sábado, outubro 01, 2005

Tópico 1 – Conceitos de currículo, cultura e competência cultural

Como o professor apreciou a aula
Relato objectivo

Mesmo antes das 14 horas mais de metade dos estudantes está na sala. Às 14 e 10 só não estão os que não virão ou virão mesmo mais tarde por estarem em aulas (um problema complexo). Ocupo os primeiros quinze minutos a tratar de assuntos relacionados com os endereços de e-mail, de como aceder ao blog, comentar ou inserir um post. Procuro que os estudantes se sentem nos memos lugares: assim, pela planta da sala que fiz, posso ir ligando os nomes às caras. Às 14 e 15 começo a primeira parte da aula: uma exposição minha, apoiada por uma apresentação em PowerPoint, sobe o tópico. Explico que podem sempre interromper e questionar-me. Haverá ao longo da exposição algumas perguntas. Quando se desviaram do tema expliquei que teríamos de deixar a sua continuação para mais tarde. Falo demasiado: descontando o tempo do diálogo terei gasto entre 30 a 40 minutos.

Depois da exposição há um intervalo de 15 minutos – tempo escrupulosamente respeitado por todos. Na segunda parte da aula formam-se oito grupos (por proximidade) que devem procurar, com base na minha exposição, nos quatro pequenos textos fornecidos (três deles na aula anterior), encontrar consenso na formulação do que entendem por currículo, cultura e competência cultural. É-lhes concedida meia hora, que depois estendo a 35 minutos. Terminado esse tempo, a ideia é que cada grupo reporte as suas conclusões e que se tente encontrar as ideias dominantes (que seriam as mais consensuais). O primeiro grupo, porém, apresenta o seu trabalho em gráfico, como um mapa conceptual, e decido rapidamente alterar a proposta inicial e solicitar aos grupos que reajam à proposta desse grupo, comentando, propondo alterações. De um modo geral todos os grupos participaram, quer dando conta das suas conclusões, quer entendendo o meu desafio e propondo alterações. Intervenho sempre que penso que devo esclarecer. O nível de diálogo (no amplo sentido de discussão, não de conversa entre duas pessoas) foi muito elevado. A sessão termina à hora marcada, mas uma estudante comenta” Podíamos continuar a discutir mais uma hora…”

Apreciação subjectiva

Depois de uma primeira aula de apresentações, nesta segunda eu tinha dois pontos a testar: o esquema que me propus seguir, que normalmente funciona bem com turmas pequenas mas que é mais problemático com turmas de 30 e mais estudantes, e a reacção dos estudantes a nível de participação. Tenho sempre um plano mas não sou escravo dele.

Este primeiro tópico da unidade é importante para que seja possível tentar que os conceitos com os quais vamos trabalhar sejam o mais possível comuns; sem deixar de fazer notar que os conceitos estão “embrulhados” em palavras, e que esse é o maior problema na sua descodificação. Penso que a minha exposição foi clara, que as questões levantadas tiveram pertinência. Penso igualmente que os grupos trabalharam bem, com produtos bem acabados (veja-se o post do grupo do Abel, que creio incluía a Alexandra, a Isabel e Liseta). A discussão foi interessante e motivadora.

Agora: é importante sublinhar a importância de clarificar ainda mais o que se deva entender por currículo. Foi muito interessante, perto já do fim da aula, o diálogo com uma estudante (a Marta? A Isabel? ainda não fixei nomes!) para a qual o currículo teria de ser um “documento escrito” (isto é, o “normativo”). Também é: mas o verdadeiro currículo está na escola, é da responsabilidade do(s) professor(es). Ela dizia que isso era muito filosófico – é necessário um esforço para aceitar que assim seja. O professor tem de assumir que é autónomo e que não há ninguém que lhe possa tirar essa autonomia; claro que tem limites, como tudo em sociedade tem limites, e é aceitável que eles existam. Mas no dia a dia, o professor tem de tomar inúmeras decisões pelas quais é responsável; e ao decidir-se por esta e não aquela leitura, por esta ou aquela forma de avaliar, ele está a moldar o currículo dos seus alunos. Os programas, as orientações, são textos, são palavras: é o professor, na aula, que dá vida aos planos e promove as aprendizagens.

