quinta-feira, outubro 27, 2005

Dificuldades em comentar

Tenho tido muitas dificuldades em comentar os textos apresentados e perdi várias intervenções....será alguma coisa que tenhamos feito mal'

Cultura e suas relações com o mundo...

Relativamente a uma proposta dos textos que o Professor Varela enviou, e à frase: " Identificar aspectos de funcionamento da escola eventualmente desfavoráveis aos alunos pertencentes a estratos socio-económicos mais baixos e a minorias étnicas " posso talvez tentar dar alguns exemplos:
  1. Impossibilidade de os alunos não poderem, quando não têm aulas, entrar na escola para se agruparem em estudo ou investigação, irem à biblioteca, criarem grupos de produção da sua própria cultura;
  2. Não poderem participar em actividades que decorram fora do seu horário lectivo;
  3. Quando oriundos de outros países e/ou culturas, serem sobrecarregados ainda mais com os tempos de reforço de Língua Portuguesa ( quando os seus melhores professores serão os colegas, num primeiro momento - a minha melhor aluna , era tmbém a melhor aluna em Língua Portuguesa e veio há dois anos da Ucrânia).
  4. O caso da opção religiosa - a maior parte das escolas do país só oferece a disciplina de EMRC, levando assim a uma segregação das outras confissões, bem como a própria alimentação das cantinas que priviligia a comida " continental e ocidental ".

É difícil realmente abarcar alunos que vêem da China, Angola, Ucrânia, Rússia, ou até de etnia cigana, mas aqui os próprios alunos nos dão uma grande lição de solidariedade, compreensão e entre-ajuda

Como já referi, na minha escola temos uma turma de etnia cigana, mas, sinceramente penso que não deixamos de os segregar, colocando-os numa sala de uma outra instituição, vindo só à escola para as " TIC";

No entanto penso ter sido por ter havido por parte dos pais uma recusa em que os seus filhos estivessem numa " escola normal ". Fizemos um currículo que semanalmente pode ser alterado de acordo com o sucesso dos conteúdos e das sugestões do corpo docente, técnico e dos próprios alunos.

Como professores achamos esta forma de trabalho muito mais produtiva do que a " formal", pois temos constantemente acertos de estratégias de acção e de metodologias.

Aparte este testemunho gostaria de apresentar a ideia que a educaão multicultural começa sobretudo nos nossos conceitos de Vida; temos de ser amplamente abertos, esforçados e nunca desistentes. Felizmente, posso dizer que tenho uma boa equipa de colegas, de técnicos, e somos uma equipa que trabalha para/com os alunos, tendo deles uma grande admiração e até um certo "gozo" por sermos os "seus" "profs".

Acho deveras importante o " processo de construção de currículo" que no meu ponto de vista poderia ser entendido como P.C.T., mas aqui há o senão de para a sua aplicação o grupo de professores ter de ser o menor possível, leccionando por áreas e não por discipinas, haver no horário tempos semanais para verificar a aplicabilidade do referido Projecto, organizar e gerir as escolas de forma mais pedagógica e menos administrativa, criar nos grupos alvo um sentido de partilha e de reponsabilização para a prececussão dos objectivos.

Penso que realmente o professor é um " decisor curricular" mas se fôr um grupo de professores, coeso, unido, com os mesmos propósitos o resultado deverá ser mais positivo.

quarta-feira, outubro 26, 2005

«O rio Douro cruzando várias artes» e «O Lugar do Jogo»

