segunda-feira, março 06, 2006

Os Óscares sugeriram-me…


… que seria interessante reflectirmos sobre o cinema enquanto criação artística e as suas relações com a cultura – e com o currículo…

Quem se sente interessado em dar uma opinião, partindo eventualmente dos Óscares deste ano, que a comunicação social sugere terem representado uma viragem no que era habitual num passado recente, pela nomeação de filmes com temas sociais fortes e polémicos?

5 comentários:

Delfim Peixoto disse...

Eu torcia que o musical de "Memoirs of a Geisha", superiormente interpretado por Yo-Yo Ma e Itzhak Perlman ganhasse. Ainda não tive acesso a essa informação. Ouvi dizer que não ganou, mas tenho pena. yo-yo Ma é, na actualidade um dos melhores violoncelistas mundiais. Gostaria que fôsse um " primo" artístico a ganhar o premio de melhor música.

AnaOliveira disse...

Acabei de ler o livro há dois dias: ADOREI! Não fazia ideia do que realmente é ser "Gueixa".

Não vi o filme (Ainda!)... mas indo ao encontro da proposta do Professor Varela, penso que actualmente se vive num mundo em que o "choque" é muito valorizado! Não só ao nível do cinema, mas na Arte e na sociedade em geral... talvez seja para chamar a atenção dos mais distraídos de que algo se passa à nossa volta e que não podemos ficar indiferentes...temos um papel a desempenhar no Mundo que nos rodeia...

Por outro lado, algumas manifestações são demasiado "choque" mas ocas de conteúdo... em alguns casos penso que se privilegia o feio e o rude, como uma forma de chamar a atenção... Não me julguem conservadora, mas em alguns casos penso que existe o "culto do feio e do horrendo"...

Quanto à valorização dos temas sociais fortes e polémicos espelha um pouco o estado actual do mundo e procura respostas... de certa forma pode servir de sensibilização para as gerações vindouras para evitar os genocídeos e injustiça social que se vive.

Neste sentido, o currículo deveria privilegiar o contacto com as diferentes formas de Arte, não só para contemplação, mas para a criação e recriação... para uma interpretação do mundo e a manifestação da forma como se vê e se sente o mesmo.

O Seminário da UNESCO que se está a realizar neste momento em Lisboa (referido pelo António) acerca da Educação Artística é bastante explícito quanto ao poder das Artes no desenvolvimento global do Ser Humano e da Sociedade em geral. A Arte é essencial no Combate à Exclusão Social, ao Racismo e todas as outras formas de discriminação...

Isabel Salgado disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Isabel Salgado disse...

As relações do cinema com a cultura e o currículo parecem-me tão fortes porque as entendo necessárias na nossa vida.
Quando vou ao cinema, sinto-me profundamente envolvida pelo conforto da sala e porque sinto todos os meus sentidos serem solicitados. Por vezes noto que fico mais comovida com qualquer situação de perda ou victória que acontece no filme do que por vezes na minha própria vida. Penso que isso se passa com todos nós e é necessário criar defesas para tal, através do conhecimento desta forma de expressão.
É preciso aprender a seleccionar o que nos interessa ver, e saber distinguir o ecrã plano da profundidade da nossa vida quotidiana.
O acontecimento do cinema envolve os seus espectadores, por vezes inocentes, e porque não estes poderem optar serem apenas levados e enlevados pelos seus interesses, por uma arte de beleza, que nos pode fazer reflectir sobre o mundo inteiro e globalizante..

Margarida disse...

Ainda não tive oportunidade de ver os filmes que estiveram nos Óscares. Só vi dois dos documentários que estiveram a par na nomeação: "O pesadelo de Darwin" e "A marcha do pinguins". Ambos os trabalhos são fortes, mas tive pena que o primeiro não tivesse ganho o Óscar de melhor documentário: afinal, ele está mais próximo do ser humano e das questões políticas, económicas, ecológicas, religiosas e muito mais, do que um trabalho que está ligado à sobrevivência de uma espécie. Nem tudo está perdido: o facto de ter sido conhecido pelo mundo, nem que seja só por causa das nomeações, já foi um bom passo. Um passo para olharmos à nossa volta, para reflectirmos sobre o nosso papel no mundo e agirmos. Recomendo este documentário a todos os que ainda não o viram.