segunda-feira, outubro 24, 2005

Música ao entardecer...aqui, na UM

Após várias exposições e comentários sobre competência cultural, apoios estatais e dinamismo das escolas resolvi, hoje, Domingo ir assistir a um concerto apoiado pela UM - IEC, organizado pelo mestrado em Educação Musical,2005/06, no Salão Medieval do Largo do Paço, às 18.00horas ( cheguei um pouco atrasado) onde tocaram um violinista, bracarense e ( para nosso orgulho ) filho de dois dos nossos professores, ( Doutora Elisa Lessa e Dr. Manuel simões), um violoncelista Lisboeta (pelo que li no programa ) e um pianista estrangeiro. Todos eles alunos na Holanda, jovens, mas com um " savoir-faire " que me sensibilizou.
Àparte este interlúdio, reparei que havia, na assistência, pessoas de várias idades, desde bebés a gente menos nova, mas todos com uma sensação de êxtase.
Estiveram presentes o Digníssimo Reitor da Universidade, o Director do IEC, entre outros, e reparei que a sala estava completamete cheia.
Depois de escutar o trio, ( ver programa na pág.http://www.iec.uminho.pt), fiquei com a sensação de que realmente foi um entardecer sereno, em boa companhia, ideal para servir como alavanca para uma semana de trabalho!
Depois do concerto ouvi dizer : " realmente, seria bom haver todos os domingos um entardecer assim..."
Parabéns UM, IEC, Doutora Elisa Lessa.
E assim, naturalmente, cumpriram-se três conceitos de currículo ( tudo o que acontece na escola; desenvolvimento das nossas competências culturais; Escola Aberta).
Afinal, estamos no caminho certo!

quinta-feira, outubro 20, 2005

O que se passa no mundo dos blogs em educação


Hoje de manhã (era 1 da tarde aí em Portugal) participei na primeira de uma pequena série de actividades sobre blogs. Numa mesa redonda (em que éramos 9) Shelley Henson, da Utah State University, e Kami Hanson, da Weber State University, apresentaram os resultados de uma experiência de leccionação numa classe de educação para a saúde através de um blog. Tive ocasião de dar a conhecer o que estamos a fazer no “Currículo & Cultura”, e de trocar impressões com colegas de outras universidades norte-americanas. Darei naturalmente relevo posterior a estes contactos no futuro. Mas estamos no bom caminho! O tema da mesa redonda era “Blog enabled peer-to-peer learning environments”.

Bom trabalho!

terça-feira, outubro 18, 2005

Que cultura queremos na escola?

" A escola não transmite toda a cultura considerada útil, mas apenas a cultura considerada digna e que assim acabará por vir a ser considerada a única socialmente válida ", Formosinho ( 1983, p. 3 ).

Destas palavras poderemos depreender que é a escola que transmite cultura ou a sociedade que dita a cultura que a escola deve transmitir?
A escola poderá ser inovadora na criação de novas culturas, ou ir beber de outras o que de melhor elas oferecem?
A sociedade estará realmente interessada em saber ou desenvolver qualquer tipo de cultura nas escolas?

O " poder de impor ( e até de inculcar ) instrumentos de conhecimento e de representação da realidade social ( taxinomias ) , que são arbitrários mas não reconhecidos como tal "são, definidos por Bourdieu ( 1982, p. 104) como " violência simbólica".

Reflectindo nestes princípios será a escola realmente uma fonte ou um receptáculo da cultura que envolve a sociedade?
Estarão, hoje, os intervenientes escolares abertos a este " boomerang"?



sexta-feira, outubro 14, 2005

Acabaram-se os comentários espúrios...

Depois de haver acordo (total?) na aula de hoje, o nosso blog deixou de ser comentado por anónimos, o que certamente nos livrará daqueles textos mais ou menos idiotas. Gostaria de dizer que continuamos abertos a participações de amigo(a)s que desejem ajudar a nossa reflexão, mas com a sua própria identidade.

A Teoria das Inteligências Múltiplas de H. Gardner

  1. Inteligência Linguística
  2. Inteligência Logico-Matemática
  3. Inteligência Musical
  4. Inteligência Espacial
  5. Inteligência Corporal-cinetésica
  6. Inteligência interpessoal
  7. Inteligência intrapessoal

(8. Inteligência do Naturalista )

De facto, se interpretarmos estas sete (8) definições no nosso currículo reparamos que todas as áreas disciplinares estão aqui representadas, (Letras, Ciências, Artes, Desporto, acabando nas novas áreas relacionadas com o desenvolvimento do aluno como Ser Social ).

Dos textos estudados podemos aferir, através da experiência de Linda Campbell ( Projecto da Lição; Unidades interdisciplinares; Projectos dos alunos; Avaliação; Aplicação das Aprendizagens ) que os alunos são ajudados a aprender FAZENDO, identificando e avaliando o mundo circundante que para eles será o maior estímulo para a Aprendizagem.

Na minha opinião tudo o que atrás é descrito pode ser aplicado no desenvovimento curricular das nossas escolas, presumindo até que em algumas, mesmo desconhecendo esta teoria, os professores e comunidade educativa a aplicarão . Ou estarei enganado?

Se repararmos nas nossas novas ( recentes) alterações do Currículo por Áreas não sentiremos alguns paralelismos?

Quanto à Avaliação, não vemos a diferença entre os níveis 1 a 5 ou S NS SB?

quinta-feira, outubro 13, 2005

Correcção ao post “O Eclipse de 3 de Outubro… Reflexão sobre Cultura e Competência Cultural.”

No passado dia 3 de Outubro, fiz um post sobre o acontecimento do Eclipse Anular do Sol e a movimentação que houve por parte de vários sectores da sociedade portuguesa, de modo a informar e levar as pessoas a participar na sua observação. Relacionei este acontecimento ao conceito de Competência Cultural.

Publico então a correcção a esse post.

Alguém que perpetua a sua cultura na “sua sociedade” não é alguém com competência cultural. Competência cultural é acolher as diferentes culturas, não as desintegrando, ou seja, aceitar as diferenças e viver em conjunto.

Conceito de competência cultural:
“Conjunto congruente de comportamentos, atitudes e políticas que operam num sistema e que permite que esse sistema se organize de modo a trabalhar efectivamente em situações inter-culturais”
( Cross, Bazron, Dennis, and Isaacs, 1989).

quarta-feira, outubro 12, 2005

Abordagem ao projecto na escola e no currículo

O conceito de projecto foi introduzido na linguagem e no contexto educativo no início do século XX nos estados Unidos da América, tendo como referência o pensamento de John Dewey(1859-1952), a partir do movimento de educação progressista que se verificou. A educação assentava na experiência e na ideia de uma pedgogia aberta em que o aluno é o actor da sua própria formação através de aprendizagens concretas e significativas. Estamos presentes de uma perspectiva construtivista, sócio-interaccionista, que valoriza e estimula a criança a ser o sujeito da acção. Aprender não é só receber uma certa informação e saber repeti-la; é preciso saber interpretá-la e ser capaz de a relacionar com outros conhecimentos, num processo dinâmico de construção e reconstrução.
Em 1897 no seu «Credo Pedagógico», Dewey escreveu: «A educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura. A escola deve representar vida presente - tão real e vital para a criança como aquela que ela vive em casa, no bairro, ou no pátio».
É, naturalmente, a fazer que se aprende a fazer e a vida faz sentido a partir de acções que se realizam com base em objectivos significativos para as pessoas, no seu ambiente social, familiar, económico e cultural. Haverá, então, melhor preparação para vida do que desenvolver na escola, sob a orientação devida, a prática de conceber e executar projectos significativos?
Até aos anos 70, o conceito de projecto não desempenhou um papel relevante na escola. Foi a partir da década de 80 que o projecto reapareceu no primeiro plano das ideias e preocupações educativas. Eis algumas das razões: «reacção contra o insucesso da pedagogia por objectivos» (Boutinet), que dominou durante sa décadas de 60 e 70; e a emergência da formação de adultos, na qual era mais evidente a necessidade de negociar projectos.
No trabalho de projecto há um conjunto de aspectos pedagógicos importantes:
1º- o projecto diz respeito a um problema específico; Cristopher Ormell em 1992 escreveu: «um problema que os alunos gostariam de resolver, (...) sobre o qual podem falar com amigos, (...) do qual de facto valha apena falar».
2º- faz uma abordagem interdisciplinar de uma situação, mobiliza e adquire novos conhecimentos e, ainda, o aspecto cooperativo é um factor importante para a sua realização.
Esta pequena abordagem vem a propósito, depois da aula de grupo do dia 30 de Setembro, em que o meu grupo constituído, ainda, pelo Delfim e por duas colegas que não sei o nome (peço desculpa), definiram currículo como tudo o que acontece na escola de acordo com um projecto próprio tendo em conta os aspectos sócio-económicos, geográficos, políticos e culturais.
Parece-me que esta definição antevia, um pouco , o que se iria passar ( e passou) na aula seguinte sobre o tópico: Manifestações culturais e a sua tradução no currículo escolar.
Por outro lado, hoje, fala-se em Projecto Educativo, Projecto Curricular de Escola, Projecto Curricular de Turma, etc. Também no currículo do ensino básico, o trabalho de projecto tem um papel relevante nas experiências de aprendizagens.
Bibliografia:
Ministério da Educação Departamento da Educação Básica, Reorganização Curricular do Ensino Básico - Novas Áreas Curriculares , Lisboa, 2002.

terça-feira, outubro 11, 2005

Desenvolvimento do Currículo através de manifestações culturais

Aceitando o convite formulado pelo Senhor Professor Varela vou dar um testemunho pessoal e profissional:
1.Na Escola E.B. 2/3 de Real - Braga, tendo os professores de Educação Musical concluído que a Música regional estava a perder algum peso, aliado à vontade dos alunos quererem recuperar esse património, a Escola decidiu, através de " Oferta de escola" incluir a " Música Popular da Região do Minho", no Sexto ano. Fizemos pesquisas de grupos de Zés-Pereiras, de "Rusgas", de Ranchos Folclóricos, de compositores bracarenses, de construtores de instrumentos.
Realizamos visitas de estudo a vários construtores de instrumentos , para os alunos do sexto ano.
A partir destas actividades criamos um pequeno ateliê de aprendizagem de instrumentos musicais populares como o Cavaquinho, viola ( guitarra ), criou-se um grupo ( REALZÉS )de percussão que esteve presente na abertura de um jogo do Euro2004.
2.Outro exemplo: sendo a Escola muito próxima do Museu dos Biscainhos realizou o Grupo de História e Ed. Musical uma " Partita do sec. XVIII", com dramatização de textos e reprodução de músicas da época, além de termos saboreado os " doces conventuais ". Os alunos participaram com um nível elevado de interesse e entusiamo, pedindo cada vez mais aos seus professores para realizarem eventos destes e...."fora da escola".
Actualmente, como resultado destas participações está a ser criado um atelier de Produção de espectáculo desde o Teatro, Música, cenografia, entre outros, onde os alunos podem aplicar os conhecimentos abordados nas várias disciplinas.
3. Outro exemplo, tendo a esola sido escolhida ( convidada) a aceitar uma turma ao abrigo do PIEF, PEETI ( luta contra a exploração e pela eliminação do trabalho infantil) alguns professores voluntariaram-se ( eu também) para leccionar algumas disciplinas a uma Turma de uma cultura minoritária ( etnia cigana ). No meu caso pessoal por ter já trabalhado com estas situações e alguns outros pelo desafio que seria criar um currículo novo a partir da cultura cigana, com o objectivo de desenvolver nos alunos e nos próprios professores uma efectiva competência cultural.
Sendo assim, para concluir, penso que a Escola denota uma superior abertura ao meio, às várias culturas que ela integra, procurando também ir beber nessas culturas uma forma de eliminar o abandono escolar, favorecendo a integração.
O único factor negativo destas propostas tem sido realmente o novo sistema de ocupação dos professores (substituições) que começa a criar algumas brechas nos objectivos propostos a partida.
Não sei se seria exemplos destes que o Professor pretendia mas acho que devo partilhar estas experiências com todos, achando que neste pequenino espaço não caberá o entusiasmo que a escola vive sobre estes Projectos.