Manifestações culturais a nível regional/local
A Direcção de Educação e Investigação (DEI) da Casa da Música (CM) no exterior, promoveu um teatro musical que envolveu professores e 50 alunos da Escola da Ponte de Vila das Aves, Santo Tirso, sob a temática «O rio Douro cruzando várias artes». As crianças com idades compreendidas entre os seis e dez anos, orientadas por monitores da CM, frequentaram várias «sessões pedagógicas e de animação, abordando disciplinas artísticas como a literatura, a interpretação, a expressão plástica e o design, considerando o rio Douro como ponto de partida do processo de aprendizagem. O resultado é uma espécie de teatro musical, onde os alunos se responsabilizaram pela criação de guião, figurinos, textos, música, cenários e interpretação dramática e musical» (J.N., Outubro 23, 2005).
Este projecto é um exemplo de como se pode e deve trabalhar interdisciplinarmente e será apresentado a outras escolas do distrito do Porto, «assumindo-se como alavanca de projectos semelhantes que serão futuramente desenvolvidos pela CM noutros estabelecimentos de ensino» (idem).
O segundo exemplo é um desafio lançado às crianças entre os três e cinco anos pelo serviço educativo da Fundação de Serralves integrado na oficina O Lugar do Jogo.
Madeira, Pedras, Botões, Trapos, Bilhetes e Papéis - este é o tema para o primeiro módulo de trabalho, «ao mesmo tempo que se promove a reutilização de materiais» (N.M. Outubro 23, 2005), e sensibilização e consciencialização da necessidade de cuidar do ambiente.
Cheiros, Cores, Sons, Sabores, Temperaturas, Formas e Texturas -servem de partida para uma viagem «à descoberta de Serralves com os cinco sentidos bem despertos» (idem). As crianças vão desenvolver os sentidos através da confrontação de estímulos: «dançar uma cor, pintar um sabor, desenhar formas inesperadas...» (idem).
Jardins, Lagos, Flores, Vento, Esculturas, Caminhos e Tudo Quanto Existe - estão na base de «investigação para a produção de movimento» ( idem ). O objectivo é desvendar os «segredos de cada elemento, através do corpo: forma, padrão, textura, cor, ritmo...» (idem).
As actividades decorrem ao Domingo de manhã.
Este é um bom exemplo de uma excelente acção educativa de uma instituição ao serviço da comunidade sem envolver directamente as escolas. A comunidade é a própria escola.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Cultura é desenvolvimento

Uma sociedade só é desenvolvida se for suficientemente culta. Não é possível haver desenvolvimento social, económico, tecnológico e cultural se a sociedade for passiva, fechada no seu umbigo, incapaz de se abrir à diversidade, respeitar a multiculturalidade, a diferença e saber interagir com elas.
O poder político (e ainda em resposta ao professor Varela de Freitas) tem sem dúvida culpa pela situação passiva/retrógada em que Portugal se encontra. O poder político central e, especialmente, o regional/local: os Municípios, Câmaras Municipais e Autarquias devem assumir, democraticamente, um papel relevante na implementação de políticas educativas próprias capazes de promover o investimento, a criatividade, a cultura, o desenvolvimento local/regional e consequentemente o desenvolvimento nacional. Todas as manifestações culturais oferecidas por este espaço educativo devem ser aproveitadas pela escola no sentido de enriquecer o currículo, promover a cultura e assegurar a competência cultural, ou seja, proporcionar desenvolvimento.
A escola é um espaço aberto e o seu verdadeiro currículo ultrapassa a simples esfera do edifício, do plano de estudos, do conjunto de disciplinas, do meio social, da família e, comporta em si, políticas educativas regionais, municipais e locais. A escola encontra-se enquadrada num sistema educativo - ligado aos actores locais: instituições, associações, autarquias, municípios - que deve dar resposta; é uma parceira deste sistema e o seu currículo é o projecto de desenvolvimento desta realidade.
As parcerias educacionais desempenham, portanto, um papel significativo na acção educativa, devem assumir protagonismo na elaboração do Projecto Educativo da Escola, potenciam a exploração de manifestações culturais relevantes, desenvolvem o currículo e a competência cultural.
Pena é que o poder político invista, muitas vezes, em iniciativas culturais de carácter duvidoso que pouco ou nada trazem de vantajoso para a escola ou para a educação em geral.

A escola como comunidade educativa

A comunidade educativa compõe-se pelos vários actores e agentes locais: escola, município, instituições e associações locais, ligados entre si por relações de parceria, de programas conjuntos, de protocolos de colaboração, contribuindo para a construção de um espaço educativo congruente que resulta da aplicação de uma determinada política educativa, com base num sistema educativo adequado. Este sistema educativo deve envolver uma «grande diversidade de actores e movimentos» (Fernandes, 2005, p.193) para que a acção educativa seja aberta «alargada e envolvente» (idem).
Neste contexto, a escola, partindo da unidade nacional do currículo, deve contemplar a diversidade cultural que um currículo deve assumir e, assim, privilegiar e caracterizar a diferença entre escolas, meios socias e culturais, respondendo a questões da seguinte natureza: quem somos? Para quem somos? Porque existimos? A quem nos dirigimos?
Bibliografia:
FERNANDES, A. Sousa. «Contextos da intervenção educativa local e a experiência dos municípios portugueses» em João Formosinho, António Sousa Fernandes, Joaquim Machado e Fernando Ilídio Ferreira, Administração da Educação. Lógicas burocráticas e lógicas de mediação, Porto: Edições Asa, 2005, pp. 193-221.

