quarta-feira, novembro 09, 2005

Onde está a Cultura ?

Decidi partilhar convosco um artigo que li na revista Proteste, que foca em particular o desrespeito humano, social e ambiental, a que estão sujeitos alguns trabalhadores (sobretudo os chineses). Deste modo, interrogo-me: a onde está a multiculturalidade? a interculturalidade? e, acima de tudo, onde se encontra a cultura?

Segundo o referido artigo, comprar com a mesma facilidade produtos da Europa, da Àsia ou da África deveria ser uma mais-valia para os consumidores. Mas muitas vezes tal não acontece.
Idealmente, a globalização é sinónimo de vantagens: uma escolha mais vasta de produtos e serviços, uma maior concorrência traduzida em mais qualidade a preços competitivos, a juntar a uma maior probabilidade do desenvolvimento económico das regiões mais pobres.
No entanto, quando nos referimos a alguns sectores (nomeadamente ao sector têxtil), o panorama é outro. Algumas regiões do mundo como a China, o Vietname ou o Bangladesh, têm uma indústria (entre outras a de vestuário) onde as peças são postas à venda a um preço tão baixo, que se torna quase impossível fazer-lhes concorrência nos países de destino das suas exportações. Estes preços conseguem-se à custa de uma mão-de-obra muito mais barata que nos países ditos desenvolvidos. Mas qual é o custo humano, social e ambiental desta produção?
Se nos debruçamos sobre a segurança e as condições de trabalho, verificamos que existem países pouco respeitadores das regras internacionais. A China é um caso flagrante: das oito convenções de base da Organização Internacional do Trabalho, ratificou apenas três. Esta situação é grave, porque estas convenções garantem uma protecção mínima dos trabalhadores, incluindo a proibição do trabalho infantil, o combate à discriminação e liberdade de associação.
Constatamos que é mais fácil produzir a um custo reduzido quando as regras acima mencionadas são desrespeitadas.
De quem é a culpa?
Das empresas... das autoridades... dos intervenientes no processo (desde o produtor ao consumidor)...
Se os grandes grupos localizam a sua produção em países como a China é porque sabem, á partida, que lhes será vantajoso.
Para fabricar um produto, anunciam que querem encomendar certa quantidade, mas a um custo que não ultrapasse um determinado montante. Face a esta exigência, cabe aos produtores irem baixando os preços, para conquistarem o cliente... a isto não se pode chamar concorrência, mas de uma imposição de preços por uma empresa com um poder de negociação tão grande que dita as suas regras.
Qual o papel do consumidor e das entidades responsáveis?
Ao consumidor deveria interessar não apenas os preços mais baratos mas, se as suas compras respeitam condições humanas, sociais e ambientais.
As entidades responsáveis deveriam exercer pressão sobre alguns países, para que as convenções internacionais sejam reconhecidas, respeitadas e aplicadas.
É fundamental que os direitos de todos os trabalhadores sejam respeitados (segurança, horário de trabalho, salário, liberdade sindical...). Um grande passo seria também uma maior transparência dos contratos entre as Grandes/Gigantes Empresas e os pequenos produtores.
SE CONSIDERAREM PERTINENTE, COMENTEM...

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