quinta-feira, novembro 03, 2005

A HABILIDADE DE CONVIVER E COMPREENDER OUTRAS CULTURAS, PASSA PELO RECONHECIMENTO OU PELA RECUSA?

Após uma reflexão e um estudo contínuo, entendo a escola como um local, que estabelece a ponte, posso dizer metaforicamente, entre as duas margens do rio, o meio e a população escolar e vice-versa. Logo, não podemos “esconder” a cultura, a religião, a tradição, os factos, os acontecimentos e as imagens reais, porque todos nós necessitamos de aprender a conviver, primeiro com as nossas diferenças, pessoais (físicas e a nível da identidade) e sociais, para depois respeitarmos e valorizarmos o outro e a sua cultura. Digo, que a troca de culturas não é o aceitar a outra cultura, mas passa antes por reconhecer e compreender os problemas pessoais, sociais, éticos e culturais e as desigualdades de oportunidade – todos temos o direito à educação e à felicidade.
Para mim, o vocábulo compreender resume toda a necessidade de educar, segundo uma lógica inter/multicultural. É o desafio activo e constante que os professores, dentro da Humanidade, procuram dar respostas e numa tentativa sistemática solucionar problemas, já mencionados anteriormente, ou mesmo tentar diminuir. No sentido lato, formar cidadãos activos, conscientes, reflexivos e dinâmicos, capazes de sobreviver e actuar de uma forma assertiva, na sociedade consumista, capitalista, progressista e tecnologicamente avançada.
O indivíduo ao compreender e entender a diferença estará a construir o sentido da sua cultura, própria e única, que o influência e o rodeia.
Assim, num mundo globalizante e virtualmente próximo, necessitamos de aprender a superar os estigmas etnocêntricos e encarar toda a diversidade cultural, de uma forma positiva, interventiva e participativa entre toda a Comunidade e toda a Escola, numa troca e partilha de informações, saberes populares, tradicionais, científicos, e o reconhecimento de valores e atitudes, mutuamente, que promovem o conhecimento da origem, da percepção da cultura e o respeito de regras.
Em suma, concluo que na educação não pode existir actos de discriminação, nem exclusão pessoal e social, mas sim o encontro do melhor caminho, acordado entre todos, para se chegar ao entendimento da diferença, num processo de investigação-acção, observação, socialização, respeito e o aproveitamento das diferenças existentes na escola, como sendo a primeira atitude fulcral a abordar, quanto às vivências e experiências de cada um (transculturalidade).
Um ensino baseado no afecto e na consolidação de aprendizagens, pela descoberta livre de preconceitos e abertura na tomada de decisões.
O professor deve deixar fluir a criatividade e sempre que possível a criação, numa visão ampla, aberta, diferente e predisposta a enriquecer a realidade.
PS. Gostava de agradecer às colegas Ana e Filomena pelos comentários e pela particapação. Após uma reflecção individual decidi apresentar este texto, que no meu entender tem muito a acrescentar, visto me encontrar numa constante formação . Penso que os melhores críticos serão os meus leitores, através do diálogo e da troca de informações, porque me irão elucidar e esclarecer quanto à aprendizagem de conceitos e assuntos ainda pouco fundamentados, experimentados e vivênciados por mim.

Sofia Torre

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