segunda-feira, janeiro 09, 2006

Nós, o Mundo, Cultura e Currículo...

"Hoje o mundo mudou! Já não somos seres massificados, temos o direito à nossa individualidade e assumimo-nos como entes que necessitam de conhecer o seu íntimo, a vivência consigo mesmo. Aprender a ser pressupõe estar bem consigo para que, posteriormente, o homem se assuma como um ser capaz de viver com os outros." Silva (2001) in Patrício (2001, p. 322)
"Aprender a ser, cria-se na emergência de se ser homem, concidadão e companheiro de uma comunidade de outros seres humanos, banindo os preconceitos étnico, cultural, linguístico, social ou até mesmo religioso." Silva (2001) in Patrício (2001, p. 323)
"Cultura é possuir conhecimento e "receptividade à beleza e à emoção humana", mas também desenvolver "actividade de pensamento". Whitehead (1970) in Patrício (2001, p. 27)
"O professor cultural só o é, se ajudar a "criar pensadores e não eruditos, cérebros instrumentos de conhecimento e não cérebros depósitos de erudição"; ou seja, se for capaz de contribuir para que os conhecimentos proporcionados aos alunos não fiquem neles assimilados (memorizados) como meras "ideias inertes". Coimbra (1987) in Patrício (2001)
Patrício, M.F. (2001). Escola, Aprendizagem e Criatividade. Porto: Porto Editora.

2 comentários:

IsabelDomingues disse...

Também penso que o mundo mudou... mas creio que, ao contrário do que Patrício defende, as provas que nos chegam todos os dias porta dentro via televisão, rádio, "internet", jornais...são de massificação instalada na sociedade em geral: nos gostos, nas modas, na "literatura" que é "consumida", no cinema, cada vez mais comercial, na corrida crescente ao consumo de produtos fúteis para comemorar esta ou aquela data dita "especial",...

Creio que o mundo mudou trazendo
consigo muitas possibilidades de melhoria de vida e de maiores probabilidades de enriquecimento cultural, exactamente por aquela mais valia, no entanto também penso que a velocidade vertiginosa a que essas mudanças se operaram, e continuam a operar, trouxeram um certo mal estar ao mundo, de confusão, de desorientação... e, por isso mesmo, a massificação também trouxe consigo a urgência da procura da individualidade/subjectividade, da revalorização do ser humano, ou por outras palavras, da qualidade de ser humano.

A pouco e pouco a escola foi tomando consciência desta mudança e nos tempos que correm tem vindo a verificar que urge a necessidade de criar homens e mulheres pensantes, capazes de emitir as suas próprias opiniões com o intuito de contrariar esta vaga de massificação. Neste ponto estou de acordo com Patrício.

O reconhecimento da qualidade humana por parte do homem/mulher, permite uma visão mais abrangente do sentido de cidadão, permitindo uma aceitação mais serena das diferenças culturais e por sua vez da partilha da diversidade.

O professor cultural tem que, antes de mais, ter consciência da sua individualidade e da sua acção como agente humano/social para compreender a importância de ajudar as crianças a ser futuros construtores de uma sociedade melhor, menos massificada.

AnaOliveira disse...

Isabel
Tudo o que dizes é o defendido por Patrício... Existe a massificação, mas actualmente, e a escola também contribui (ou deveria contribuir) para isso, existe a liberdade de escolha... a possibilidade de optar... e uma luta contra as visões estereotipadas e preconceituosas acerca de características pessoais e sociais. Analisando a evolução da educação e do processo de ensino-aprendizagem podemos constatar isso. Tem vindo a desvalorizar-se as reproduções de conhecimento e do modelo do professor, valorizando-se a capacidade reflexiva e criativa... Só assim, estaremos "imunes" à massificação!