sexta-feira, outubro 07, 2005

comentário sobre currículo, cultura e competência cultural

Não podemos dissociar os termos/conceitos de currículo, cultura e competência cultural uma vez que estão interligados e complementam-se.

O ritmo acelerado do desenvolvimento e das diferentes culturas influenciam todos os sectores da sociedade, incluindo, naturalmente, o sistema educativo. No dizer de Freitas (1998, p.72) “tal como o país, a educação mudou. O sentido dessa mudança parece claramente positivo”. Constatamos deste modo a necessidade de aproximar a escola das diferentes culturas (e respectivas “formas” de cultura) incutindo em todos os intervenientes uma maior e melhor competência cultural. Este é um dos objectivos do sistema educativo português traduzido no actual currículo do Ensino Básico.

O currículo deverá deste modo ser entendido e trabalhado tendo em conta a diversidade dos alunos, recorrendo-se a práticas que permitam e facilitem o intercâmbio de saberes. A este respeito Leite (1996) refere que o desenvolvimento do currículo, atendendo a um contexto multicultural, terá como base a centralidade no aluno(s), cuja estrutura parte das experiências vividas pelos mesmos, estimulando, favorecendo e valorizando a construção participada do saber, do espírito crítico, do debate de ideias e do respeito pelo outro.

A escola é um espaço privilegiado de aproximação entre a “cultura do meio” e a “cultura escolar”. Segundo Pacheco (2000, p.17) “trata-se de legitimar curricularmente a cultura popular do quotidiano dos alunos, dos seus saberes, dos seus contextos e dos seus problemas sociais”.Segundo Correia (2000) reforça esta ideia dizendo que é importante não só conhecer o aluno mas também os seus ambientes de aprendizagem. Falar de diversidade é falar de adequação pedagógica e, consequentemente, de adequação curricular que permita ter em conta as características e necessidades dos alunos e respectivos ambientes de aprendizagem, construindo o plano curricular na perspectiva da motivação, responsabilização e sucesso escolar.
A este respeito refere Freitas (1998, p.65) “ Em termos de Organização curricular, e assumindo que Curriculum não é apenas o conjunto das disciplinas leccionado na escola, mas tudo que a escola promove em termos de sucesso de ensino-aprendizagem dos alunos”. Assim, a qualidade e a fiabilidade do ensino estão dependentes da competência profissional dos professores e da sua capacidade para atingir os objectivos que conduzam a uma melhoria da qualidade do ensino aprendizagem. O professor deverá ser um inovador ou um inventor, reconstruindo o ensino, de modo a este ser concebido em simultâneo como uma ciência e uma arte. A arte do professor expressa-se pelo seu desempenho.
(Texto que me foi solicitado publicasse da autoria de Maria Jorge)

2 comentários:

AnaOliveira disse...

Relativamente a este texto, levanto apenas uma questão, que se refere à utilização do "incutir". Termo que, em contexto educativo, me suscita algumas reservas, pois remete-me para uma certa imposição...
Gostaria de apoio na clarificação deste conceito, pois pode estar erradamente assimilado no meu "imaginário"...

Varela de Freitas disse...

À Ana
Como a Maria Jorge ainda não reagiu, dou a minha opinião. Estamos mais uma vez a trabalhar com "termos", não com ideias. Na verdade, incutir tem um sentido direccional que lembra a imposição; nesse caso, talvez fosse melhor uma frase como "levando todos os intervenientes a uma maior..." Agora: a ideia é de facto que se consiga uma adesão, mas nunca forçada.