Um post da Sofia

Após a terceira aula de Currículo e Cultura no dia 7 de outubro de 2005, fiquei elucidada em relação à definição de Currículo e de Competência Cultural. Assim, começo por dizer que o currículo é um esboço estruturado, a partirde uma realidade social, histórica e cultural, onde os intervenientes participam, transformam e trocam mutuamente conhecimentos, capacidades, experiências e vivências. Ainda defino o currículo como um projecto de formação participativo entre o ensino/aprendizagem e o reconhecimento da hierarquia, do tempo, da mudança e da interdependência, sem esquecer o desenvolvimento global e contínuo do indivíduo. Como síntese, digo que o currículo deve ser redesenhado a partir do interior do indivíduo, dentro e fora da escola. É nele que estão planificados os processos que se vão desenvolvendo ao longo do tempo, com sucessivas reflexões, por causa das mudanças e dos acordos que se vão fazendo quase diariamente.
De seguida, apresento a minha definição de Competência Cultural.
A Competência Cultural corresponde á aceitação, ao respeito e ao acolhimento das múltiplas culturas, pela troca de informação. É a maneira inteligente de agir face à diversidade, para posteriormente formar estruturas capazes de compreender os sistemas culturais existentes na Humanidade. Só neste sentido é que a formação cultural fomenta o desenvolvimento do indivíduo, isto se houver integração entre o exterior e o interior daescola.
O dilema da diferença nas escolas: RESPEITAR OU ANULAR?
Nesta aula, ainda falamos do paradoxo que existe nas escolas em relação, aos alunos, à diferença e à igualdade de direitos. Assim, e através deste texto, procuro falar do respeito e da flexibilidade entre professores e alunos. Segundo a minha opinião, é preciso que a escola esteja organizada no sentido dos professores direccionarem os diversos saberes e interesses dos alunos em significados úteis, capazes de formar cidadãos conscientes, activos, participativos e críticos na sociedade presente e futura.
"O papel que a escola de hoje desempenha é determinante na constituição de novas mentalidades: mais abertas, mais dialogantes, mas que olham a cultura de frente e percebem que a vida se constroí com raízes no passado e olhos postos no futuro (Núcleo de Apoio Pedagógico de Ponte deLima)".
Para que isto possa acontecer, algumas crianças deviam ser conduzidas por caminhos diferentes, que oferecessem respostas à própria formação, e assim serem capazes de formar a sua identidade, a partir do contexto social ecultural onde estão inseridos. Daí, pensar o quão importante é a introdução da cultura local na escola, ou seja, no currículo escolar, através da participação e da troca de informação/saberes de todos os intervenientes, como enriquecimento, aprofundamento e valorização, do indivíduo. No fundo, penso que a formação do indivíduo pela aceitação da diferença é a mais correcta e a que terá maior número de sucesso, uma vez que os alunos diferem quanto à diversidade cultural, social e económica, nos modos de aprendizagem e na estrutura pessoal.
Sofia Raquel Dourado da Torre
(Publicado a pedido da Sofia)

domingo, outubro 09, 2005

Tópico 2 – Manifestações culturais e sua tradução no currículo escolar


Como o professor apreciou a aula

Relato objectivo
Esta sessão diferiu da anterior porque há mais tempo reservado para o trabalho dos grupos (todo o tempo da próxima sexta-feira). Por isso planeei a minha intervenção com mais alguma folga, fazendo chegar com antecipação aos estudantes, via e-mail, dois textos de suporte.

Tive a surpresa de saber que ia contar com mais uma aluna, e por outro lado estiveram na aula três novos estudantes. O número total eleva-se assim a 36, o que para um mestrado é exagerado. Nos primeiros vinte minutos acertámos aspectos relacionados com o blog e distribuí um mapa resumo com as intervenções feitas; 37,5% do total dos estudantes colaboraram.

A intervenção, apoiada por uma apresentação em PowerPoint, diferiu da da primeira sessão por ter sido muito mais participada, com muitas intervenções dos estudantes. Quando foi tempo de intervalo ainda havia muito tópico para explorar, pelo que na segunda parte da aula toda ela foi praticamente preenchida com o resto da intervenção, sempre com muita participação dos estudantes.

Apreciação subjectiva
É sempre muito gratificante para um professor ter uma audiência reactiva, ou seja, que intervenha sempre que julgue que uma afirmação feita merece um comentário ou que simplesmente procure ser mais bem informada. Na explanação de tópicos que são, muitas vezes, naturalmente controversos, espero sempre que exista diálogo. Ora nesta turma não vai faltar diálogo! E ainda bem. Há no entanto dois escolhos a evitar. Um, muito próprio de audiências onde predominam professores, é introduzir na discussão as limitações que eventualmente tenham na sua escola ou conheçam de outras. Se bem que por vezes essas situações possam ser na verdade contextualizadas em relação ao tema que está em causa, a sua generalização transforma-se rapidamente numa espécie de “muro de lamentações” que raramente nos conduz a discussões proveitosas. O outro escolho é poder-se cair na banalização do que se discute, o tal cair na “conversa de café” com que me preocupei logo no primeiro dia. Creio que se em relação ao primeiro escolho já tivemos um ou dois exemplos, em relação ao segundo temos conseguido evitá-lo.

No meu plano de hoje, tinha deixado em aberto a possibilidade de haver trabalho de grupo, em especial de comentário ao que tinha sido publicado no blog; mas não tinha a certeza que fosse possível. De facto não foi.

Retenho desta terceira aula um muito bom nível de participação dos estudantes, que me parecem interessados (ou pelo menos, não aborrecidos…); a necessidade de voltar por alguns momentos à avaliação por portfolio; e, em especial, acompanhar bastante a produção no blog, se ela se vier a confirmar como espero.

Continuo satisfeito.

sábado, outubro 08, 2005

4 definições de Currículo

1. " conjunto de todas as experiências que o aluno adquire, sob a orientação da escola" (Foshay,1969:275 ).
2. "engloba todas as experiências de aprendizagem proporcionadas pela escola" ( Saylor, 1966:5).
3. " modelo organizado do programa educacional da escola e descreve a matéria, o método e a ordem do ensino - o que, como e quando se ensina" ( Phenix,1958:57 ).
4. " série estruturada de resultados de aprendizagem que se têm em vista. O currículo prescreve ( ou, pelo menos, antecipa) os resultados do ensino; não prescreve os meios" ( Johnson, 1977:6)

Definitivamente, as duas primeiras vêm ao encontro da ideia do professor Varela ( que eu corroboro), quando diz que Currículo " ...é tudo o que acontece na escola ".

Penso só que deveremos ter em conta os " três conceitos gerais "de Currículo: Formal, informal e oculto .
Mesmo no currículo escolar estes três conceitos estarão bem presentes.



Me Deixe Aprender

Me deixe falar
Eu quero dizer
Estou neste mundo
Preciso aprender

Não me ponha limite
Mas abra os caminhos
Necessito crescer
Sair do meu ninho

E não é por querer sair
Que vou esquecer quem sou
Eu tenho raiz
Mas por outra vereda vou

E respeitar meu amigo
Que mora ao lado
Talvez não entenda sua língua
Mas através de sinais
Identificar teu afago

E por favor
Me deixe falar
Eu quero dizer
Estou neste mundo
Preciso Aprender...

sexta-feira, outubro 07, 2005

comentário sobre currículo, cultura e competência cultural

Não podemos dissociar os termos/conceitos de currículo, cultura e competência cultural uma vez que estão interligados e complementam-se.

O ritmo acelerado do desenvolvimento e das diferentes culturas influenciam todos os sectores da sociedade, incluindo, naturalmente, o sistema educativo. No dizer de Freitas (1998, p.72) “tal como o país, a educação mudou. O sentido dessa mudança parece claramente positivo”. Constatamos deste modo a necessidade de aproximar a escola das diferentes culturas (e respectivas “formas” de cultura) incutindo em todos os intervenientes uma maior e melhor competência cultural. Este é um dos objectivos do sistema educativo português traduzido no actual currículo do Ensino Básico.

O currículo deverá deste modo ser entendido e trabalhado tendo em conta a diversidade dos alunos, recorrendo-se a práticas que permitam e facilitem o intercâmbio de saberes. A este respeito Leite (1996) refere que o desenvolvimento do currículo, atendendo a um contexto multicultural, terá como base a centralidade no aluno(s), cuja estrutura parte das experiências vividas pelos mesmos, estimulando, favorecendo e valorizando a construção participada do saber, do espírito crítico, do debate de ideias e do respeito pelo outro.

A escola é um espaço privilegiado de aproximação entre a “cultura do meio” e a “cultura escolar”. Segundo Pacheco (2000, p.17) “trata-se de legitimar curricularmente a cultura popular do quotidiano dos alunos, dos seus saberes, dos seus contextos e dos seus problemas sociais”.Segundo Correia (2000) reforça esta ideia dizendo que é importante não só conhecer o aluno mas também os seus ambientes de aprendizagem. Falar de diversidade é falar de adequação pedagógica e, consequentemente, de adequação curricular que permita ter em conta as características e necessidades dos alunos e respectivos ambientes de aprendizagem, construindo o plano curricular na perspectiva da motivação, responsabilização e sucesso escolar.
A este respeito refere Freitas (1998, p.65) “ Em termos de Organização curricular, e assumindo que Curriculum não é apenas o conjunto das disciplinas leccionado na escola, mas tudo que a escola promove em termos de sucesso de ensino-aprendizagem dos alunos”. Assim, a qualidade e a fiabilidade do ensino estão dependentes da competência profissional dos professores e da sua capacidade para atingir os objectivos que conduzam a uma melhoria da qualidade do ensino aprendizagem. O professor deverá ser um inovador ou um inventor, reconstruindo o ensino, de modo a este ser concebido em simultâneo como uma ciência e uma arte. A arte do professor expressa-se pelo seu desempenho.
(Texto que me foi solicitado publicasse da autoria de Maria Jorge)

quinta-feira, outubro 06, 2005

A Cultura

A Cultura está relacionada com as diferentes manifestações de um povo, transmitidas de geração em geração, através das vivências e experiências que o indivíduo apresenta, como sendo a identidade desse mesmo povo.

