segunda-feira, dezembro 05, 2005

Pós-modernidade: ruptura ou continuidade

Vou resumir as minhas leituras que foram alimentadas pelo tema "Pós-modernidade" ao qual fui associando a questão: roptura ou continuidade?
Após este breve preâmbulo eis asumária conclusão:
No início dos anos 70 gerou-se uma nova era na sociedade ocidental. O fim dos movimentos culturais da década de 60 e o crescendo do capitalismo deu origem ao que Frederic Jameson denominou como a era da pós-modernidade. A crise cultural que, então, se fez sentir ficou sublinhada pela crise de conceitos fundamentais do pensamento moderno, tais como ‘Verdade’, ‘Razão’, ‘Legitimidade’, ‘Sujeito’, … e ‘Identidade’. Novos valores culturais começaram a nortear a sociedade, como a multiplicidade, a fragmentação, a desrefencialização, eliminando fronteiras e originando uma sociedade de consumo global. Valoriza-se, assim, a entropia, ou seja, todos os discursos, todas as representações são válidas (tome-se como exemplo as instalações de Marcel Duchamp, Andy Wharol, etc.). Já não é preciso inovar ou ser original, e a repetição de formas passadas não só é tolerada como encorajada.
Jean-François Lyotard no seu livro A condição pós-moderna (1979) coloca o problema da legitimação das grandes narrativas. De acordo com o autor, as grandes narrativas – a hermenêutica e a metafísica – entraram em crise no final do século XIX quando começaram a questionar a própria condição do saber. Ora, se as grandes narrativas se auto-questionam e põem em causa o seu próprio saber, como é que a ciência se legitima após este processo de deslegitimação? Esta crise, segundo nos diz Lyotard, foi motivada pelo desaparecimento de disciplinas clássicas do saber científico; e afirma que a uma hierarquia do conhecimento seguiu-se uma rede de saberes que se legitimam através de jogos de linguagem. Ou seja, as novas disciplinas não só produzem enunciados cognitivos mas também prescritivos porque precisam de um conjunto de regras, como por exemplo a paralogia, para se legitimarem. O mesmo autor caracteriza este período como de grande permissividade em que as mais diversas correntes reclamam o fim da experimentação das artes.
É neste contexto de desencanto que a pós-modernidade assenta, caracterizada como uma reacção ao pensamento moderno. Assim, o pós de pós-modernidade não denota uma ruptura ou fim da modernidade, mas um outro modo de ‘experimentar’ a modernidade. Pode-se chamar uma época de transição em que, segundo Jameson, a “completa estetização” da realidade é a tendência cultural dominante no universo pós-moderno.
Este texto dá apenas uma visão superficial daquilo que a pós-modernidade se caracterizou. Referencio um dos primeiros autores que dá azo á problematização desta nova era – Jean-François Lyotard. A reflexão estética de Lyotard vai retomar a filosofia Kantiana do sublime. O sentimento do sublime deriva simultaneamente do prazer e da dor, e da correlação entre o ‘presentificável’ e o ‘impresentificável’ (o que traduzo como cultura visível e cultura invisível). O pós-moderno não é o estado final do moderno mas antes o seu estado nascente, prossegue as realizações de ‘presentificações’ novas, nelas sobrelevando o que há de ‘impresentificável’.


Bibliografia:

LYOTARD, Jean-François (1979). A Condição Pós-moderna, Gradiva, Lisboa.
- (1987). O pós-moderno explicado às crianças, Publicações Dom Quixote, Lisboa.
JAMESON, Frederic (1998). “Pós-modernidade e sociedade de consumo”, in Revista Novos Estudos Cebrap. São Paulo, nº 12.
HABERMAS, Jurgen (1990). O discurso filosófico da modernidade, Publicações Dom Quixote, Lisboa

1 comentário:

Varela de Freitas disse...

Um bom texto que mostra uma boa pesquisa de fontes. Muito bem!