
Capa do Programa do Concerto
Blog dos estudantes do curso de mestrado em Estudos da Criança (especialidades de Educação Musical e de Comunicação Visual e Expressão Plástica da Universidade do Minho) no ano lectivo de 2005-2006. Continua o anterior, dos estudantes do curso de Educação Musical de 2004-2005.
Gostaria de tecer algumas considerações sobre a profissão do professor na era em que vivemos, isto porque na aula de sexta-feira foi abordada esta questão pela segunda vez sob a perspectiva de missão e profissão. Nas duas situações não fiz qualquer observação pois ainda não consegui tomar uma posição sobre este assunto, apesar de já ter reflectido sobre ele. Talvez fosse importante definir previamente o que se entende por missão mas penso que basta referir algumas palavras que obrigatoriamente se associam à sua definição: dedicação, esforço, disponibilidade, competência para atingir um determinado objectivo…Agora surge a pergunta: até que ponto a escola actual não necessita de professores cuja actuação se defina desta forma? Foi referido o caso da escola da Ponte: será que a concretização e o sucesso deste projecto não dependeu dos professores que aí leccionavam? Certamente que sim até porque esses professores foram escolhidos, e só participaram aqueles que realmente mostraram disponibilidade e vontade para o fazer. Será que esses professores viram o seu trabalho só como profissão? Penso que não até porque, por tudo aquilo que implicava, alguns não “aguentaram” e desistiram. Talvez não devesse ser missão mas, por vezes, difere em tão poucos aspectos que é natural que seja entendida ou confundida como tal.
Para tentar clarificar um pouco as ideias resolvi investigar na Internet: utilizando as palavras “missão”, “profissão” e “professor” encontrei (para meu espanto) 28.300 documentos escritos em Português! Para já ainda só fiz uma breve leitura dos primeiros mas propunha, porque me pareceu interessante, uma leitura por parte do grupo, de alguns deles.
Para terminar gostaria de fazer uma breve referência ao livro “Mudança e Inovação na Pós-Modernidade”: apesar de só ter lido, ainda, os primeiros capítulos posso afirmar que é um dos textos mais interessantes e esclarecedores que li sobre este assunto. E que remete para uma série de outros autores e publicações que, de certeza, constituem uma excelente referência.
Achei o projecto “Internet na Escola Básica Inicial” muito interessante e, por coincidência, veio de encontro à reflexão que tenho andado a fazer com todas estas leituras e também devido a um episódio que aconteceu a semana passada numa das minhas aulas de Área Projecto, que passo a descrever: nessa aula levei os meus alunos para a sala de Informática para pesquisar na Internet sobre os temas escolhidos, nessa pesquisa apareceu um site de uma escola, também EB1, que achamos interessantíssimo pelo que a nossa vontade foi de fazer uma apresentação dos trabalhos de uma forma semelhante, ou seja, através de um site na Internet. Mas deparamos com o problema de nem eu nem o meu colega (nem nenhum dos alunos) sabermos como construir páginas na Internet. Este problema, a reflexão sobre como resolve-lo e os textos que li no Blog mostram que ser professor nos dias de hoje é um grande desafio pois a evolução tecnológica acontece tão rapidamente que tenho a sensação que basta um momento de desatenção para “perder o comboio”e ficarmos pelo caminho… Será que não é isto que está a acontecer em relação à educação? Será que a evolução da sociedade e as consequentes alterações que se dão a diferentes níveis ocorrem de uma forma tão rápida que torna quase impossível o seu acompanhamento por parte da escola? E, mesmo que houvesse uma vontade de todos os agentes intervenientes no processo será que o sistema, da forma como funciona neste momento, será passível de ser alterado num espaço de tempo tão curto? E estas perguntas trazem outro tema a discussão que é a forma como se realiza a formação/actualização dos professores. Assunto polémico e sobre ele só gostaria de deixar aqui uma ideia que defendo e, que este ano já ouvi outro colega que frequenta outro mestrado e que não conhecia, defender também: penso que os professores deveriam ter, depois de alguns anos de serviço, um ano em que fossem dispensados das aulas e que, obrigatoriamente, frequentassem um curso de actualização numa Universidade ou Instituto Politécnico. Há muita informação, fruto da investigação que continuamente se realiza, que é necessário os professores conhecerem para que depois possam modificar/adequar a sua prática na escola levando desta forma uma lufada de ar fresco que, muitas vezes, é quanto basta para que aquela escola volte a tornar válida a razão da sua existência para os seus alunos.
Antes de terminar gostaria de fazer uma referência a outro tema: o da educação através de outros meios como os de comunicação, em particular a televisão. Sobre um aspecto deste tema fiz um breve comentário no dia 12 deste mês e, só para ilustrar esse comentário refiro, como exemplo, três programas televisivos que podem ser utilizados nas aulas. O primeiro é o “Ponto Verde”, o segundo “Causas Comuns” e o terceiro “Zig Zag” (conjunto de programas infantis em que existe sempre um episódio no qual as crianças podem observar a forma como outras crianças, que vivem em países diferentes do seu, pertencentes a outras culturas, vivem o seu dia-a-dia. Penso que são óptimas oportunidades que o professor tem para trabalhar com os seus alunos utilizando um meio audiovisual que lhes é familiar e, por si só, motivador para eles.
Na pesquisa que estive a fazer sobre o tema apresentado para as próximas semanas encontrei um texto que achei bastante interessante sobre o ensino no momento histórico actual. Apesar do tema central ser “ A formação do profissional enfermeiro baseada no modelo proposto por Donald A. Schon”, a primeira parte é uma reflexão sobre a era pós-moderna abordando diversos aspectos que, a meu ver, tem todo o interesse para os professores actuais. Por isso proponho a sua leitura aqui.