quinta-feira, novembro 24, 2005

Relação da escola com a TV

Ainda na continuidade da exposição de Thomas Hirschhorn...

Todo o contexto audiovisual, nomeadamente a televisão foi visto pela escola como componente de si própria. No caso português tal resultou na criação da tele-escola, como meio de colmatar necessidades estruturais. Acontece que a TV é um meio primordial de entretenimento e não foi objecto de estudo na escola. Muito raramente a televisão foi abordada na escola, como objectivo de estudo sobre as razões que fazem dela um fenómeno de massas. Ela incorpora todo um jogo de expressões, linguagens, símbolos que, não sendo compreendidos, tornam o universo dos jovens mais distantes. Ora tal, afunda mais ainda o descontentamento dos alunos relativamente às aulas.
“[...] crianças e jovens dispõem de meios de acesso à informação por vezes muito mais interessantes e motivadores do que aqueles que encontram nas aulas, situação que ameaça e ameaçará cada vez mais, no futuro, o modelo da escola essencialmente transmissiva.
[...] Há, de facto, tarefas que, no quadro das sociedades actuais, só a escola pode realizar com sucesso [...] desenvolver a aquisição de competências/instrumentos intelectuais necessários à compreensão de todas as mensagens e a integração racional de todos os conhecimentos; por outro, desenvolver a capacidade de analisar e sintetizar criticamente a informação e o saber adquiridos por outras vias, bem como as condições da sua aquisição.” in Manuel Pinto, Televisão, Família e Escola, pp. 23 e 24
Aprender a interrogar, aprender a partilhar sentimentos e ideias, a analisar programas e imagens, a compreender as lógicas subjacentes à produção e à programação, a reflectir sobre as modalidades de recepção e de apropriação dos media - eis outros tantos desafios que hoje deveriam constituir um objectivo da formação básica de qualquer cidadão. Essas novas competências deveriam incluir também o conhecimento sobre os direitos e deveres dos utilizadores dos media, de modo a que se traduzissem progressivamente numa acção de apoio, de pressão e de crítica - de qualquer modo, de vigilância constante - junto dos responsáveis pelas instituições mediáticas ou pelas indústrias produtoras de conteúdos.
O papel da escola deve abarcar a integração dos media na suas actividades, mas sobretudo, terá de investir no ensino-aprendizagem daquilo que tem sido designado por uns como 'alfabetização mediática', por outros como 'educação para os media' e ainda por outros como 'educação para a comunicação'.

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