A Cultura sofre constantemente modificações, por ser acumulativa e adaptativa, pois vai-se modificando, perdendo e aumentando os aspectos mais adequados à sobrevivência e que correspondem às necessidades do Homem.

Assim sendo, a Cultura é a totalidade complexa, constituída por conhecimentos ou capacidades adquiridas pelo homem, enquanto membro de uma sociedade. Toda a cultura é singular, geograficamente ou socialmente localizada e é transmitida pelas tradições, modificadas em função do contexto histórico.

Comentário individual à citação de Eduard T. Hall
“Cultura é de facto uma prisão a não ser que se saiba que há uma chave para se sair dela (…)”.

A Cultura resulta de um conjunto de saberes adquiridos e transmitidos por símbolos, modelos, a cada indivíduo. Assim, o homem torna-se dependente da cultura, uma vez que se adapta ao meio agindo em substituição; por exemplo, em relação às mudanças atmosféricas, posso dizer que a evolução cultural é superior à biológica, uma vez que não se desenvolve pelagem ou camada de gordura, mas sim o tipo de vestuário.

Em suma, concluo que a cultura é a “bússola”, que orienta e segue a sociedade, ou seja toda a cultura é socializada, porque não existe nenhuma sociedade que não possua a sua cultura.




Sofia Raquel Dourado da Torre
Data: 6 de Outubro de 2005

Reconhecer o que é inerente à nossa cultura

“...cultura inclui tudo o que existe na sociedade, produto do homem: artefactos, atitudes e valores.” (in O significado de cultura)

Conhecer a nossa cultura, conhecer o que nos distingue e nos assemelha dos outros seres, conhecer o que nos é próprio e nos identifica, é caminho fundamental ao crescimento e construção do futuro para cada individuo, grupo ou sociedade.

Muitas vezes não temos capacidade de reconhecer quais os “artefactos, atitudes e valores” específicos da nossa própria cultura pois eles fazem parte inerente do nosso viver. Esses artefactos preenchem o espaço que ocupamos: estão dentro das nossas casas, das nossas gavetas, estão pendurados nas nossas paredes e em cima das nossas mesas... Fazem de tal modo, parte da nossa vida que os nossos olhos já não se surpreendem nem distinguem a sua raiz cultural.

O mesmo sucede com as nossas atitudes e valores. Estas são aquilo que nos somos. São o que nos permite emocionar ou racionalizar um acontecimento. São o que nos faz estabelecer prioridades e definir escolhas a curto e longo prazo na nossa vida. Na verdade, são os nossos valores pessoais e culturais que orientam as nossas atitudes no que consideramos certo ou errado, bom ou mau.

No entanto, ao conhecermos outras culturas, ao experimentarmos outros artefactos, ao observarmos outras formas de experiênciar os objectos, os espaços, as emoções, as relações, as atitudes, os valores, ao vermos outras paisagens e outras realidades, fazemos caminho no conhecimento da nossa própria cultura reconhecendo de forma natural o que a distingue das outras.

Valorizando e conhecendo culturas distantes ou próximas, reconhecendo as suas riquezas e unicidades, estamos a valorizar e conhecer a nossa própria.

Daí a importância do currículo contemplar, não apenas o que diz respeito à cultura própria da população escolar a que se refere, mas também a criação de espaços onde a confrontação de diferentes culturas e sub-culturas possa levar a um maior conhecimento e enriquecimento dessa mesma população.

(Este texto é da Susana, que me solicitou colocá-lo no blog há dias; mas só hoje li a sua mensagem)

terça-feira, outubro 04, 2005

Dia Mundial do Professor

Orgulho-me de ser professor e de todos os meus professores. Tive-os muito bons e ..alguns menos bons. Mas deixem que partilhe esta minha sensação convosco: os meus primeiros professores foram o meu pai e a minha mãe. Sim, acreditem...ensinaram-me a falar, a andar, a brincar, a respeitar os meus irmãos, a amar o meu país, a respeitar e amar aqueles que eram nossos vizinhos, a não gastar muito dinheiro, a estudar quando fomos para a escola. É verdade! Depois vieram os " outros " professores que me ensinaram a ler, escrever, contar. Mais tarde alguns ensinaram-me a tocar um instrumento, outros ensinaram-me a História , a Filosofia, outros ajudaram-me a fazer desportos...Agora , tenho ainda alguns professores que me ajudam a ser melhor professor, que ajudam a programar as minhas actividades que me fazem meditar sobre a " Docência "e tudo o que lhe diz respeito. Acreditem que eu gosto dos meus professores.
Realmente é bom ter tido e ainda ter bons professores. Estou grato a todos! Mas, não posso deixar de o dizer: os primeiros professores dos meus filhos fui eu e a minha esposa ( modéstia aparte). Ou teremos sido os primeiros "educadores" ?
Desta pequena reflexão só pode resultar uma conclusão: só há Educação
quando os pais também se " casam " com a escola e quando eles fizerem o que lhes está consagrado moral e institucionalmente: Educar os seus filhos. Assim, o professor terá o Tempo, a disponibilidade, o prazer e a alegria de amar os seus alunos ensinando-os...

segunda-feira, outubro 03, 2005

O Eclipse de 3 de Outubro… Reflexão sobre Cultura e Competência Cultural


A reflexão sobre o texto “A propósito do conceito de currículo… O eclipse de 3 de Outubro” publicado pelo Prof. Varela, ontem aqui no blog, motivou esta minha primeira publicação.

Acordei às 9:00 am para poder ver o eclipse anular do Sol. Surpreendi-me quando coloquei os óculos para observação solar e vi que a passagem da Lua entre o Sol e a terra já tinha iniciado! Liguei o rádio, estavam a falar sobre o eclipse, liguei a televisão e vi que três dos quatro canais portugueses estavam a transmitir imagens do eclipse e entrevistas a observadores!
Pensei: Mas que competência cultural!

Grupos de profissionais ligados à astronomia organizaram observações públicas do eclipse um pouco por todo o país (Bragança, Porto, Lisboa), proporcionando às pessoas que se deslocaram até esses locais uma aprendizagem pela experiência. Escolas de todos os níveis de ensino participaram nestas observações organizadas ou criaram nos seus recintos observações acompanhadas por grupos de professores. Mas não só quem pode fazer tais deslocações obteve conhecimento sobre o Eclipse Anular do Sol! Organizaram-se também sistemas de divulgação desse conhecimento através da televisão e rádio. Tudo isto permitiu efectivamente situações inter-culturais.

O meu conceito de cultura e competência cultural, são os que apresento como “conclusão” desta reflexão.
Cultura: consequência de um conjunto de conceitos, símbolos, valores, comportamentos e atitudes que têm como finalidade criar um sistema contínuo e aberto de transmissão e criação de conhecimento.
Competência Cultural: capacidade de pôr em prática, de forma organizada, a transmissão de cultura através de situações inter-culturais.

domingo, outubro 02, 2005

A propósito do conceito de currículo… O eclipse de 3 de Outubro

Acabo de saber, por um dos jornais da televisão, que várias escolas levaram os seus alunos ao santuário de S. Bartolomeu, em Argozelo, no distrito de Bragança, para que possam ver o eclipse anular do sol de amanhã. Um dos professores salientava que para além de verem o eclipse, estavam programadas actividades relacionadas com as estrelas que iam ser vistas de noite, penso que palestras, também.
Bom: estas actividades são um bom, um excelente desenvolvimento do currículo. Não foi preciso estar escrito no programa, só foi necessário que a escola (professores) decidisse tirar partido do que acontece para promover experiências de aprendizagem significativas nos seus alunos. Estas escolas entenderam, e muito bem, qual o seu papel. Não sei, nem cuido de saber, se pediram autorização aos serviços do Ministério da Educação; em meu entender, tinham justificação mais do que suficiente para exercerem a sua autonomia.
Creio que este exemplo (actual) justifica a minha noção de currículo: tudo o que a escola organiza no sentido de promover experiências de aprendizagens para o desenvolvimento dos seus alunos. A escola não organizou o eclipse, mas aproveitou da melhor maneira a sua existência.

sábado, outubro 01, 2005

Tópico 1 – Conceitos de currículo, cultura e competência cultural

Como o professor apreciou a aula
Relato objectivo

Mesmo antes das 14 horas mais de metade dos estudantes está na sala. Às 14 e 10 só não estão os que não virão ou virão mesmo mais tarde por estarem em aulas (um problema complexo). Ocupo os primeiros quinze minutos a tratar de assuntos relacionados com os endereços de e-mail, de como aceder ao blog, comentar ou inserir um post. Procuro que os estudantes se sentem nos memos lugares: assim, pela planta da sala que fiz, posso ir ligando os nomes às caras. Às 14 e 15 começo a primeira parte da aula: uma exposição minha, apoiada por uma apresentação em PowerPoint, sobe o tópico. Explico que podem sempre interromper e questionar-me. Haverá ao longo da exposição algumas perguntas. Quando se desviaram do tema expliquei que teríamos de deixar a sua continuação para mais tarde. Falo demasiado: descontando o tempo do diálogo terei gasto entre 30 a 40 minutos.

Depois da exposição há um intervalo de 15 minutos – tempo escrupulosamente respeitado por todos. Na segunda parte da aula formam-se oito grupos (por proximidade) que devem procurar, com base na minha exposição, nos quatro pequenos textos fornecidos (três deles na aula anterior), encontrar consenso na formulação do que entendem por currículo, cultura e competência cultural. É-lhes concedida meia hora, que depois estendo a 35 minutos. Terminado esse tempo, a ideia é que cada grupo reporte as suas conclusões e que se tente encontrar as ideias dominantes (que seriam as mais consensuais). O primeiro grupo, porém, apresenta o seu trabalho em gráfico, como um mapa conceptual, e decido rapidamente alterar a proposta inicial e solicitar aos grupos que reajam à proposta desse grupo, comentando, propondo alterações. De um modo geral todos os grupos participaram, quer dando conta das suas conclusões, quer entendendo o meu desafio e propondo alterações. Intervenho sempre que penso que devo esclarecer. O nível de diálogo (no amplo sentido de discussão, não de conversa entre duas pessoas) foi muito elevado. A sessão termina à hora marcada, mas uma estudante comenta” Podíamos continuar a discutir mais uma hora…”

Apreciação subjectiva

Depois de uma primeira aula de apresentações, nesta segunda eu tinha dois pontos a testar: o esquema que me propus seguir, que normalmente funciona bem com turmas pequenas mas que é mais problemático com turmas de 30 e mais estudantes, e a reacção dos estudantes a nível de participação. Tenho sempre um plano mas não sou escravo dele.

