quarta-feira, novembro 02, 2005

Entre o conflito cultural e a diversidade

A diversidade poderá transformar-se em exclusão e conflito social, transformar bairros em “gettos” e tradições em proibições, caso as instituições e os organismos com poder legislativo e executivo não compreendam que a multiculturalidade e diversidade tem que ser uma prioridade no debate colectivo - escolas, comunicação social e sociedade em geral.

Quarta-feira :Paris acordou novamente no trilho do conflito - “La haine” (titulo do filme de M. Kassovitz sobre os conflitos nos bairros de imigração em redor de Paris)

Na Europa, com o afluxo de imigração, criam-se fronteiras invisíveis, através de uma política proteccionista. Não é esta a solução...
Nos bairros dos subúrbios de Londres, Paris ou Bruxelas, grupos étnicos mantêm os seus usos e costumes, têm os seus locais de cultos, festejam as suas tradições . Alguns tentam um compromisso, que por vezes parece impossível entre a Europa secular, humanista e católica e a sua cultura, preservando a língua, mantendo a sua religião, dos quatro cantos do mundo, da América Latina, África, médio e extremo Oriente. No entanto, os grupos de indivíduos de 2ª e 3ª geração que nascem já em território Europeu são aqueles que não se revêem nesta Europa (secular, humanista e católica, que se desenvolve na UE), tentam cultivar ao extremo uma outra cultura que é do ódio, tão bem retratado no filme do francês Kassovitz, alimentada, com o medo do outro, por parte da uma boa parte da opinião pública europeia.
A Europa vive uma crise demográfica, cada vez nascem menos crianças e cada vez há mas reformados, por outro, temos uma crise económica, assim há a necessidade de imigração mas não se cria uma política para a integrar.
O isolamento decorrente de uma incapacidade de se adaptarem e encontrarem um espaço nesta miscelânea de valores que lhes é apresentada pela escola e sociedade por um lado, e a família por outro, veio por a descoberto as fragilidades da nossa cultura europeia.
A Europa está a sair do seu pedestal de etnocentrismo, a compreender que só valorizando a cultura do outro, haverá lugar à harmonia social através da multiculturalidade.
Não será afastando e reprimindo, que se encontra paz social, muito menos é fechando as fronteiras, no mundo da globalização isso será fechar os olhos à realidade que se criou. A Europa, com base na sua riqueza cultural conseguirá algo mais laborioso e democrático. Só espero que os responsáveis europeus em Berlim, Paris ou na Comissão Europeia não se percam em “entre linhas”.

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