Fiquei razoavelmente satisfeito com os meus dois testes. Resta este, em que escrevo: será que desta vez o blog C&C vai ser mesmo um pouquinho diferente dos anteriores, no sentido de haver mais diálogo e portanto mais aprendizagens a partir dele?
Cultura
Competência Cultural
Currículo


A ideia final da sessão da Unidade curricular Currículo e Cultura foi que estes três conceitos estão ligados entre si. O elemento que os liga será a linguagem, verbal ou não verbal, ou seja, os códigos comuns às várias culturas, resultando a inter-culturalidadde como um elemento agregador.
O currículo será tudo o que acontece na Escola, no aspecto social, económico, cultural e regional.
Assim, ele não é só um conceito definidor mas também um receptor de outros conceitos que podem vir da Cultura e da Competência cultural. Esta última poderá ser desenvolvida pelos outros dois conceitos mas não é factor determinante destes. Sendo assim Competência Cultural é o conjunto coerente de comportamentos atitudes e políticas que organizados entre si podem promover o trabalho efectivo em situações inter-culturais, desde que haja códigos que sejam comuns a essas várias culturas.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Um post do Delfim

O currículo é uma viagem, não uma estação de paragem. É um olhar constante pelo que nos rodeia sem nunca deixarmos de ter presente o nosso objectivo ou ponto de chegada, mas esse ponto de chegada é um " interface " para outra aventura, outra nuance , ou seja, para uma reforma do currículo anterior. Assim Cultura não pode ser só uma interpretação popular de algo que é só para dotados mas também não pode ser uma técnica ou um conjunto definido de algo que é comum a todos. A Cultura é o espelho de um povo ( in Delfim Peixoto, Proposta de criação de Escola Superior de Teatro em Braga , 1986,) mas será que nos podemos ver nesse espelho?Realmente o currículo escolar não é igual em todo o lado defendendo eu que o currículo do Algarve não pode ser igual ao do Minho. Tem de haver algo comum, português, mas a riqueza deste currículo será ter também algumas diferenças de lugar e de vivência ( currículo aberto). Será que caminhamos para um currículo europeu para uma cultura global? Ou, por outro lado vamos criar um currículo português que pode incorporar o Espírito Europeu?

quarta-feira, setembro 28, 2005

INFORMAÇÃO GERAL – 01


No passado fim-de-semana enviei uma mensagem por e-mail a todos os estudantes dos quais tinha o endereço (29), solicitando confirmação da recepção. Apenas fui notificado de um endereço eventualmente incorrecto (o do César), pelo que a mensagem não chegou ao destinatário, e recebi nota de recepção de apenas sete estudantes (Cláudia, Inês, Maria Jorge, Abel, António Pacheco, Delfim e Nuno). A todos estes enviei uma segunda mensagem com um texto orientador para passar a fazer parte da equipa do blog e um convite. Até agora, dois estudantes aceitaram e podem começar a participar. Se houve quem recebesse a mensagem e não esteja mencionado acima, por favor informe-me (PODE FAZÊ-LO NO COMENTÁRIO OU SE QUISER ENVIANDO UMA MENSAGEM PARA O MEU ENDEREÇO).

sexta-feira, setembro 23, 2005

Um regresso?

Começa hoje, 23 de Setembro de 2005, uma nova edição do mestrado em Estudos da Criança, especialização em Educação Musical, desta vez acompanhado de uma outra especialização, a de Comunicação Visual e Expressão Plástica. E começa precisamente com uma aula de "Currículo e Cultura". Uma vez mais - pela terceira! - iremos certamente ter um blog. Resta saber se este ou outro: a decisão terá de ser tomada ouvidos os intérpretes. Para já, se for outro, haverá aqui um link para ele.

sexta-feira, abril 15, 2005

A Casa da Música

Eu não sei se têm vindo de vez em quando ao nosso blog - mas de qualquer maneira queria reencontrá-los hoje para nos desejarmos mutuamente parabéns pela inauguração da Casa do Música. Penso que sintam o acontecimento mais do que eu, que talvez valorize o evento por motivos diferentes dos vossos. Mas todos, certamente, estamos orgulhosos por o Porto, e Portugal, passar a ter uma espectacular sala para manifestações musicais.
Alguém quer comentar, dizendo o que para si representa a Casa da Música?

quarta-feira, março 16, 2005

Fim – ou princípio?