Este primeiro tópico da unidade é importante para que seja possível tentar que os conceitos com os quais vamos trabalhar sejam o mais possível comuns; sem deixar de fazer notar que os conceitos estão “embrulhados” em palavras, e que esse é o maior problema na sua descodificação. Penso que a minha exposição foi clara, que as questões levantadas tiveram pertinência. Penso igualmente que os grupos trabalharam bem, com produtos bem acabados (veja-se o post do grupo do Abel, que creio incluía a Alexandra, a Isabel e Liseta). A discussão foi interessante e motivadora.

Agora: é importante sublinhar a importância de clarificar ainda mais o que se deva entender por currículo. Foi muito interessante, perto já do fim da aula, o diálogo com uma estudante (a Marta? A Isabel? ainda não fixei nomes!) para a qual o currículo teria de ser um “documento escrito” (isto é, o “normativo”). Também é: mas o verdadeiro currículo está na escola, é da responsabilidade do(s) professor(es). Ela dizia que isso era muito filosófico – é necessário um esforço para aceitar que assim seja. O professor tem de assumir que é autónomo e que não há ninguém que lhe possa tirar essa autonomia; claro que tem limites, como tudo em sociedade tem limites, e é aceitável que eles existam. Mas no dia a dia, o professor tem de tomar inúmeras decisões pelas quais é responsável; e ao decidir-se por esta e não aquela leitura, por esta ou aquela forma de avaliar, ele está a moldar o currículo dos seus alunos. Os programas, as orientações, são textos, são palavras: é o professor, na aula, que dá vida aos planos e promove as aprendizagens.

Fiquei razoavelmente satisfeito com os meus dois testes. Resta este, em que escrevo: será que desta vez o blog C&C vai ser mesmo um pouquinho diferente dos anteriores, no sentido de haver mais diálogo e portanto mais aprendizagens a partir dele?
Cultura
Competência Cultural
Currículo


A ideia final da sessão da Unidade curricular Currículo e Cultura foi que estes três conceitos estão ligados entre si. O elemento que os liga será a linguagem, verbal ou não verbal, ou seja, os códigos comuns às várias culturas, resultando a inter-culturalidadde como um elemento agregador.
O currículo será tudo o que acontece na Escola, no aspecto social, económico, cultural e regional.
Assim, ele não é só um conceito definidor mas também um receptor de outros conceitos que podem vir da Cultura e da Competência cultural. Esta última poderá ser desenvolvida pelos outros dois conceitos mas não é factor determinante destes. Sendo assim Competência Cultural é o conjunto coerente de comportamentos atitudes e políticas que organizados entre si podem promover o trabalho efectivo em situações inter-culturais, desde que haja códigos que sejam comuns a essas várias culturas.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Um post do Delfim

O currículo é uma viagem, não uma estação de paragem. É um olhar constante pelo que nos rodeia sem nunca deixarmos de ter presente o nosso objectivo ou ponto de chegada, mas esse ponto de chegada é um " interface " para outra aventura, outra nuance , ou seja, para uma reforma do currículo anterior. Assim Cultura não pode ser só uma interpretação popular de algo que é só para dotados mas também não pode ser uma técnica ou um conjunto definido de algo que é comum a todos. A Cultura é o espelho de um povo ( in Delfim Peixoto, Proposta de criação de Escola Superior de Teatro em Braga , 1986,) mas será que nos podemos ver nesse espelho?Realmente o currículo escolar não é igual em todo o lado defendendo eu que o currículo do Algarve não pode ser igual ao do Minho. Tem de haver algo comum, português, mas a riqueza deste currículo será ter também algumas diferenças de lugar e de vivência ( currículo aberto). Será que caminhamos para um currículo europeu para uma cultura global? Ou, por outro lado vamos criar um currículo português que pode incorporar o Espírito Europeu?

quarta-feira, setembro 28, 2005

INFORMAÇÃO GERAL – 01


No passado fim-de-semana enviei uma mensagem por e-mail a todos os estudantes dos quais tinha o endereço (29), solicitando confirmação da recepção. Apenas fui notificado de um endereço eventualmente incorrecto (o do César), pelo que a mensagem não chegou ao destinatário, e recebi nota de recepção de apenas sete estudantes (Cláudia, Inês, Maria Jorge, Abel, António Pacheco, Delfim e Nuno). A todos estes enviei uma segunda mensagem com um texto orientador para passar a fazer parte da equipa do blog e um convite. Até agora, dois estudantes aceitaram e podem começar a participar. Se houve quem recebesse a mensagem e não esteja mencionado acima, por favor informe-me (PODE FAZÊ-LO NO COMENTÁRIO OU SE QUISER ENVIANDO UMA MENSAGEM PARA O MEU ENDEREÇO).

sexta-feira, setembro 23, 2005

Um regresso?

Começa hoje, 23 de Setembro de 2005, uma nova edição do mestrado em Estudos da Criança, especialização em Educação Musical, desta vez acompanhado de uma outra especialização, a de Comunicação Visual e Expressão Plástica. E começa precisamente com uma aula de "Currículo e Cultura". Uma vez mais - pela terceira! - iremos certamente ter um blog. Resta saber se este ou outro: a decisão terá de ser tomada ouvidos os intérpretes. Para já, se for outro, haverá aqui um link para ele.

sexta-feira, abril 15, 2005

A Casa da Música

Eu não sei se têm vindo de vez em quando ao nosso blog - mas de qualquer maneira queria reencontrá-los hoje para nos desejarmos mutuamente parabéns pela inauguração da Casa do Música. Penso que sintam o acontecimento mais do que eu, que talvez valorize o evento por motivos diferentes dos vossos. Mas todos, certamente, estamos orgulhosos por o Porto, e Portugal, passar a ter uma espectacular sala para manifestações musicais.
Alguém quer comentar, dizendo o que para si representa a Casa da Música?

quarta-feira, março 16, 2005

Fim – ou princípio?


Quando enviei a minha “mensagem final” não pensei bem que escrevia “final”. Na verdade, combináramos que poderíamos manter vivo este blog, que apesar de quase não ter “sinais vitais” ainda tem algumas visitas todas as semanas. Pois bem, agora que arrumámos as nossas contas, por que não continuar? A vossa vida está impregnada de cultura – e como tantas vezes referimos, são co-responsáveis, nas vossas escolas, pelo currículo. Gostaria que os laços não se quebrassem.

Publiquei n’A memória Flutuante um post sobre nós. Transcrevo-o aqui.

Mais sobre avaliação – desta vez, de alunos

Passei o fim-de-semana à volta dos portfolios dos meus alunos do curso de mestrado em Educação Musical, os mesmos que estiveram na génese e no desenvolvimento de um blog (Currículo & Cultura) http://curriculoecultura.blogspot.com/ , que tinha o mesmo nome da disciplina de que fui professor (do 1º semestre). Eram apenas 9 alunos, todos eles com formação no âmbito da música e todos eles ligados à docência, uns em escolas profissionais, outros em escolas de formação geral; uns com formação musical apurada, com alto padrão de exigência, outros mais vocacionados para o ensino das bases, para a aprendizagem do que é elementar.

Desde há uns anos que em cursos de mestrado enveredei por propor aos meus alunos uma avaliação por portfolio. O facto de serem poucos alunos, de termos normalmente no decurso das aulas oportunidade de dialogar e portanto de ter elementos avaliativos acerca do que cada um pensa e é capaz de expor, deixa-me margem para eliminar qualquer tipo de “exame” ou de “trabalho” específico e dar aos estudantes a oportunidade de serem mais criativos e autênticos. O portfolio surge assim como uma oportunidade de cada um revelar como compreendeu o seu percurso na disciplina, o que ela lhe revelou – ou perturbou. Sugiro sempre que cada um adicione quaisquer elementos colhidos no dia-a-dia que possam contribuir para aumentar o conhecimento na área em estudo. Aceito qualquer formato: mas nos últimos dois anos todos, praticamente, preferem o formato digital, se bem que normalmente entreguem também um exemplar em papel.

Para mim, o dia (ou dias, se forem muitos!) de análise dos portfolios é sempre um dia normalmente agradável. Ontem, para ale, de ler, fui convidado a ouvir – porque dois dos meus alunos tiveram a gentileza de incluir CDs com as suas interpretações. Foi um extra que amenizou a tarefa.

Para converter a avaliação numa classificação – que é a parte mais desagradável da tarefa docente – uso uma ficha (não gosto muito do termo “grelha”) na qual atribuo um valor, numa escala de 5 pontos, a itens como “Organização/Apresentação”, “Capacidade de enquadramento teórico”, “Juízo crítico”, “Expressão escrita”, etc. Tenho depois de interpretar o resultado e moderá-lo, ainda, com a impressão geral que tenho do aluno por toda a participação no curso (neste caso, incluindo a que foi concretizada no blog).

É um processo essencialmente qualitativo, não o escondo, potencialmente gerador de algum germe de injustiça; mas, para mim, muito mais confortável do que um outro qualquer que sujeitasse os estudantes a uma prova tipo exame, a qual pode proporcionar também germes de injustiça.

Terminada a tarefa deste fim-de-semana, vou deixar passar mais um ou dois dias, rever as minhas fichas e ponderar se os resultados a que cheguei devem ser os definitivos. Terminada essa tarefa, enviarei a cada um dos meus alunos, por e-mail, cópia da ficha com o resultado e a classificação.

Uma reflexão final: se o número de alunos fosse muito grande, este tipo de avaliação-classificação não seria possível.

terça-feira, março 08, 2005

De que forma a escola aborda o factor multiculturalidade

Inicialmente esta reflexão era para ser realizada nas escolas onde leccionamos, no presente ano lectivo.
Numa das escolas, como não existem alunos de outras nacionalidades, não foi possível dar continuidade ao trabalho, apesar de ser ter consultado o Projecto Educativo verificando-se que este não contempla tais situações.
Na outra escola existem diversos alunos provenientes de diversos países tais como, Ucrânia, Rússia e França, assim como, da etnia cigana.
Apesar do Projecto Educativo estar a ser reformulado, resolvemos consultar o que ainda se encontra em vigor e verificamos uma situação identifica à primeira escola. Posteriormente, em conversa com a Presidente do Conselho Executivo, soubemos que esses alunos têm dois tipos de apoio distintos: o primeiro, que está contemplado na lei para todos os alunos com dificuldades, são medidas adoptadas pelo conselho de turma e mencionadas no Projecto Curricular de Turma, como por exemplo aulas de Apoio Pedagógico Acrescido, Apoio Individualizado na sala de aula, entre outros; em relação ao segundo tipo de apoio, a escola permite que os alunos de etnia cigana usem as suas instalações para a sua higiene pessoal, uma vez que vivem em situações precárias.
A escola também se preocupou em se adaptar ao "tipo" de vida que os alunos de etnia cigana têm e possibilitou a transferência para uma turma da tarde, de um desses alunos, que estava com o horário da manhã, uma vez que este faltava na maior parte das vezes às primeiras aulas, dando como justificação a ocupação profissional dos pais que o impossibilidade de se deitar cedo.
Contudo, esta alteração proporcionada pela escola não foi aproveitada pelo aluno, já que este continuou a faltar e além disso, começou a provocar distúrbios para a qual foi transferido.
Perante esta situação podemos questionar até que ponto a escola tem que ter em atenção as diferenças culturais dos alunos quando estas implicam alterações no seu funcionamento.
Quanto ao caso dos alunos de outras nacionalidades, em que a língua é distinta, também se questiona a lei em vigor pois são integrados numa turma, frequentando todas as disciplinas como os seus colegas, não percebendo na maior parte das vezes as actividades propostas, uma vez que não dominam a língua portuguesa.
Não seria mais proveitoso serem dispensados de algumas disciplinas por algum tempo e a sua formação incidir sobre a aprendizagem da língua portuguesa?
Pensamos que assim, quando passassem a frequentar as outras disciplinas, o seu aproveitamento seria muito mais rentável.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Um blog com interesse

Numa das minhas navegações deparei com o blogue Educação Comunitária, que penso tem interesse em ser visitado. Muitas das suas preocupações são certamente partilhadas por vós (por nós...)

