um desafio cultural” perante uma “Europa confrontada com diferenças com as quais não sabe lidar”.
Se pensarmos na forma como a tradição humanista define hospitalidade, como o dever moral de qualquer ser humano, sendo o seu fundamento o dever do reconhecimento de que todos temos os mesmos direitos sobre a terra, o nosso bem comum. É certo que este dever configura um ideal “caro” e “pesado”: a criação de sociedades abertas, multiculturais assentes no reconhecimento da igualdade de direitos de todos os seres humanos, independentemente da sua raça, religião ou condição social. Mas já JOHN LOCKE e E. KANT pensavam nestas sociedades ideais. O que é um facto, é que entre o ideal e a realidade vai uma enorme distância, e por isso tudo pode acontecer.
Bettancourt propõe uma maior colaboração dos países europeus com os outros países, e diz que este é o momento da Europa “reconfigurar o seu espaço social”.
Fez um reparo quanto à dinâmica complexa dos vínculos Globalização e Identidade, e ficou-me esta dúvida:
- Não estará o cenário da globalização a alterar os processos tradicionais de produção e reprodução da identidade?
Desta forma, a identidade está a ser confrontada com a sua historicidade e portanto com a possibilidade de ser diferente de si mesma.
Interessantes ideias/observações de Bettancourt:
"O mundo é global mas atrás dele se ocultam tremendas assimetrias de poder"
"Os custos e hábitos de consumo devem ser uniformizados"
"A interculturalidade aposta para um mundo não globalizado"
"A interculturalidade é mais uma das estratégias refinadas do capitalismo avançado"
"Não há mitos em torno do diálogo intercultural"
"Definir iterculturalidade seria delimitá-la e fragmentá-la, portanto não é facil"
"O problema da Globalização é que globaliza demasiado rápido"

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