Quando enviei a minha “mensagem final” não pensei bem que escrevia “final”. Na verdade, combináramos que poderíamos manter vivo este blog, que apesar de quase não ter “sinais vitais” ainda tem algumas visitas todas as semanas. Pois bem, agora que arrumámos as nossas contas, por que não continuar? A vossa vida está impregnada de cultura – e como tantas vezes referimos, são co-responsáveis, nas vossas escolas, pelo currículo. Gostaria que os laços não se quebrassem.

Publiquei n’A memória Flutuante um post sobre nós. Transcrevo-o aqui.

Mais sobre avaliação – desta vez, de alunos

Passei o fim-de-semana à volta dos portfolios dos meus alunos do curso de mestrado em Educação Musical, os mesmos que estiveram na génese e no desenvolvimento de um blog (Currículo & Cultura) http://curriculoecultura.blogspot.com/ , que tinha o mesmo nome da disciplina de que fui professor (do 1º semestre). Eram apenas 9 alunos, todos eles com formação no âmbito da música e todos eles ligados à docência, uns em escolas profissionais, outros em escolas de formação geral; uns com formação musical apurada, com alto padrão de exigência, outros mais vocacionados para o ensino das bases, para a aprendizagem do que é elementar.

Desde há uns anos que em cursos de mestrado enveredei por propor aos meus alunos uma avaliação por portfolio. O facto de serem poucos alunos, de termos normalmente no decurso das aulas oportunidade de dialogar e portanto de ter elementos avaliativos acerca do que cada um pensa e é capaz de expor, deixa-me margem para eliminar qualquer tipo de “exame” ou de “trabalho” específico e dar aos estudantes a oportunidade de serem mais criativos e autênticos. O portfolio surge assim como uma oportunidade de cada um revelar como compreendeu o seu percurso na disciplina, o que ela lhe revelou – ou perturbou. Sugiro sempre que cada um adicione quaisquer elementos colhidos no dia-a-dia que possam contribuir para aumentar o conhecimento na área em estudo. Aceito qualquer formato: mas nos últimos dois anos todos, praticamente, preferem o formato digital, se bem que normalmente entreguem também um exemplar em papel.

Para mim, o dia (ou dias, se forem muitos!) de análise dos portfolios é sempre um dia normalmente agradável. Ontem, para ale, de ler, fui convidado a ouvir – porque dois dos meus alunos tiveram a gentileza de incluir CDs com as suas interpretações. Foi um extra que amenizou a tarefa.

Para converter a avaliação numa classificação – que é a parte mais desagradável da tarefa docente – uso uma ficha (não gosto muito do termo “grelha”) na qual atribuo um valor, numa escala de 5 pontos, a itens como “Organização/Apresentação”, “Capacidade de enquadramento teórico”, “Juízo crítico”, “Expressão escrita”, etc. Tenho depois de interpretar o resultado e moderá-lo, ainda, com a impressão geral que tenho do aluno por toda a participação no curso (neste caso, incluindo a que foi concretizada no blog).

É um processo essencialmente qualitativo, não o escondo, potencialmente gerador de algum germe de injustiça; mas, para mim, muito mais confortável do que um outro qualquer que sujeitasse os estudantes a uma prova tipo exame, a qual pode proporcionar também germes de injustiça.

Terminada a tarefa deste fim-de-semana, vou deixar passar mais um ou dois dias, rever as minhas fichas e ponderar se os resultados a que cheguei devem ser os definitivos. Terminada essa tarefa, enviarei a cada um dos meus alunos, por e-mail, cópia da ficha com o resultado e a classificação.