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Um novo blog...

Depois de algumas hesitações, decidi começar a publicar um blog pessoal, logo, não integrado em qualquer disciplina da Universidade... Intitulei-o A Memória Flutuante. Se o quiserem visitar, acedam "clicando" no título...

Aprender com a diversidade

Acaba de me chegar às mãos um pequeno volume intitulado Aprender com a Diversidade. Um Guia para o Desenvolvimento da Escola, que é acompanhado por um DVD (Nós... na Escola). É uma publicação patrocinada pelo Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) e pelo Departamento de Educação Básica (já não existe, neste momento) do Ministério da Educação. Penso, por isso, que deve ser enviado rotineiramente às escolas e por isso dou já a informação, mesmo antes de o ver com cuidado. Mas os nomes que constam como mentores e/ou responsáveis pelo projecto são crédito suficiente para desde já poder dizer-vos que vale a pena tê-lo em atenção: refiro como exemplo Mel Ainscow , do Departamento Educational Support and Inclusion da Universidade de Manchester, que tem trabalhado de perto com a grande responsável pelo projecto, e a Drª Ana Maria Bénard da Costa, que foi directora de serviços do Instituto de Inovação Educacional e que tem dedicado a sua vida ao problema das crianças com dificuldades de aprendizagem. O DVD centra-se na realidade de duas escolas básicas, a 1, nº 2, de Pinhal Novo, e a 2,3 de Luís de Sttau Monteiro de Loures.

quinta-feira, dezembro 30, 2004

De fugida...

Antes de outro assunto, gostaria de agradecer e retribuir os votos de Bom Natal e Ano Novo. Infelizmente, por motivos de trabalho, tive que reduzir praticamente a zero as visitas ao blog. É muito complicado ser trabalhador-estudante! É nestas alturas que penso que realmente a "duração" do tempo é muito relativa... em determinadas situações um minuto parece que nunca mais passa e noutras passa-se exactamente o contrário. E estes pensamentos levam-me, como não podia deixar de ser, a pensar na minha profissão, nas aulas, na sua duração, e levantar questões polémicas como, por exemplo, qual a duração ideal para uma aula (ainda há pouco tempo ouvi professores a defender que as aulas de 90 m não eram adequadas para determinados alunos que, ao fim de 45m já não conseguem fazer mais nada e só perturbam o trabalho dos outros) ou então a redução, a meu ver, drástica que se verificou na carga horária semanal da disciplina de Educação Musical (pois não foi só a redução do tempo efectivo da aula mas também a frequência semanal destas aulas). Como se pode obter bons resultados ao trabalhar com alunos que só vemos uma vez por semana? E isto, se tudo correr bem… porque se existirem dois feriados ou actividades que coincidam com o dia das aulas em duas semanas seguidas fica sem os ver quase um mês!
Bem, mas não foi para abordar estas questões que resolvi participar hoje no blog. Aliás esta participação deveria ter como objectivo apresentar o trabalho pedido mas realmente ainda não foi possível. Acontece que, inicialmente, era uma “visita”, mas depois de ler as intervenções não pude deixar de escrever um agradecimento e dizer que também fiquei horrorizada com as imagens que vi (só ontem) sobre a catástrofe, e deixar um pensamento: só é pena que os homens se unam, da maneira como se tem verificado, perante acontecimentos tão dramáticos como este. Como o mundo seria diferente se esta onda de solidariedade existisse sempre que dela houvesse necessidade!

Que o alvorecer de 2005 seja menos ameaçador... Bom Ano Novo! Posted by Hello

quinta-feira, dezembro 23, 2004


Feliz Natal! Um excelente 2005! Posted by Hello

domingo, dezembro 12, 2004


Capa do Programa do Concerto Posted by Hello

Concerto do Natal

Foi um acto de cultura o que fizeram na sexta-feira: por isso eu disse que mereceriam créditos extra... Parabéns.

Um comentário

Como habitualmente não "visitam" comentários, insiro aqui um que foi inserido no último "post" da Assunção, proveniente de A. Coelho:

Encontrar este blog foi uma forma de encontrar textos teóricos que suportam muita da minha prática docente e ainda mais aquilo que vou reflectindo sobre a escola. Considero mesmo que é essencial que os professores tenham uma perspectiva consolidada da pós-modernidade, pois é uma realidade com que temos de viver.Agradeço a menção ao meu blog, pois de facto aquilo que me preocupa é o paradigma da pós-modernidade.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Mais sobre TIC

Era uso, há uns dez, quinze anos, falar-se em “novas tecnologias” a propósito do uso de computadores. Hoje, é menos natural porque de “novas” têm já pouco… envelheceram. Daí o acrónimo TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação), tradução de ICT (Information and Communication Technologies).

A educação sempre necessitou de tecnologias de comunicação: afinal, quando um professor se dirige aos seus alunos usa uma tecnologia simples, sempre pronta, a fala… Quando escreve, seja numa ardósia, numa transparência de retroprojector ou numa apresentação em PowerPoint usa tecnologias diversas de escrita. A rádio, a televisão, foram e são ainda tecnologias educacionalmente importantes.

Mas na verdade só com a era digital se deu uma revolução sem paralelo, uma revolução continuada, em que de dia para dia surgem novos aperfeiçoamentos.

Eu costumo dizer que a escola foi capaz de ignorar tecnologias importantes, que prometeram muito e foram muito ignoradas (caso da televisão, que apesar de ter sido e ainda ser utilizada nunca foi devidamente explorada), mas não vai ser capaz de ignorar os computadores.

Muitas vezes, penso que a maior parte dos professores ainda não se deu conta desta mudança fundamental no que diz respeito à informação e na escola continua a pensar que a sua função é apenas transmitir conhecimentos. Ora (e isso foi dito pela Sara) uma criança chega hoje à escola com mais conhecimentos do que no passado, dada a exposição que tem à informação com que é bombardeada todos os dias. Claro que o currículo escolar prevê – normalmente – um conjunto de matérias que podem estar fora desses conhecimentos e que podem ser necessários para a formação dos alunos.

Mas o importante é que o ambiente mudou: ontem, os alunos iam para a escola e viam no professor aquele que sabia; hoje, eles têm dúzias de “professores”.

A mudança implica, portanto, que a escola se acomode (no bom sentido) ao tal novo ambiente e use a sua influência num campo essencial: a aquisição da informação e a sua transformação em conhecimento. Estarão os professores preparados para isso? Na verdade, a maioria não está – e não só aqui em Portugal. Mesmo nos Estados Unidos, onde o convívio com os computadores já existia em pleno nos anos 80 do século passado, ainda há muitas resistências e muito ensino tradicional.

Mas já existem muitas experiências interessantes. Aconselho-os a visitar o site do Nónio onde poderão “navegar” e ter uma ideia do que se vai fazendo nas nossas escolas.

Bom, amanhã continuaremos a nossa conversa ao vivo…

O uso das novas tecnologias

Antes de abordar o tema principal deste comentário gostaria de dizer que a questão que levantei na minha outra intervenção é, para mim, difícil; como referi, é um assunto no qual continuarei a reflectir, tomando nota, sempre que disso tiver oportunidade, de diferentes opiniões. Muitas vezes argumentamos tendo em conta determinadas vivências e conhecimento mas é no confronto com outras ideias e outros conhecimentos que adquirimos novos dados que nos obrigam a novas reflexões.
Mas a minha participação hoje tem a ver com o post da Isabel sobre o uso das TIC: concordo totalmente que estas tecnologias permitem um acesso à informação de uma forma surpreendente. E, da forma como as instituições se tem preocupado com este assunto, mesmo aquelas pessoas que não possuem computador em casa tem possibilidade de consultar a Internet em outros locais. Portanto, penso que não é neste ponto que existem problemas. Os problemas, a meu ver, encontram-se na nova forma de alfabetização que essas tecnologias realmente exigem e no facto de que não chega ter a informação disponível para que se tenha o conhecimento (como foi referido pelo Sr. Professor). Posso ilustrar a minha opinião relatando o que se tem passado nas aulas de Área Projecto pois o facto de, este ano, ter cinco turmas dá-me possibilidade de reflectir e tirar algumas conclusões desta prática.
Quando chegámos à fase de recolha de informação sobre os subtemas que os diferentes grupos tinham escolhido, a vontade demonstrada por eles foi a de pesquisar na Internet. À questão colocada por mim se sabiam como fazer essa pesquisa, se já tinham utilizado esse recurso, a maior parte dos alunos respondeu, convictamente, que sim. Só que o seu saber resumia-se a ligar o computador e pouco mais… Constatei que esse saber é muito mecanizado, não é “pensado”, “reflectido”: ao menor contratempo já não sabem como proceder. Outro problema que surgiu, mais grave do que o anterior, tem a ver com a ideia que os alunos fazem da Internet e de como se realiza o processo de recolha e tratamento dos dados recolhidos. A primeira ideia é que a Internet é um local onde podem encontrar informação, depois de a encontrar basta imprimir e o trabalho está feito. A maior parte das vezes nem sequer sabem do que se trata porque o texto é de leitura difícil ou então nem o tentaram ler! Posso dizer que não está a ser fácil o tratamento da informação principalmente devido à relutância demonstrada na leitura dos documentos obtidos. Aliás, depois de uma primeira visita à sala de Informática tivemos que fazer uma nova pesquisa, depois de algumas aulas de reflexão sobre a forma como tudo se tinha processado.
Penso que este caso demonstra bem a necessidade que existe de “formar os alunos para uma assimilação crítica da informação” como é referido pela Sara.
E para os professores que estão pouco receptivos ao uso das novas tecnologias será cada vez mais difícil familiarizarem-se com elas pois o seu desenvolvimento é constante. É um pouco o que acontece com este blog: nas primeiras semanas, por razões de trabalho, não me foi possível ler os comentários que aí apareceram. Quando acedi, para perceber os mais recentes tive que fazer uma leitura de todos os outros, começando logo pelo primeiro. E,neste momento, é necessário uma “visita” regular para não perder a “pedalada”. Penso que, da mesma forma, quanto mais tempo os professores demorarem a usar (seja nas aulas ou em qualquer outra situação) as novas tecnologias, mais difícil será apropriarem-se do conhecimento e das técnicas necessárias (referidas pelo Sr. Professor) para delas tirarem partido. E, como acredito que o caminho para o futuro passa, obrigatoriamente, pelo desenvolvimento dessas novas tecnologias, atitudes pouco receptivas ou de recusa em o aceitar não deverão ser tomadas por alguém que tem um papel importante na formação dos adultos do amanhã.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Currículo, Cultura, TIC…

No seu último post, a Isabel demonstra como o blog pode funcionar como instrumento de aprendizagem – levantada uma ponta (neste caso pela Dalila) encontra-se outra ponta e de repente estamos noutro tema, sempre ou quase sempre interessante. Há pouco interroguei-me sobre se estaríamos ou não a aceitar desvios, não propriamente ao programa (como sabem, o “programa” – no sentido dos syllabuses dos anglo-saxónicos – era meia dúzia de tópicos) mas ao nosso compromisso de discutir cultura e currículo. Não estamos, na verdade.

