domingo, novembro 20, 2005

A propósito do Seminário “Interculturalidade” realizado na Universidade do Minho, na passada sexta-feira – 18 Novembro


A intervenção de Raul Fornet-Betancourt concentrou, a meu ver, em poucas palavras, uma série de ideias chave, que contribuíram para a desmistificação, clarificação e contextualização no mundo actual, dos conceitos de globalização e interculturalidade.

Do seu discurso e das reflexões críticas realizadas em conjunto com a “ audiência” destaco as seguintes ideias:

. A globalização não é novidade, pois acontece desde sempre, com os descobrimentos, as colónias, etc. O conceito de interculturalidade sim, é novo!

. A interculturalidade constitui uma tentativa de pensar e actuar! Primeiro temos que nos conhecer individual e grupalmente, para depois sabermos o que queremos
fazer com a nossa identidade cultural colectiva. Surge, assim, a necessidade da alfabetização contextual, permitindo ao indivíduo reconhecer “onde” se encontra e “como” chegou até “aí”, pois só assim terá competência para “ler” e saber posicionar-se no mundo.

. A interculturalidade não deve ser vista como “aniquiladora” da diversidade, nem como motor de uniformização dos gostos, pelo contrário: Serve de ponto de partida e supõe a recuperação de memórias locais; Recupera políticas de contextualização cultural e situa-se no desenvolvimento do mundo; Reforça a necessidade da democratização do poder.

. Na prática da interculturalidade pode verificar-se um conflito entre a tradição e a inovação. Neste sentido, a escola tem um papel fundamental, através da promoção da pedagogia da participação. Como referiu o orador, o professor termina a formação inicial com muitos conhecimentos teóricos, mas com poucas competências práticas de contextualização, dos mesmos, no contexto real, emergindo, assim, a necessidade da “des-profissionalização”, ou seja, o professor deve conhecer e recuperar as tradições e os processos de aprendizagem e aprender com a dinâmica social.

Em síntese conclusiva, sem biografia ou auto-conhecimento não é possível reconhecer e respeitar o Outro… contudo, não devemos só recuperar “as palavras”, mas também os actos, as práticas, o mundo tal como “acontecia”… não só em teoria, mas também na prática.




1 comentário:

barbara barreto disse...

Um pequeno, muito pequeno comentário.
Para além de tudo o que falaste, o que mais me impressionou, foi a forma transparente, clara e límpida, como Raul Fornet-Betancourt, expôs as suas ideias, a sabedoria com que falou sobre a globalização, a interculturalidade e a sua prática e a vontade que me deixou de o continuar a ouvir, criando curiosidade pelos seus livros. Pena que não tenham chegado para as encomendas. Resta a esperança de ele cá voltar.