Uma reflexão final: se o número de alunos fosse muito grande, este tipo de avaliação-classificação não seria possível.

terça-feira, março 08, 2005

De que forma a escola aborda o factor multiculturalidade

Inicialmente esta reflexão era para ser realizada nas escolas onde leccionamos, no presente ano lectivo.
Numa das escolas, como não existem alunos de outras nacionalidades, não foi possível dar continuidade ao trabalho, apesar de ser ter consultado o Projecto Educativo verificando-se que este não contempla tais situações.
Na outra escola existem diversos alunos provenientes de diversos países tais como, Ucrânia, Rússia e França, assim como, da etnia cigana.
Apesar do Projecto Educativo estar a ser reformulado, resolvemos consultar o que ainda se encontra em vigor e verificamos uma situação identifica à primeira escola. Posteriormente, em conversa com a Presidente do Conselho Executivo, soubemos que esses alunos têm dois tipos de apoio distintos: o primeiro, que está contemplado na lei para todos os alunos com dificuldades, são medidas adoptadas pelo conselho de turma e mencionadas no Projecto Curricular de Turma, como por exemplo aulas de Apoio Pedagógico Acrescido, Apoio Individualizado na sala de aula, entre outros; em relação ao segundo tipo de apoio, a escola permite que os alunos de etnia cigana usem as suas instalações para a sua higiene pessoal, uma vez que vivem em situações precárias.
A escola também se preocupou em se adaptar ao "tipo" de vida que os alunos de etnia cigana têm e possibilitou a transferência para uma turma da tarde, de um desses alunos, que estava com o horário da manhã, uma vez que este faltava na maior parte das vezes às primeiras aulas, dando como justificação a ocupação profissional dos pais que o impossibilidade de se deitar cedo.
Contudo, esta alteração proporcionada pela escola não foi aproveitada pelo aluno, já que este continuou a faltar e além disso, começou a provocar distúrbios para a qual foi transferido.
Perante esta situação podemos questionar até que ponto a escola tem que ter em atenção as diferenças culturais dos alunos quando estas implicam alterações no seu funcionamento.
Quanto ao caso dos alunos de outras nacionalidades, em que a língua é distinta, também se questiona a lei em vigor pois são integrados numa turma, frequentando todas as disciplinas como os seus colegas, não percebendo na maior parte das vezes as actividades propostas, uma vez que não dominam a língua portuguesa.
Não seria mais proveitoso serem dispensados de algumas disciplinas por algum tempo e a sua formação incidir sobre a aprendizagem da língua portuguesa?
Pensamos que assim, quando passassem a frequentar as outras disciplinas, o seu aproveitamento seria muito mais rentável.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Um blog com interesse

Numa das minhas navegações deparei com o blogue Educação Comunitária, que penso tem interesse em ser visitado. Muitas das suas preocupações são certamente partilhadas por vós (por nós...)

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Um novo blog...

Depois de algumas hesitações, decidi começar a publicar um blog pessoal, logo, não integrado em qualquer disciplina da Universidade... Intitulei-o A Memória Flutuante. Se o quiserem visitar, acedam "clicando" no título...

Aprender com a diversidade

Acaba de me chegar às mãos um pequeno volume intitulado Aprender com a Diversidade. Um Guia para o Desenvolvimento da Escola, que é acompanhado por um DVD (Nós... na Escola). É uma publicação patrocinada pelo Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) e pelo Departamento de Educação Básica (já não existe, neste momento) do Ministério da Educação. Penso, por isso, que deve ser enviado rotineiramente às escolas e por isso dou já a informação, mesmo antes de o ver com cuidado. Mas os nomes que constam como mentores e/ou responsáveis pelo projecto são crédito suficiente para desde já poder dizer-vos que vale a pena tê-lo em atenção: refiro como exemplo Mel Ainscow , do Departamento Educational Support and Inclusion da Universidade de Manchester, que tem trabalhado de perto com a grande responsável pelo projecto, e a Drª Ana Maria Bénard da Costa, que foi directora de serviços do Instituto de Inovação Educacional e que tem dedicado a sua vida ao problema das crianças com dificuldades de aprendizagem. O DVD centra-se na realidade de duas escolas básicas, a 1, nº 2, de Pinhal Novo, e a 2,3 de Luís de Sttau Monteiro de Loures.

quinta-feira, dezembro 30, 2004

De fugida...