A incursão que a Isabel faz no domínio das TIC (tecnologias da informação e comunicação) poderá ser discutida no amplo debate sobre a escola pós-moderna.

As TIC proporcionam, a um expoente inimaginável há apenas uns anos, uma informação completíssima sem praticamente barreiras de acesso. Estamos, todos os dias, a verificá-lo. Simplesmente, ter a informação não é ter o conhecimento. Umberto Eco (vejam aqui a sua biografia) no seu livro Como se faz uma tese em ciências humanas chama a atenção, com a ironia que o caracteriza, para a tendência que muitos estudantes (e não só estudantes…) têm de fazer imensas fotocópias de livros, artigos, na ilusão de que tendo as fotocópias têm o conhecimento do que nelas existe, o que é evidentemente falso. Ao possuir a fotocópia armazenámos informação, mas o conhecimento exige o tratamento dessa informação.

Pode argumentar-se que mesmo sem TIC o problema era o mesmo. Que vale ter uma biblioteca de 20 000 volumes se não forem lidos? É verdade, mas o que está em causa é a acessibilidade. E é sobre este aspecto que gostaria de dizer à Isabel que embora num primeiro momento possa parecer que esta nova sociedade de informação favorecerá apenas uma elite, que por mais rica pode aceder aos seus benefícios, mais tarde ela expandir-se-á a todos, pelo embaratecimento do hardware. Um dia virá em que computadores poderosos poderão ser vendidos a muito baixo preço. Claro que isso não chega, mas a educação ajudará.

Por isso os professores não podem alhear-se do valor das TIC e devem apropriar-se dos conhecimentos e das técnicas necessárias para delas tirarem partido nas suas aulas. Esta tendência actual constitui parte integrante da cultura que estamos a construir. Ou não?

Espírito de missão e profissionalismo

A Dalila recupera um tema que de facto foi levantado por mim. Disse, na altura, que não aceitava a ideia de um professor missionário porque queria que o professor fosse um profissional. Por que penso assim?

A palavra missão vem do latim missione-, que significa o acto de enviar; o missionário (palavra que deve ter sido importada do francês) é aquele que é “enviado” para cumprir uma tarefa determinada. Foi e é no campo religioso que concebemos o missionário, e a meu ver é por comparação com a sua fé e o seu zelo que, em relação a certas profissões (médico, professor…) se fala de um trabalho de missão.

Provavelmente assimilam-se sobretudo as condições difíceis de actuação: o missionário enfrenta um meio hostil, sofre privações, tudo pelo ideal, porque tem uma missão a cumprir. Médicos e professores também têm por vezes dificuldades, e não podem (não devem) evitá-las. Mas eles não são “enviados” de ninguém, são profissionais. Um profissional é alguém que se preparou solidamente para executar tarefas especializadas, recebe por isso um pagamento e assumiu certos compromissos de ordem ética. Esses compromissos éticos podem confundir-se com o “espírito de missão” – o médico que se levanta às quatro da manhã para atender um doente; o professor que vive isolado na aldeia. Mas esses actos têm origem diferente: são actos profissionais, não são actos evangélicos.

Se me perguntarem como classifico um professor que decidiu, por exemplo, ir ensinar para Timor (onde não encontrará uma vida fácil), sugerindo que foi por missão, eu direi que não, ele foi como profissional, sabendo que com a sua acção contribuirá para o desenvolvimento do país. Isso não invalida que ele (ou ela!) tenha sentido um apelo humanitário. Mas na sua actuação é (tem de ser) um profissional.

Pessoalmente, considero que sou dedicado à minha profissão, consagrei-lhe sempre toda a minha actividade (mesmo quando parecia que não trabalhava para ela), vivi momentos complicados e exigentes, mas nunca me senti missionário, nunca senti que era enviado de ninguém a não ser de mim próprio.

O que não quer dizer que não compreenda posições diferentes…

terça-feira, novembro 30, 2004

Professor: Missão ou Profissão?

Gostaria de tecer algumas considerações sobre a profissão do professor na era em que vivemos, isto porque na aula de sexta-feira foi abordada esta questão pela segunda vez sob a perspectiva de missão e profissão. Nas duas situações não fiz qualquer observação pois ainda não consegui tomar uma posição sobre este assunto, apesar de já ter reflectido sobre ele. Talvez fosse importante definir previamente o que se entende por missão mas penso que basta referir algumas palavras que obrigatoriamente se associam à sua definição: dedicação, esforço, disponibilidade, competência para atingir um determinado objectivo…Agora surge a pergunta: até que ponto a escola actual não necessita de professores cuja actuação se defina desta forma? Foi referido o caso da escola da Ponte: será que a concretização e o sucesso deste projecto não dependeu dos professores que aí leccionavam? Certamente que sim até porque esses professores foram escolhidos, e só participaram aqueles que realmente mostraram disponibilidade e vontade para o fazer. Será que esses professores viram o seu trabalho só como profissão? Penso que não até porque, por tudo aquilo que implicava, alguns não “aguentaram” e desistiram. Talvez não devesse ser missão mas, por vezes, difere em tão poucos aspectos que é natural que seja entendida ou confundida como tal.

Para tentar clarificar um pouco as ideias resolvi investigar na Internet: utilizando as palavras “missão”, “profissão” e “professor” encontrei (para meu espanto) 28.300 documentos escritos em Português! Para já ainda só fiz uma breve leitura dos primeiros mas propunha, porque me pareceu interessante, uma leitura por parte do grupo, de alguns deles.

Para terminar gostaria de fazer uma breve referência ao livro “Mudança e Inovação na Pós-Modernidade”: apesar de só ter lido, ainda, os primeiros capítulos posso afirmar que é um dos textos mais interessantes e esclarecedores que li sobre este assunto. E que remete para uma série de outros autores e publicações que, de certeza, constituem uma excelente referência.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Mais um visitante...

O nosso blog teve mais um visitante, que se referiu de forma muito amável à nossa iniciativa. Deixou um comentário (que podem ver no meu post "Tivemos uma visita"). Todos nós devemos estar gratos pelo incentivo.
Bom fim de semana!

quinta-feira, novembro 25, 2004

Reflexões sobre a inquietação

O estudante (sobretudo o universitário e ainda mais o que está em cursos de pós-graduação) deve ter uma atitude que reflicta inquietação: porque pretende o conhecimento, naturalmente o conhecimento verdadeiro, e essa é uma meta difícil de alcançar. Lembro-me de na minha juventude me ter impressionado ao ler numa obra de Óscar Wilde (porventura em A importância de se Chamar Ernesto) este diálogo entre dois amigos. Dizia o primeiro: “Esta é a verdade, pura e simples”. Retorquiu o segundo: “A verdade raramente é pura e nunca é simples”. E de facto assim é. Mesmo não querendo filosofar, atendo-nos nos campos do estritamente científico, a verdade parece que brinca connosco. Por isso sou de algum modo relativista, ou seja, defendo-me de aceitar como verdades absolutas as que parecem sê-lo.

Por isso, fico feliz quando encontro gente jovem – e menos jovem... – gozando o prazer de busca da verdade. E vós prefigurais essa busca, respondendo ao desafio de caracterizar a cultura pós-moderna. Usando a “arma” que convencionámos, mais tacitamente do que por definição prévia, que seria a nossa: a Internet, através do nosso blog.

Já vos cumprimentei pela produtividade – textos encontrados, “sites” descobertos, reflexão participada, tudo isso em pouco dias. Estou certo que amanhã teremos uma boa tarde de discussão para a qual deixo, aqui, algumas sugestões.

Quais as características da pós-modernidade que mais têm afectado a escola?
Poder-se-á falar de currículos pós-modernos, em contraposição com currículos tradicionais?
Será que ”as mudanças da sociedade ameaçam a escola”?
Qual o papel das tecnologias mais sofisticadas na educação de amanhã?
Quais as possíveis repercussões culturais derivadas do mundo pós-moderno?

Espero que outras, vossas, se juntem a estas.

*****

Estive hoje de manhã numa sessão de homenagem ao Professor Doutor Vítor Aguiar e Silva, que foi docente das Universidades de Coimbra e do Minho, e que se reformou há dois anos. Aguiar e Silva foi (é) um investigador da literatura portuguesa, grande camonista, e durante a sua estadia em Braga mereceu a admiração e o respeito pelas suas grandes qualidades. Foi uma homenagem emocionante, em especial porque o elogio do homenageado foi feito por uma sua antiga professora de Coimbra, a Doutora Maria Helena Rocha Pereira, hoje com 79 anos, que evocou o seu passado de estudante universitário. Inquieto, como eu presumi que serão os alunos de hoje, os que querem aprender. Inquieto ainda hoje, quando, ao agradecer a homenagem, se manifestou preocupado com a “empresarialização” das universidades, que tende a esquecer a sua vertente cultural profunda.
Hoje tive um bom dia!

Tivemos uma visita...

Como comentário a um post da Assunção, Miguel Pinto (administrador do blog "Outro olhar") escreveu:

De: Miguel Pinto
Data: 11/24/04 21:27:30
Para: vfreitas@iec.uminho.pt
Assunto: [Currículo & Cultura] 11/24/2004 09:27:15 PM

Agradeço a referência ao Outro olhar e felicito-as pelo arrojo e dinâmica que transparece dos vossos textos. A comunidade docente pulsa intensamente na blogosfera. Parabéns.

--Posted by Miguel Pinto to Currículo & Cultura at 11/24/2004 09:27:15 PM

Como sabem, o nosso blog não é aberto, mas não devemos deixar de sentir satisfação por quem assim nos julga.

