segunda-feira, novembro 07, 2005

A importância da afectividade na educação

Palavras-chave: mudança, emoção, afectividade e aprendizagem.

A actualidade está profundamente marcada pelo conceito de mudança e, praticamente em todas as áreas do saber, a mudança ocupa um lugar central.
A área da educação sofre, ou beneficia, de um processo de alteração paralelo em que os aspectos cognitivos dos processos de aprendizagem são tratados de uma forma conjunta com os aspectos de ordem emocional e emotiva.
Torna-se portanto visível a necessidade de valorizar os aspectos emotivos e afectivos no campo da educação.
Será importante considerar a emoção no contexto da educação conforme apresenta o “Modelo Afectivo” de Kort, Reilly e Picard (2001), o qual analisa a inter-relação entre as emoções e a aprendizagem. A simplicidade e abrangência deste modelo tornam-no particularmente atraente num contexto em que se procuram equacionar as bases de uma relação eficaz que promova a aprendizagem.

António Damásio, publicou “O Erro de Descartes” em 1994, e referiu que à primeira vista não existia nada de caracteristicamente humano nas emoções, uma vez que é bem claro que os animais também as têm. No entanto há qualquer coisa de muito característico no modo como as emoções estão ligadas às ideias, aos valores, aos princípios e aos juízos complexos que só os seres humanos podem ter, sendo nessa ligação que reside a nossa ideia bem legítima de que a dimensão humana é especial.

É através dos sentimentos, (que são dirigidos para o interior e são privados) que as emoções, (que são dirigidas para o exterior e são públicas) iniciam o seu impacto na mente.

Daniel Goleman em 1995 publicou o livro intitulado “inteligência Emocional” e salienta a influência que têm os estados emocionais sobre a actividade mental, sendo esta conhecida desde há muito pelos professores. O autor dizia que os alunos ansiosos, zangados ou deprimidos não aprendem e, as pessoas que se encontram nestas situações não conseguem absorver nem reter informação de uma forma eficiente.
Penso importante referir que a evolução que caracterizou esta última passagem de século, aponta para a necessidade de ter em conta os processos emotivos e afectivos para além dos meramente racionais ou cognitivos.
É de salientar a extrema capacidade que alguns professores têm em reconhecer o estado emocional dos seus alunos e, baseados na sua observação, agir de forma a influenciar positivamente o seu processo de aprendizagem, dar-lhe o apoio e a resposta adequada para que consiga atingir um elevado grau de compreensão quanto à eficiência e ao prazer do processo de aprendizagem.

As quatro emoções mais comuns que aparecem nas listas de vários teóricos são o medo, a raiva, a tristeza e a alegria. Plutchnik acrescentou o repúdio, a aceitação, a antecipação e a surpresa. Ekman (1992) focou um conjunto de seis a oito emoções básicas que têm associadas expressões faciais.

O modelo de Kort et al – Modelo Afectivo da Inter-relação entre Emoções e Aprendizagem – identifica cinco emoções básicas a que chamam “Eixos”. Trata-se da ansiedade – confiança; aborrecimento – fascínio; frustração – euforia; desanimado – encorajado e terror – encantamento.
Para terminar, devo salientar que o mundo das emoções é altamente complexo e pode conter outras misturas de palavras e de conceitos para além das aqui referidas.

Filomena Ramos

3 comentários:

IsabelDomingues disse...

Filomena, vejo nesta pesquisa que realizaste, uma resposta para a questão que o professor Varela coloca relativamente à existência de uma relação entre a subjectividade de cada indivíduo e a cultura.
Na minha opinião, acabas por expressar, no conjunto de estudos que referiste, a complexidade de “mundos de sentimentos” (emoções) que definem (porque lhe são intrínsecas) a condição humana e que são factores determinantes nos processos de aprendizagem.
As emoções, os afectos, as diferenças culturais individuais, a pluralidade de culturas… traduzem inúmeros desafios para o contexto escolar.
A escola é, a meu ver, uma amostra, em ponto pequeno (reduzido, talvez!) do mundo, que resume a diversidade dessa sociedade imensa que o caracteriza. Exige actos conscientes aos intervenientes, na medida em que os alerta para essa diversidade e, acrescidos, na medida em que os responsabiliza na articulação contínua daquelas características. A cultura é fruto de actos de aprendizagens significativas e a escola é a entidade (socialmente institucionalizada) que tem como função expandir o universo cultural dos seus intervenientes (alunos, funcionários, professores e até pais). Para isso, tem que ter em conta nos projectos que define a complexidade das relações existentes na comunidade onde se encontra inserida. Este objectivo apenas surtirá os devidos efeitos quando o envolvimento dos seus intervenientes for também ele significativo (no sentido de trabalho colectivo e, acrescento, responsável).

AnaOliveira disse...

Estou, completamente, de acordo contigo Isabel.

Filomena, a "influência dos estados emocionais sobre a actividade mental" dos alunos é um facto... Pergunto-me, muitas vezes, como podem as crianças que vão para a escola com fome, mal agasalhadas, com vivências de abandono ou mau ambiente familiar, etc., ter a capacidade de atenção e concentração necessárias à aprendizagem?

Perante isto, a escola também deveria repensar no tipo de resposta a dar. Não deveria o corpo docente, das escolas onde factores ambientais extremos influenciam fortemente o processo de ensino-aprendizagem e socialização das crianças, ter uma preparação (a nível pedagógico) e apoios específicos (psicólogo, assistente social, etc.)?

Naturalmente, que estes são casos extremos... pois todas as crianças sofrem variações dos estados emocionais, provocadas por factores extrínsecos e intrínsecos... Tal como os adultos... e aqui reside outra variável, pois nem sempre o estado emocional dos professores lhes permite a disponibilidade e empenho totais nas suas tarefas... é inerente à natureza humana...

Mas o profissionalismo e a vontade de fazer "bem" têm prevalecer, em prol da qualidade da intervenção educativa e, consequentemente, da mais valia que isso vai constituir para o desenvolvimento de cada criança.

sónia disse...

olá Filomena,
Chamo-me Sónia Sousa e estou a realizar uma pesquisa sobre a afectividade na relação pedagógica no âmbito da realização de um projecto de investigação- Pós graducação em Educação Especial.
Soube mesmo bem encontrar este blog pela partilha de informação que nos proorciona.
A razão junto ao coração foi a minha motivação práctica para esta meta a que me proponho. Agradeço desde já algum material que me possa indicar.
Parabéns pelo blog!!!