Antes de outro assunto, gostaria de agradecer e retribuir os votos de Bom Natal e Ano Novo. Infelizmente, por motivos de trabalho, tive que reduzir praticamente a zero as visitas ao blog. É muito complicado ser trabalhador-estudante! É nestas alturas que penso que realmente a "duração" do tempo é muito relativa... em determinadas situações um minuto parece que nunca mais passa e noutras passa-se exactamente o contrário. E estes pensamentos levam-me, como não podia deixar de ser, a pensar na minha profissão, nas aulas, na sua duração, e levantar questões polémicas como, por exemplo, qual a duração ideal para uma aula (ainda há pouco tempo ouvi professores a defender que as aulas de 90 m não eram adequadas para determinados alunos que, ao fim de 45m já não conseguem fazer mais nada e só perturbam o trabalho dos outros) ou então a redução, a meu ver, drástica que se verificou na carga horária semanal da disciplina de Educação Musical (pois não foi só a redução do tempo efectivo da aula mas também a frequência semanal destas aulas). Como se pode obter bons resultados ao trabalhar com alunos que só vemos uma vez por semana? E isto, se tudo correr bem… porque se existirem dois feriados ou actividades que coincidam com o dia das aulas em duas semanas seguidas fica sem os ver quase um mês!
Bem, mas não foi para abordar estas questões que resolvi participar hoje no blog. Aliás esta participação deveria ter como objectivo apresentar o trabalho pedido mas realmente ainda não foi possível. Acontece que, inicialmente, era uma “visita”, mas depois de ler as intervenções não pude deixar de escrever um agradecimento e dizer que também fiquei horrorizada com as imagens que vi (só ontem) sobre a catástrofe, e deixar um pensamento: só é pena que os homens se unam, da maneira como se tem verificado, perante acontecimentos tão dramáticos como este. Como o mundo seria diferente se esta onda de solidariedade existisse sempre que dela houvesse necessidade!

Que o alvorecer de 2005 seja menos ameaçador... Bom Ano Novo! Posted by Hello

quinta-feira, dezembro 23, 2004


Feliz Natal! Um excelente 2005! Posted by Hello

domingo, dezembro 12, 2004


Capa do Programa do Concerto Posted by Hello

Concerto do Natal

Foi um acto de cultura o que fizeram na sexta-feira: por isso eu disse que mereceriam créditos extra... Parabéns.

Um comentário

Como habitualmente não "visitam" comentários, insiro aqui um que foi inserido no último "post" da Assunção, proveniente de A. Coelho:

Encontrar este blog foi uma forma de encontrar textos teóricos que suportam muita da minha prática docente e ainda mais aquilo que vou reflectindo sobre a escola. Considero mesmo que é essencial que os professores tenham uma perspectiva consolidada da pós-modernidade, pois é uma realidade com que temos de viver.Agradeço a menção ao meu blog, pois de facto aquilo que me preocupa é o paradigma da pós-modernidade.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Mais sobre TIC

Era uso, há uns dez, quinze anos, falar-se em “novas tecnologias” a propósito do uso de computadores. Hoje, é menos natural porque de “novas” têm já pouco… envelheceram. Daí o acrónimo TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação), tradução de ICT (Information and Communication Technologies).

A educação sempre necessitou de tecnologias de comunicação: afinal, quando um professor se dirige aos seus alunos usa uma tecnologia simples, sempre pronta, a fala… Quando escreve, seja numa ardósia, numa transparência de retroprojector ou numa apresentação em PowerPoint usa tecnologias diversas de escrita. A rádio, a televisão, foram e são ainda tecnologias educacionalmente importantes.