Logo farei os tais comentários...

quarta-feira, novembro 24, 2004

Sobre a evolução da sociedade e a educação

Achei o projecto “Internet na Escola Básica Inicial” muito interessante e, por coincidência, veio de encontro à reflexão que tenho andado a fazer com todas estas leituras e também devido a um episódio que aconteceu a semana passada numa das minhas aulas de Área Projecto, que passo a descrever: nessa aula levei os meus alunos para a sala de Informática para pesquisar na Internet sobre os temas escolhidos, nessa pesquisa apareceu um site de uma escola, também EB1, que achamos interessantíssimo pelo que a nossa vontade foi de fazer uma apresentação dos trabalhos de uma forma semelhante, ou seja, através de um site na Internet. Mas deparamos com o problema de nem eu nem o meu colega (nem nenhum dos alunos) sabermos como construir páginas na Internet. Este problema, a reflexão sobre como resolve-lo e os textos que li no Blog mostram que ser professor nos dias de hoje é um grande desafio pois a evolução tecnológica acontece tão rapidamente que tenho a sensação que basta um momento de desatenção para “perder o comboio”e ficarmos pelo caminho… Será que não é isto que está a acontecer em relação à educação? Será que a evolução da sociedade e as consequentes alterações que se dão a diferentes níveis ocorrem de uma forma tão rápida que torna quase impossível o seu acompanhamento por parte da escola? E, mesmo que houvesse uma vontade de todos os agentes intervenientes no processo será que o sistema, da forma como funciona neste momento, será passível de ser alterado num espaço de tempo tão curto? E estas perguntas trazem outro tema a discussão que é a forma como se realiza a formação/actualização dos professores. Assunto polémico e sobre ele só gostaria de deixar aqui uma ideia que defendo e, que este ano já ouvi outro colega que frequenta outro mestrado e que não conhecia, defender também: penso que os professores deveriam ter, depois de alguns anos de serviço, um ano em que fossem dispensados das aulas e que, obrigatoriamente, frequentassem um curso de actualização numa Universidade ou Instituto Politécnico. Há muita informação, fruto da investigação que continuamente se realiza, que é necessário os professores conhecerem para que depois possam modificar/adequar a sua prática na escola levando desta forma uma lufada de ar fresco que, muitas vezes, é quanto basta para que aquela escola volte a tornar válida a razão da sua existência para os seus alunos.

Antes de terminar gostaria de fazer uma referência a outro tema: o da educação através de outros meios como os de comunicação, em particular a televisão. Sobre um aspecto deste tema fiz um breve comentário no dia 12 deste mês e, só para ilustrar esse comentário refiro, como exemplo, três programas televisivos que podem ser utilizados nas aulas. O primeiro é o “Ponto Verde”, o segundo “Causas Comuns” e o terceiro “Zig Zag” (conjunto de programas infantis em que existe sempre um episódio no qual as crianças podem observar a forma como outras crianças, que vivem em países diferentes do seu, pertencentes a outras culturas, vivem o seu dia-a-dia. Penso que são óptimas oportunidades que o professor tem para trabalhar com os seus alunos utilizando um meio audiovisual que lhes é familiar e, por si só, motivador para eles.

Escola EB1 de Guimarães nº 10 - MOTELO

A única maneira que consegui para chegar à escola que a Assunção sugeriu é através deste endereço http://old.iec.uminho.pt/iebi/iebi.htm (cliquem). Depois sigam por "Páginas de escolas", "Guimarães", "Agrupamento de Fermentões" e finalmente a escola EB1 nº 10, de Motelo. Não se consegue ver toda a página, mas com o rato consegue ter-se uma ideia.

Para ler o texto sugerido pela Dalila

Provavelmente a Isabel não conseguirá aceder ao texto que a Dalila encontrou porque para isso precisa de ter instalado o Adobe Acrobat Reader, um software gratuito de que pode fazer download acedendo a http://www.adobe.com/products/acrobat/readstep2.html. Se não for essa a causa, não sei.
Para além disso, é verdade: esta semana está a ser muito rica.

Comentário 1

Antes de mais, felicito-as pela colaboração que nesta semana tem animado o blog. Sobre os posts, farei um comentário mais longo porventura ainda hoje, mas este comentário é apenas para referir que os endereços que a Assunção colocou não estão operacionais. De facto, para aceder ao texto do blog "Outro olhar" a via não pode ser a que indicou, mas tem primeiro de se aceder ao blog (aqui); depois, através dos arquivos, procure-se Março de 2004.
Quanto á escola de Guimarães, não percebo porque não se consegue aceder; se entretanto descobrir, direi.

terça-feira, novembro 23, 2004

A educação na pós-modernidade

Na pesquisa que estive a fazer sobre o tema apresentado para as próximas semanas encontrei um texto que achei bastante interessante sobre o ensino no momento histórico actual. Apesar do tema central ser “ A formação do profissional enfermeiro baseada no modelo proposto por Donald A. Schon”, a primeira parte é uma reflexão sobre a era pós-moderna abordando diversos aspectos que, a meu ver, tem todo o interesse para os professores actuais. Por isso proponho a sua leitura aqui.

domingo, novembro 21, 2004

O último tópico para discussão

Nas nossas últimas discussões centrámo-nos sobretudo na tentativa de desvendar o que eram sinais evidentes de uma cultura – e mesmo o debate entre o visível e o invisível não andou muito longe desse aspecto. Não deixámos, mesmo com alguns desvios, de ligar o que se discutia ao currículo, sempre numa perspectiva de procurar encontrar respostas para a diversidade cultural, num sentido muito lato.
Faltam-nos três sessões para terminarmos os nossos encontros, e recordo que havíamos combinado dar algum tempo para que numa dessas sessões (provavelmente a última) fosse comunicado ao grupo o resultado de uma breve pesquisa acerca de como as instituições educativas que conhecem lidam com o problema da diversidade cultural (proposta da Sara, se bem me lembro).

Entretanto, o último tópico que previ para análise e discussão é “A cultura pós-moderna e o currículo escolar”. Proponho, assim, que para as duas próximas sextas-feiras (26 de Novembro e 3 de Dezembro) seja esse o tema. Começaremos por falar da mudança (relembrando Fullan) e passaremos depois à cultura pós-moderna. Também nesta área há uma revista electrónica, Postmoderm Culture, que vale a pena visitar.

Há, em português, um livro importante, Mudança e Inovação na Pós-Modernidade. Perspectivas Curriculares, de Margarida Ramires Fernandes (Edição Porto Editora, Colecção Ciências da Educação, 2000) e um artigo, por mim publicado também em 2000 na Revista de Educação intitulado “O currículo em debate: positivismo – pós-modernismo; Teoria – prática”, que, não estando on line, vou enviar por e-mail a cada um de vós.

Bom trabalho!

segunda-feira, novembro 15, 2004

Diversidade cultural: o visível e o invisível nas culturas.

Provavelmente, é pelos sentidos, e entre estes sobretudo pela visão, que melhor nos apercebemos das diferenças culturais. A cultura de um povo espelha-se no seu modo de vida – se é típica, com clareza a percepcionamos; se não é típica, é com muito mais dificuldade que a descobrimos.
Chegar a Hong-Kong por avião, desembarcar no enorme aeroporto (considerado nos últimos anos como o melhor aeroporto do mundo), não constitui, apesar de estarmos na Ásia e nesse “melhor” aeroporto do mundo, uma experiência cultural nova. Em qualquer grande aeroporto (Londres, Frankfurt, Paris, New York) encontramos o mesmo ambiente. O que é visível não é característico. Quando, horas mais tarde, mergulharmos em certas áreas da cidade que é Hong-Kong, os nossos sentidos aperceber-se-ão das diferenças culturais; e se passarmos para além da cidade e visitarmos locais do interior da China, ainda mais fortemente essas diferenças se afirmarão.

Há, portanto, uma visibilidade nas culturas quase indispensável para as podermos entender.

E para além do visível? Não haverá traços invisíveis, dependentes da cultura, que em certos momentos determinarão actos visíveis – mas se escondem de nós, porventura ciosos da sua intimidade? Permanecendo na Ásia, não será a celebrada “paciência do chinês” um dado cultural, escassamente visível, mas claramente existente?

Não podemos, nem devemos, generalizar – mas creio que estes aspectos, ou seja, do que é visível e invisível nas culturas, merecem alguma atenção dos educadores e podem (ou devem?) ser tidos em atenção nos currículos escolares.

Quando pensei em introduzir esta rubrica no programa da disciplina, devo confessá-lo, não tentei qualquer busca sistemática na Internet; mas agora, ao fazê-lo, verifiquei que o Google me indicou 472 000 páginas em que os três termos (visível, invisível, cultura) se interligavam. Mais: aprendi que desde 1998 existe uma revista electrónica, intitulada Invisible Culture – A Electronical Journal for Visual Culture (aceda "clicando").
Fiz, na aula de sexta-feira passada, um desafio, o de pensarem um pouco sobre o tema. Mantenho-o, acrescentando que seria interessante alguma pesquisa na Net, para além de visitarem a Revista.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Sei que é um pouco tarde para fazer o meu comentário sobre todos os assuntos tratados mas, mesmo assim, gostaria de o fazer sobre dois aspectos, ambos relacionados com a forma de actuação do professor e a mudança dessa forma de actuar.
Penso que realmente é muito difícil para os professores libertarem-se "dos espartilhos que os tem tolhido"(como foi referido pelo Sr. Prof. numa das intervenções), mas por vezes, a forma como "tudo" está organizado não possibilita essa libertação, mesmo no caso dos que querem e procuram tornar a libertação uma realidade. Posso dar como exemplo o que aconteceu com a disciplina de Ed. Musical que, com a reorganização curricular, passou a ter uma carga horária de noventa minutos semanais na maior parte das escolas. Como também já foi referido, quando estamos com uma turma de vinte alunos estamos a lidar com a diferença, mesmo que esses alunos venham de estratos sócio-económico-culturais semelhantes pois eles são diferentes - por isso o processo ensino-aprendizagem deve ser individualizado. Só considerando as difereças podemos promove a igualdade de oportunidades - dar a cada um a oportunidade de crescer, de se desenvolver não só nos aspectos em que tem mais capacidade mas também nos que demonstra mais dificuldade. Mas isto só é possivel se conhecermos minimamente essas diferenças. E o conhecimento requere tempo. Como é possivel aos professores de Ed. Musical, que leccionam um disciplina que só tem noventa minutos semanais, conhecer os seus alunos? Será que este facto não condiciona ou torna mesmo inviável a forma como todo o processo deveria acontecer?

