quarta-feira, novembro 16, 2005

A propósito de Culturas: preservação e inserção no currículo!

A propósito, transcrevo a seguinte notícia que li:

Galego-Português, um património de palavras comuns.

Foi apresentada, em Lisboa, candidatura a património imaterial da humanidade.
A troca cultural vai da música ao lirismo, e encontra a sua expressão mais viva na tradição oral.

Nem sempre as fronteiras políticas definem a cultura ou as tradições dos povos. A Galiza (Espanha) e a região norte de Portugal são uma prova disso mesmo. Duas regiões de países diferentes, que mantêm uma tradição oral muito próxima. A candidatura das tradições orais galego-portuguesas a Obra-Mestra do Património Imaterial da Humanidade foi apresentada ontem , no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, como mais um passo na luta pela preservação desta herança cultural, em risco de desaparecimento. Esta apresentação segue-se a outras já realizadas noutras cidades, como o Porto, Madrid ou Bruxelas, e integra-se num processo de pressão final, que culminará em Paris, a 18 de Novembro, a sete dias da deliberação da UNESCO.

Pela primeira vez, dois países apresentam uma candidatura conjunta a património imaterial. As duas regiões, divididas pelo rio Minho, formam entre si uma ponte de troca cultural, que vai da música ao lirismo, passando pelos trajes, paisagens, ofícios tradicionais e festas, e que encontra a sua expressão mais viva na tradição oral. "É preciso tomarmos consciência da nossa riqueza patrimonial. Como herdeiros orgulhosos deste património, queremos dá-lo a conhecer ao mundo", diz Álvaro Campelo, um dos responsáveis pelo dossier de candidatura apresentado à UNESCO em Outubro de 2004.

No próximo dia 25 é anunciada a decisão, e as expectativas são elevadas. "Atravessar o rio Minho é como atravessar o hall de uma casa que já é comum. A proclamação é certa", afirma, confiante, Helena Gil, representante da Delegação Regional de Cultura do Norte. Uma voz de optimismo que exprime o espírito do projecto. "Esperamos estar entre os nomeados", diz Lurdes Carita, da associação Ponte... nas Ondas!, o motor de arranque da candidatura. Mas, mesmo que as coisas corram mal, "Portugal e Galiza têm um património, e quem tem um património tem um futuro", acrescenta.


Castelos, conventos e monumentos em geral simbolizam uma identidade histórica e exigem uma preservação cuidada. Mas os sons, os gestos, as emoções, os dizeres e as formas de dizer são elementos culturais ainda mais delicados, que se perdem no tempo com facilidade. É disso que se trata quando se fala de património imaterial. A cultura comum galego-portuguesa tem sido posta em causa pela história, pelas fronteiras e pelas modificações sociais, e o caminho para que não se perca de vez passa pela possibilidade desta nomeação.

Se a UNESCO aprovar a validade do projecto, dar-se-á início a um trabalho de reconhecimento internacional e de desenvolvimento sustentado das regiões envolvidas, em termos de economia e turismo, que será a base da preservação de uma tradição oral que tem dificuldade em sustentar-se apenas pela força do costume.

A campanha tem como pilar o trabalho de escolas dos dois lados da fronteira, é apoiada pelos eurodeputados portugueses e espanhóis e apresenta assinaturas de nomes como José Saramago e Frederico Mayor Zaragoza. Espera-se agora a aprovação da UNESCO, para que o galego-português não se perca no passado.

Texto de Catarina Homem Marques, in Diário de Notícias, artes@dn.pt .

A notícia não menciona como foi desenvolvido o trabalho dessas escolas, mas é óbvio que se trata de uma aplicação curricular, cujo objectivo, a ser aprovado pela UNESCO (oxalá se concretize!), terá efeitos prorrogativos no currículo desses alunos...e não só!



1 comentário:

AntonioPacheco disse...

«Em 1995, alunos dos dois países iniciaram uma experiência radiofónica, com o nome "Ponte...nas ondas", que tentava unir as zonas do norte de Portugal e da Galiza, fazendo uma recolha sobre a cultura e as tradições orais. "Portugal e Galiza têm um património e quem tem um património tem um futuro" defendeu Lurdes Caritas, professora numa da escolas promotoras.
(...)A importância da classificação das tradições como património da Humanidade para a economia, nomeadamente para o turismo das duas regiões, foi salientada por Marta Souto, representante da Junta da Galiza. (...)O património oral abrange as tradições populares do Noroeste Peninsular e tenta recuperar os costumes, a música, os bailes, a gastronomia, o artesanato e a língua que unem Portugal e a Galiza»(J.N.) - elementos sintetizadores de harmonia.
A actuação das cantoras Isabel Silvestre e Uxía Senlle na apresentação, uniram os dois países pela música. Também o projecto musical, "Meninos Cantores", ligado à candidatura, desenvolvido por alunos e professores dos dois países foi ouvido. Esperamos que esta iniciativa tenha grande implicação no currículo dos dois países.