Mas na verdade só com a era digital se deu uma revolução sem paralelo, uma revolução continuada, em que de dia para dia surgem novos aperfeiçoamentos.

Eu costumo dizer que a escola foi capaz de ignorar tecnologias importantes, que prometeram muito e foram muito ignoradas (caso da televisão, que apesar de ter sido e ainda ser utilizada nunca foi devidamente explorada), mas não vai ser capaz de ignorar os computadores.

Muitas vezes, penso que a maior parte dos professores ainda não se deu conta desta mudança fundamental no que diz respeito à informação e na escola continua a pensar que a sua função é apenas transmitir conhecimentos. Ora (e isso foi dito pela Sara) uma criança chega hoje à escola com mais conhecimentos do que no passado, dada a exposição que tem à informação com que é bombardeada todos os dias. Claro que o currículo escolar prevê – normalmente – um conjunto de matérias que podem estar fora desses conhecimentos e que podem ser necessários para a formação dos alunos.

Mas o importante é que o ambiente mudou: ontem, os alunos iam para a escola e viam no professor aquele que sabia; hoje, eles têm dúzias de “professores”.

A mudança implica, portanto, que a escola se acomode (no bom sentido) ao tal novo ambiente e use a sua influência num campo essencial: a aquisição da informação e a sua transformação em conhecimento. Estarão os professores preparados para isso? Na verdade, a maioria não está – e não só aqui em Portugal. Mesmo nos Estados Unidos, onde o convívio com os computadores já existia em pleno nos anos 80 do século passado, ainda há muitas resistências e muito ensino tradicional.

Mas já existem muitas experiências interessantes. Aconselho-os a visitar o site do Nónio onde poderão “navegar” e ter uma ideia do que se vai fazendo nas nossas escolas.

Bom, amanhã continuaremos a nossa conversa ao vivo…

O uso das novas tecnologias

Antes de abordar o tema principal deste comentário gostaria de dizer que a questão que levantei na minha outra intervenção é, para mim, difícil; como referi, é um assunto no qual continuarei a reflectir, tomando nota, sempre que disso tiver oportunidade, de diferentes opiniões. Muitas vezes argumentamos tendo em conta determinadas vivências e conhecimento mas é no confronto com outras ideias e outros conhecimentos que adquirimos novos dados que nos obrigam a novas reflexões.
Mas a minha participação hoje tem a ver com o post da Isabel sobre o uso das TIC: concordo totalmente que estas tecnologias permitem um acesso à informação de uma forma surpreendente. E, da forma como as instituições se tem preocupado com este assunto, mesmo aquelas pessoas que não possuem computador em casa tem possibilidade de consultar a Internet em outros locais. Portanto, penso que não é neste ponto que existem problemas. Os problemas, a meu ver, encontram-se na nova forma de alfabetização que essas tecnologias realmente exigem e no facto de que não chega ter a informação disponível para que se tenha o conhecimento (como foi referido pelo Sr. Professor). Posso ilustrar a minha opinião relatando o que se tem passado nas aulas de Área Projecto pois o facto de, este ano, ter cinco turmas dá-me possibilidade de reflectir e tirar algumas conclusões desta prática.
Quando chegámos à fase de recolha de informação sobre os subtemas que os diferentes grupos tinham escolhido, a vontade demonstrada por eles foi a de pesquisar na Internet. À questão colocada por mim se sabiam como fazer essa pesquisa, se já tinham utilizado esse recurso, a maior parte dos alunos respondeu, convictamente, que sim. Só que o seu saber resumia-se a ligar o computador e pouco mais… Constatei que esse saber é muito mecanizado, não é “pensado”, “reflectido”: ao menor contratempo já não sabem como proceder. Outro problema que surgiu, mais grave do que o anterior, tem a ver com a ideia que os alunos fazem da Internet e de como se realiza o processo de recolha e tratamento dos dados recolhidos. A primeira ideia é que a Internet é um local onde podem encontrar informação, depois de a encontrar basta imprimir e o trabalho está feito. A maior parte das vezes nem sequer sabem do que se trata porque o texto é de leitura difícil ou então nem o tentaram ler! Posso dizer que não está a ser fácil o tratamento da informação principalmente devido à relutância demonstrada na leitura dos documentos obtidos. Aliás, depois de uma primeira visita à sala de Informática tivemos que fazer uma nova pesquisa, depois de algumas aulas de reflexão sobre a forma como tudo se tinha processado.
Penso que este caso demonstra bem a necessidade que existe de “formar os alunos para uma assimilação crítica da informação” como é referido pela Sara.
E para os professores que estão pouco receptivos ao uso das novas tecnologias será cada vez mais difícil familiarizarem-se com elas pois o seu desenvolvimento é constante. É um pouco o que acontece com este blog: nas primeiras semanas, por razões de trabalho, não me foi possível ler os comentários que aí apareceram. Quando acedi, para perceber os mais recentes tive que fazer uma leitura de todos os outros, começando logo pelo primeiro. E,neste momento, é necessário uma “visita” regular para não perder a “pedalada”. Penso que, da mesma forma, quanto mais tempo os professores demorarem a usar (seja nas aulas ou em qualquer outra situação) as novas tecnologias, mais difícil será apropriarem-se do conhecimento e das técnicas necessárias (referidas pelo Sr. Professor) para delas tirarem partido. E, como acredito que o caminho para o futuro passa, obrigatoriamente, pelo desenvolvimento dessas novas tecnologias, atitudes pouco receptivas ou de recusa em o aceitar não deverão ser tomadas por alguém que tem um papel importante na formação dos adultos do amanhã.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Currículo, Cultura, TIC…