O segundo aspecto também tem a ver com a actuação do professor e relaciona-se com a mudança que está a ocorrer na sociedade relativamente à importância dos média, na forma como influênciam a vida de todos nós. Penso que, neste caso, o posicionamento adoptado pela maior parte dos professores pode e deve ser alterado. Cada vez mais mais cedo e de uma forma mais intensa as crianças contactam com a televisão, a Internet e outros audio-visuais. Os professores não podem negar ou ignorar este facto. Pelo contrário, penso que os professores devem retirar desta realidade tudo o que de positivo ela possa oferecer para atingir os objectivos propostos. Porque a necessária "compreensão dos alunos e daquilo que trazem para a aula" referido por C. Cardoso no texto "Pedagogias diferenciadas para a educação multicultural. Como?" só existe se tivermos em conta todas as suas vivências e muitas dessas vivências ocorrem no contacto que esses alunos tem com os média no seu dia-a-dia.

quinta-feira, novembro 11, 2004

Minorias étnicas – discriminação positiva – “affirmative action”

O grupo Cláudia-Domingos-Paula-Vítor elaborou um pequeno mas muito denso texto que cobre muitos problemas e será uma bela fonte de discussão na nossa sessão presencial. Na esperança que ainda possam aceder hoje ao blog, avançarei já algumas ideias.

Na verdade, nos comentários que fiz ao texto do grupo Assunção-Isabel-João Paulo-Sara eu já introduzira o problema da discriminação positiva; aliás, a Sara, em post de ontem (10-11), teceu considerações importantes sobre o mesmo tema.

É evidente que o conceito de “minoria étnica” revela já a posição dominante de quem não se considera minoria (será, portanto, “maioria”…) Essa posição, que se pode confundir um pouco com arrogância, é porventura o aspecto que mais dificulta qualquer tentativa de interculturalidade. Recordo-me vagamente de um dia ter lido que, para efeitos interpretação de uma determinada prova psicológica, ela era calibrada tendo em atenção o adulto branco, “normal” e culto…

Nos Estados Unidos – onde estes problemas sempre tiveram maior acuidade – no Código Civil de 1866 constava que era garantido a todos os cidadãos "the same right to make and enforce contracts ... as is enjoyed by white citizens ... " (conservo o inglês por ser mais saboroso...). Bom, a Guerra Civil (1861-1865) apenas tinha acabado…

E no entanto, como sabem, ainda cem anos depois Luther King sonhava com a emancipação total dos negros (que ainda não aconteceu). Talvez por isso se tenha de compreender que a discriminação positiva encontre adeptos, como acontece modernamente com um conceito paralelo, a “affirmative action”, que até tem uma Associação (siga o link).
Define-se a “affirmative action” como “the set of public policies and initiatives designed to help eliminate past and present discrimination based on race, color, religion, sex, or national origin.”

É fácil ser contra – invocando os princípios que expõem; mas não haverá uma grande diferença entre o que se diz, o que se pensa e o que se faz? Descodifico: quando dizem que “ao avaliarmos os nossos sentimentos em relação a minorias étnicas, não estamos a distinguir o que à partida consideramos semelhante?”, eu posso perguntar: consideramos, dizemos que consideramos, pensamos que consideramos… e o que fazemos para expressar essa consideração?

Lembro que neste momento a Holanda está efervescente por causa do assassinato de Theo van Gogh – 40% da população branca deseja que os muçulmanos abandonem o país…

Não é fácil – nem deve ser possível – chegar a conclusões satisfatórias.

Amanhã prevejo algumas boas discussões…

Um aditamento

Encontrei uma ficha de leitura do livro Leading in a Culture of Change: podem lê-la aqui.

Concluindo...

Ainda em referência às reflexões do grupo Assunção-Isabel-João Paulo-Sara, uma palavra mais sobre a mudança… Depois dos anos 90 do século passado, muito se tem escrito sobre mudança nos sistemas educativos, e creio que muitos acreditaram – e acreditam – que a mudança é a única via para que a educação cumpra o seu papel. A par de mudança, outro termo se introduziu no vocabulário pedagógico com o seu quê de mágico – inovação. Será interessante agendar uma discussão sobre estes dois termos e o que podem representar em termos culturais para o currículo.

Há um autor que aprecio muito, Michael Fullan, professor no Ontario Institute for Studies in Education da Universidade de Toronto, no Canadá, que tem publicado extensamente sobre o tema mudança. (Acedam aqui a uma entrevista recente que ele concedeu ao Journal of Staff Development)

Poderão encontrar na nossa biblioteca livros de sua autoria como The New Meaning of Educational Change ou Change Forces: Probing the Depths of Educational Reform. Pena não existir um dos mais recentes, Leading in a Culture of Change.
Fullan reconhece sempre que a escola, como instituição, e os professores em especial, têm dificuldades em mudar, mesmo quando as condições objectivas se alteram.

Curiosamente, hoje mesmo, ao visitar o blog Abrupto, do político José Pacheco Pereira, deparei com estes parágrafos:

LER, ESCREVER, CONTAR E VER TELEVISÃO
O que a escola deve ensinar hoje.
(Contraditório: que a escola não pode ensinar-nos hoje, porque a escola mais eficaz já é a televisão, e a televisão não tem espessura para se ver a si própria.)
Ou, mais exactamente, ler, escrever, contar e saber ler/ver o fluxo digital que nos chega por vários média (televisão, CDs, rádio, Internet) e que no futuro nos chegará de forma integrada numa nova forma de Internet, que terá tudo: música, imagem, televisão, interactividade, jogos.E que estará perto de nós. Que estará muito perto de nós: nas paredes da casa, na roupa, no corpo.

Querem exemplo mais claro da necessidade de mudança?

Por aqui me fico, amanhã discutiremos estes e outros pontos na nossa sessão presencial.

quarta-feira, novembro 10, 2004

Continuando...

Continuando a análise dos aspectos levantados no vosso comentário, que como disse sumaria pontos importantes de teoria do currículo, nesta segunda “tranche” da minha prosa vou dar ênfase mais a aspectos do desenvolvimento curricular.
Dizem que nem todos os professores aproveitarão plenamente a liberdade que lhes é concedida; têm razão. A esmagadora maioria dos professores não só não a aproveita como, por vezes, a usa menos bem.
Eu parto sempre da ideia, que tento fazer compreender aos meus alunos, que o currículo não é o livro de texto (manual), não é o “programa” que o Ministério da Educação aprova, mas sim o que acontece quando professor e alunos se encontram (não necessariamente na sala de aula). Por exemplo, neste momento, eu estou convosco, a distância e ainda por cima de modo assíncrono, a construir o currículo da disciplina de Currículo e Cultura…
Claro que o ensino superior permite uma maior liberdade de acção, mas mesmo a outros níveis de ensino é possível (mais: é desejável) ter em atenção os alunos, estar atento ao que acontece à nossa volta, para podermos contextualizar as aprendizagens.
Aquilo que habitualmente se chama criar a motivação nos alunos é apenas o captar a sua atenção e vontade de aprender pelo despertar o seu interesse pelas aprendizagens que se querem eles apropriem. Quanto mais simples e actuais forem os motivadores, mais facilmente se consegue a motivação; e aqui, a liberdade de acção do professor é muito grande.
Sejamos no entanto justos: não é fácil, para os professores portugueses, a libertação dos espartilhos que os têm tolhido – manuais, programas… O nosso sistema de ensino é muito rígido (sinais recentes de mudança foram bloqueados, e pior do que isso, medidas tomadas contrariam a visão estratégica que existia e tendia a flexibilizar o currículo), contem ameaças (a Inspecção, por exemplo, que embora seja mais uma ameaça platónica de vez em quando fere) e, para cúmulo, nem sempre a relação escola – família funciona bem.
Contudo, não sendo fácil, é esse o caminho. Porquê?
Em primeiro lugar, porque estamos, em qualquer situação, a lidar com a diferença. Mesmo quando os nossos alunos provêm de estratos socio-económicos-culturais semelhantes, eles são diferentes; cada um terá uma maneira mais eficaz de aprender, e ignorar isso é minar a capacidade de o professor ter êxito. Por outras palavras, o processo de ensino-aprendizagem deve ser individualizado. Muitas pessoas pensam que só crianças com dificuldades de aprendizagem devam ter planos individualizados de aprendizagem, mas não. Uma turma com 20 ou mais crianças (sem problemas) não pode ser comandada como um exército; cada criança é um caso que tem de ser compreendido e acompanhado para tirar o máximo das suas potencialidades.
Por isso estou inteiramento de acordo convosco quando dizem que “a mudança… deve ser centrada no processo educativo”.
Farei ainda uma terceira visita ao blog para terminar esta análise.

Considerações sobre o texto da Assunção, Isabel, João Paulo e Sara

A vossa apreciação do texto de Carlos Cardoso referencia uma série importante de problemas que têm sido centrais na discussão teórica sobre o currículo. O primeiro, que radica em concepções marxistas claramente assumidas, sustenta que o currículo acaba sempre por reproduzir as desigualdades sociais. Dois autores franceses, Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, têm um livro já clássico que intitularam La reproduction: Eléments d'une théorie du système d'enseignement (Ed. de Minuit, 1970). Segundo estes autores, os professores, mesmo inconscientemente, mesmo não desejando, acabariam por ser instrumentos de uma “violência simbólica” que tenderia a favorecer os mais bem instalados na vida e a prejudicar os oprimidos.

Há uma tradução em português deste livro (existe pelo menos um exemplar na Biblioteca da UM – Abade da Loureira); mas há vários exemplares na língua original e na Biblioteca do IEC uma tradução espanhola.

A visão muito politizada do currículo não deixa de ter razão. Por muito que se possa discordar, toda a educação tem um fundo político. Contudo, não pode deixar de se reconhecer que ao longo do tempo a educação tem tido como efeito promoções sociais significativas, que são mais visíveis quando toda estrutura da sociedade tende para uma igualização de facto.

Por vezes, tende a pensar-se que em educação deve funcionar o princípio da “discriminação positiva”, que teria como efeito conceder aos mais desfavorecidos condições de excepção para superarem as suas dificuldades (como por exemplo, no acesso ao ensino superior, a selecção poder ser menos exigente para alunos com handicaps a fim de permitir a continuação nos estudos, instituindo um sistema de quotas).

(Sobre este ponto, podem ler, aqui, um texto publicado em Educational Horizons, em 1995).

Um outro problema que levantaram e que foi muito popular no final dos anos 60 do século XX é o das expectativas dos professores e do que elas podem representar para a aprendizagem dos estudantes. Não sei se já ouviram falar da experiência que é conhecida como “Pigmaleão na Escola”. Têm, aqui, um pequeno texto introdutório.

Mas há um livro em português (Professores e Alunos Pigmaleões, de J. H. Barros de Oliveira, Edição da Livraria Almedina). Há vários exemplares nas Bibliotecas da UM, incluindo na do IEC.

Continuarei a analisar o vosso texto; penso que para já há matéria suficiente para poderem mais tarde aprofundar a discussão.

quinta-feira, novembro 04, 2004

Visitar Belgais e o seu projecto educativo

Para professores de Música, Belgais não necessita de apresentação.
Ao "navegar" pela Internet deparei com um site interessante que não sei se é do conhecimento de todos. Visitem-no aqui (é importante ter o som do computador activo para melhor apreciarem).