quarta-feira, outubro 26, 2005

«O rio Douro cruzando várias artes» e «O Lugar do Jogo»

Manifestações culturais a nível regional/local
A Direcção de Educação e Investigação (DEI) da Casa da Música (CM) no exterior, promoveu um teatro musical que envolveu professores e 50 alunos da Escola da Ponte de Vila das Aves, Santo Tirso, sob a temática «O rio Douro cruzando várias artes». As crianças com idades compreendidas entre os seis e dez anos, orientadas por monitores da CM, frequentaram várias «sessões pedagógicas e de animação, abordando disciplinas artísticas como a literatura, a interpretação, a expressão plástica e o design, considerando o rio Douro como ponto de partida do processo de aprendizagem. O resultado é uma espécie de teatro musical, onde os alunos se responsabilizaram pela criação de guião, figurinos, textos, música, cenários e interpretação dramática e musical» (J.N., Outubro 23, 2005).
Este projecto é um exemplo de como se pode e deve trabalhar interdisciplinarmente e será apresentado a outras escolas do distrito do Porto, «assumindo-se como alavanca de projectos semelhantes que serão futuramente desenvolvidos pela CM noutros estabelecimentos de ensino» (idem).
O segundo exemplo é um desafio lançado às crianças entre os três e cinco anos pelo serviço educativo da Fundação de Serralves integrado na oficina O Lugar do Jogo.
Madeira, Pedras, Botões, Trapos, Bilhetes e Papéis - este é o tema para o primeiro módulo de trabalho, «ao mesmo tempo que se promove a reutilização de materiais» (N.M. Outubro 23, 2005), e sensibilização e consciencialização da necessidade de cuidar do ambiente.
Cheiros, Cores, Sons, Sabores, Temperaturas, Formas e Texturas -servem de partida para uma viagem «à descoberta de Serralves com os cinco sentidos bem despertos» (idem). As crianças vão desenvolver os sentidos através da confrontação de estímulos: «dançar uma cor, pintar um sabor, desenhar formas inesperadas...» (idem).
Jardins, Lagos, Flores, Vento, Esculturas, Caminhos e Tudo Quanto Existe - estão na base de «investigação para a produção de movimento» ( idem ). O objectivo é desvendar os «segredos de cada elemento, através do corpo: forma, padrão, textura, cor, ritmo...» (idem).
As actividades decorrem ao Domingo de manhã.
Este é um bom exemplo de uma excelente acção educativa de uma instituição ao serviço da comunidade sem envolver directamente as escolas. A comunidade é a própria escola.

2 comentários:

Varela de Freitas disse...

Estes são de facto bons exemplos de tentativas de interdisciplinaridade, e digo tentativas porque teria de saber mais sobre o desenvolvimento pedagógico, e, também, de infusão cultural no currículo. Seria interessante saber mais sobre elas.

IsabelDomingues disse...

Mal tinha começado a ler o teu artigo quando me saltou a imagem de Serralves à memória. Veio pois a confirmar-se.
Serralves tem vindo a revelar-se uma entidade de valor inestimável no contexto da educação e sensibilização artística para públicos de diversas faixas etárias. Mas a sua acção entre as crianças merece um louvor redobrado. Nos dias que correm é cada vez mais sentida a falta de investimento na aprendizagem de valores e, por sua vez, na perda consequente de exploração de sensibilidades variadas.
A educação artística passa pela “experimentação concreta” do mundo envolvente. As palavras e os símbolos ganham uma dimensão tanto mais profunda quando maior é a relação que as crianças estabelecem com os meios em que se movimentam e tanto mais rica é a sua formação humana quanto mais significativo o seu efectivo envolvimento com a realidade do mundo a que pertencem.
Serralves aproveita a riqueza deste tipo de educação (seja qual for a forma de expressão em que incidam os seus projectos) para alertar os intervenientes para as realidades concretas. Aliás, creio ser este o seu principal objectivo, e aproveita a exploração prática de actividades (com materiais e em meios diversificados) com o intuito de ludicamente os preparar para caminhadas cada vez mais complexa no processo de construção de sistemas interpretativos, ricos e personalizados.