No seu último post, a Isabel demonstra como o blog pode funcionar como instrumento de aprendizagem – levantada uma ponta (neste caso pela Dalila) encontra-se outra ponta e de repente estamos noutro tema, sempre ou quase sempre interessante. Há pouco interroguei-me sobre se estaríamos ou não a aceitar desvios, não propriamente ao programa (como sabem, o “programa” – no sentido dos syllabuses dos anglo-saxónicos – era meia dúzia de tópicos) mas ao nosso compromisso de discutir cultura e currículo. Não estamos, na verdade.

A incursão que a Isabel faz no domínio das TIC (tecnologias da informação e comunicação) poderá ser discutida no amplo debate sobre a escola pós-moderna.

As TIC proporcionam, a um expoente inimaginável há apenas uns anos, uma informação completíssima sem praticamente barreiras de acesso. Estamos, todos os dias, a verificá-lo. Simplesmente, ter a informação não é ter o conhecimento. Umberto Eco (vejam aqui a sua biografia) no seu livro Como se faz uma tese em ciências humanas chama a atenção, com a ironia que o caracteriza, para a tendência que muitos estudantes (e não só estudantes…) têm de fazer imensas fotocópias de livros, artigos, na ilusão de que tendo as fotocópias têm o conhecimento do que nelas existe, o que é evidentemente falso. Ao possuir a fotocópia armazenámos informação, mas o conhecimento exige o tratamento dessa informação.

Pode argumentar-se que mesmo sem TIC o problema era o mesmo. Que vale ter uma biblioteca de 20 000 volumes se não forem lidos? É verdade, mas o que está em causa é a acessibilidade. E é sobre este aspecto que gostaria de dizer à Isabel que embora num primeiro momento possa parecer que esta nova sociedade de informação favorecerá apenas uma elite, que por mais rica pode aceder aos seus benefícios, mais tarde ela expandir-se-á a todos, pelo embaratecimento do hardware. Um dia virá em que computadores poderosos poderão ser vendidos a muito baixo preço. Claro que isso não chega, mas a educação ajudará.

Por isso os professores não podem alhear-se do valor das TIC e devem apropriar-se dos conhecimentos e das técnicas necessárias para delas tirarem partido nas suas aulas. Esta tendência actual constitui parte integrante da cultura que estamos a construir. Ou não?