terça-feira, dezembro 06, 2005

Fim dos Exames??!!

Ouvi hoje nos vários noticiários que os exames de Filosofia e Português irão, a partir do próximo ano acabar para os alunos do 12º ano. Até certo ponto concordo! Mas, tenho vindo a reparar que mesmo em estudantes do Ensino Superior a Língua Portuguesa é muito mal tratada. Aceito que não é um exame que pode aferir os conhecimentos , ou competências dos alunos ( a avaliação contínua pode aferir).
Será que se os alunos estiverem bem preparados os exames os afectarão? Será que a maioria dos alunos perceberá que terão de estudar muito mais durante o ano para que a avaliação final seja justa?
Efectivamente acho que no mínimo deveriamos pensar : se um aluno espanhol, inglês ou ucraniano concorrer para as nossas universidades terá de fazer algum exame de Português?Ou, por outro lado se um aluno português concorrer para uma universidade inglesa e não souber o código linguístico deste país irá ter sucesso?
Sinceramente, acho que a questão está em saber se um futuro médico não deverá saber a decomposição das palavas, bem como um químico ou até...um professor de uma outra área que no final do 12º ano não tenha tido este exame!
Desculpem as minhas dúvidas, mas acho que é urgente esta reflexão!

5 comentários:

filomena disse...

Delfim tens razão. Eu também ouvi hoje na rádio um jornalista perguntar:
Será que um gestor no final do curso, vai saber como se escreve apalavra gestor? Será com "G" ou com "J"(pergunta ele). Na verdade é caso para pensar. Mas esta situação não é nova, já a vivemos anteriormente.

AntonioPacheco disse...

Sim, já li a notícia no jornal.
Concordo, afinal de contas não é um exame final que vai resolver o problema de saber ou não escrever português.
Penso que a questão colocada pela Filomena é exagerada.
Poderia haver uma solução alternativa...

Margarida disse...

Apesar de não concordar muito com a existência de exames finais, que nem sempre são adequados às personalidades de cada um, a retirada destes poderá ser vista pelos alunos como um alívio para não terem que se eforçar numa dada disciplina. Se os alunos tivessem por princípio o estudo contínuo durante o ano lectivo (e porque não até nas férias?) e não somente o estudo do dia anterior, o exame realmente não implicaria nas aprendizagens. Mas se o que acontece por norma (cá em Portugal, pelo menos) é haver um desleixo e relaxamento dos estudos, já tudo se resolve, teremos que encontrar outras formas de sensibilização para os estudos. Os exames não são sensibilizadores, mas mais uma ameaça que tanto podem "obrigar" como não o aluno a estudar. Resultam?
Enquanto o aluno não sentir que o estudo é útil, não vale a pena "obrigá-lo" a enfiar coisas na cabeça e que terão uma duração certamente curta (após o exame, já se esqueceram do que decoraram; esqueçeram-se porque não compreenderam nem a sua essência nem a sua utilidade).

Hildeberto Peixoto disse...

Muito sinceramente tenho algumas dúvidas em relação a todas estas mudanças referentes à avaliação ao longo do Ensino Básico e Secundário.
Pelo que me tenho apercebido, será cada vez mais difícil “chumbar” um aluno em qualquer um dos ciclos da escolaridade Básica. Logo, os alunos transitam de ano independentemente das suas capacidades e dos seus conhecimentos…
Se não houver algum tipo de “selecção” no final do secundário (que na minha modesta opinião já é tardia) o que é que isso irá originar? Estudantes do Ensino Superior analfabetos? Todos os alunos ingressarão no Ensino Superior e será lá que acontecerá a tal “selecção”? Não será enganar os próprios alunos?

Claro que isto será muito positivo para os estudos da União Europeia que chegarão à conclusão que a taxa de abandono e insucesso escolar em Portugal é muito reduzida… e que existem cada vez mais estudantes no Ensino Superior. Isto é realmente muito bonito, mas será vantajoso para o País? Será sinónimo de competência e boa formação?

Concordo que se os alunos se prepararem convenientemente ao longo do ano lectivo não terão que temer os exames e estes não os afectarão. Para além disso, como sabemos, os exames não é que definem se um aluno transita, ou não, para o secundário ou para o Ensino Superior….

Outra dúvida que tenho: termina-se com o exame de Português e continua-se a fazer o exame de Inglês, Francês e Alemão?

Penso que a questão colocada pelo jornalista (que refere a Filomena)não é exagerada pois já passei por situações em que pessoas, com grandes cursos superiores e a exercer grandes cargos de responsabilidade pública, me queriam convencer que “Lajes do Pico” não se escrevia com um “j” mas sim com um “g” porque, caso contrário, fugiria às regras da Língua Portuguesa. Eu respondi, “pois, não se esqueça que há excepções que fogem à regra.”

Sem querer estabelecer qualquer tipo de paralelismo, e em tom de brincadeira, só falta acabarem com os exames de código da estrada e darem a carta de condução a qualquer pessoa…



* Gostaria de partilhar com todos voz que finalmente consegui colocação numa escola em Alcabideche (Cascais) e, apesar da distância, estou bastante feliz por isso…

Varela de Freitas disse...

Para além de "parabenizar" (isto é para a Denise ficar contente pela adopção do brasileirismo...) o Hildeberto pela sua colocação, só queria chamar a atenção para o post que coloquei hoje (9 de Dezº) e para uma dado mais: o exame em si não faz mais do que provar (se prova) se o aluno sabe ou não sabe. Não ensina nada.