domingo, dezembro 11, 2005

Ainda sobre os Exames “História de um Comentário”


No dia 8 de Dezembro escrevi um comentário a um post do Delfim “Fim dos Exames??!!” (06/12/2005), comentário esse (polémico, reconheço) que tem uma história, a qual faço questão de partilhar com todos vós.
No dia 6 de Dezembro apresentei-me nas duas escolas onde irei trabalhar no Apoio Sócio Educativo. Quando cheguei a uma delas, acompanhado por um membro do Conselho Executivo do Agrupamento, encontrei cinco professoras do 1º Ciclo do Ensino Básico a discutirem, em mesa redonda, dois temas da actualidade: as “horas Sócrates” (como chamam às novas horas de prolongamento) e o fim do exame nacional de Português…
Bem, eu estive meia hora na sala, sentado na mesma mesa que elas, e apenas falaram sobre estes dois assuntos, de onde retive as questões e afirmações que coloquei no tal comentário ao post do Delfim, inclusivamente, a referência às cartas de condução (à qual fartei-me de rir, porque considero que 99% os problemas dos condutores e da sinistralidade das nossas estradas não reside nos exames de Código ou Condução, mas antes na falta de consciência e respeito das pessoas umas para com as outras) …

Resolvi colocar aquelas questões no comentário pois não parei de pensar nelas e, quando li o post do Delfim, achei que vinham mesmo a propósito como forma de desabafo, podendo suscitar alguns comentários.

Bom, eu sou bastante crítico em relação aos Exames Nacionais do Secundário pois realizei-os e, tal como refere o professor Varela, não ensinam nada (pelo menos a mim não) … Eu penso que quem já passou por esta experiência sente o mesmo.

Terminei o secundário em 1999 tendo realizado, penso eu, seis exames (não sei precisar) em pouco espaço de tempo. Tinha que me levantar às 6 h da manhã (pois os exames tinham que ser realizados em simultâneo a nível Nacional, no entanto o fuso horário dos Açores e diferente e tínhamos que começar às 7 h). Isto tem alguma lógica?

No entanto, durante dois anos decidi dedicar-me exclusivamente à música estudando no Conservatório Regional da Horta e só depois decidi concorrer ao Ensino Superior. Tive então que fazer, novamente, um exame correspondente a uma das Específicas exigidas e escolhi o Português que foi o que tivera melhor nota em 1999 e dominava melhor dois anos depois de terminar o secundário.
O programa entretanto sofreu algumas alterações, pedi apontamentos a colegas, li as obras introduzidas, assisti a algumas aulas realizando os testes de avaliação (tendo obtido notas positivas) e fiz o exame. Tive 9 valores, ou seja, não pude concorrer na primeira fase do concurso por 0.5 valores.
Fiquei desiludido, mas nem por isso desisti. Em Setembro voltei a realizar o exame e então tive um boa nota. Concorri na 2ª fase mas sofri uma grande penalização, ou seja, não tive direito ao Contigente Açores e a todos os benefícios (bons ou maus, não está em questão) que dai poderiam advir quando concorrer (no próximo ano) ao Concurso de professores da Região.

Ora, será justo que um exame (com duração de 120 minutos) decida o futuro de um aluno? E as horas que esse aluno passou nas aulas? De pouco servem?

Concordo com os colegas e com o professor quando dizem que existem outras soluções alternativas, pois penso que os exames por vezes são muito injustos e poderão não reflectir de forma alguma o que os alunos sabem ou não sabem. Se a questão da “selecção” preocupa tanta gente, penso que haverá outras formas mais justas de o fazer…
Como já referi noutras intervenções que fiz neste nosso Blog, penso que a complexidade da avaliação exige de todos nós, professores e não só, um grande respeito e uma grande reflexão, pois está em jogo o futuro de pessoas que não deve depender de um exame com duração de 2 horas depois de tantos anos a estudar e a trabalhar dia após dia…

2 comentários:

Delfim Peixoto disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Delfim Peixoto disse...

Comentário ( corrigido)!!!


Definitivamente admito que o Exame final é castrador e limitativo; a Avaliação deve ser contínua e não deve ser numa hora e meia que o aluno possa mostrar " o que vale". No entanto acho que deverá então pôr-se a questão: porquê a Português e Filosofia e não a todas as disciplinas?! Neste caso eu seria o primeiro a apoiar incondicionalmente esta decisão!
Por outro lado, acho que toda a Avaliação deve ser repensada; veja-se o conteúdo do desp.º 50/2005 que não revoga nada do que está para trás e vai obrigar-nos, nestas próximas reuniões a " seleccionar" legislação para cada caso diferente. Onde vamos avaliar os alunos com necessidades educativas especiais? Pelo Dec./Lei 319/91? Ou pelo 50/2005 que prevê os planos de recuperação? Isto é só um exemplo! Não poderiam fazer um Despacho novo aproveitando o que é bom para trás, deitar fora o que não presta e utilizar um só documento, revogando os anteriores?
Bom, a Avaliação deveria começar por aqui...utilizar meios eficazes para avaliar e legislar para haver homogeneidade entre as várias escolas.
Como o Professor defende (e bem) no Ensino Obrigatório a avaliação (classificação) não deve ser mesmo a mais importante: penso que deveria ser utilizado o termo Apto e não Apto. No acesso ao ensino Superior deveria haver testes de " Vocacionais", complementados com os " psicotécnicos " e (não é condição essencial) físicos e psicológicos.
Realmente cada vez mais sinto que deveria haver um debate sério No Ensino sobre esta questão e não nos deixarmos levar por " estados de alma". Eu sinto que tenho o direito de aprender, colaborar e assumir o que for estudado em conjunto por todos os intervenientes. Por isso lancei a questão assumindo o " papel do Diabo".
Parabéns pela tua colocação... ficam felizes também por isso