Música ao entardecer...aqui, na UM

Após várias exposições e comentários sobre competência cultural, apoios estatais e dinamismo das escolas resolvi, hoje, Domingo ir assistir a um concerto apoiado pela UM - IEC, organizado pelo mestrado em Educação Musical,2005/06, no Salão Medieval do Largo do Paço, às 18.00horas ( cheguei um pouco atrasado) onde tocaram um violinista, bracarense e ( para nosso orgulho ) filho de dois dos nossos professores, ( Doutora Elisa Lessa e Dr. Manuel simões), um violoncelista Lisboeta (pelo que li no programa ) e um pianista estrangeiro. Todos eles alunos na Holanda, jovens, mas com um " savoir-faire " que me sensibilizou.
Àparte este interlúdio, reparei que havia, na assistência, pessoas de várias idades, desde bebés a gente menos nova, mas todos com uma sensação de êxtase.
Estiveram presentes o Digníssimo Reitor da Universidade, o Director do IEC, entre outros, e reparei que a sala estava completamete cheia.
Depois de escutar o trio, ( ver programa na pág.http://www.iec.uminho.pt), fiquei com a sensação de que realmente foi um entardecer sereno, em boa companhia, ideal para servir como alavanca para uma semana de trabalho!
Depois do concerto ouvi dizer : " realmente, seria bom haver todos os domingos um entardecer assim..."
Parabéns UM, IEC, Doutora Elisa Lessa.
E assim, naturalmente, cumpriram-se três conceitos de currículo ( tudo o que acontece na escola; desenvolvimento das nossas competências culturais; Escola Aberta).
Afinal, estamos no caminho certo!

quinta-feira, outubro 20, 2005

O que se passa no mundo dos blogs em educação


Hoje de manhã (era 1 da tarde aí em Portugal) participei na primeira de uma pequena série de actividades sobre blogs. Numa mesa redonda (em que éramos 9) Shelley Henson, da Utah State University, e Kami Hanson, da Weber State University, apresentaram os resultados de uma experiência de leccionação numa classe de educação para a saúde através de um blog. Tive ocasião de dar a conhecer o que estamos a fazer no “Currículo & Cultura”, e de trocar impressões com colegas de outras universidades norte-americanas. Darei naturalmente relevo posterior a estes contactos no futuro. Mas estamos no bom caminho! O tema da mesa redonda era “Blog enabled peer-to-peer learning environments”.

Bom trabalho!

terça-feira, outubro 18, 2005

Que cultura queremos na escola?

" A escola não transmite toda a cultura considerada útil, mas apenas a cultura considerada digna e que assim acabará por vir a ser considerada a única socialmente válida ", Formosinho ( 1983, p. 3 ).

Destas palavras poderemos depreender que é a escola que transmite cultura ou a sociedade que dita a cultura que a escola deve transmitir?
A escola poderá ser inovadora na criação de novas culturas, ou ir beber de outras o que de melhor elas oferecem?
A sociedade estará realmente interessada em saber ou desenvolver qualquer tipo de cultura nas escolas?

O " poder de impor ( e até de inculcar ) instrumentos de conhecimento e de representação da realidade social ( taxinomias ) , que são arbitrários mas não reconhecidos como tal "são, definidos por Bourdieu ( 1982, p. 104) como " violência simbólica".

Reflectindo nestes princípios será a escola realmente uma fonte ou um receptáculo da cultura que envolve a sociedade?
Estarão, hoje, os intervenientes escolares abertos a este " boomerang"?



sexta-feira, outubro 14, 2005

Acabaram-se os comentários espúrios...

Depois de haver acordo (total?) na aula de hoje, o nosso blog deixou de ser comentado por anónimos, o que certamente nos livrará daqueles textos mais ou menos idiotas. Gostaria de dizer que continuamos abertos a participações de amigo(a)s que desejem ajudar a nossa reflexão, mas com a sua própria identidade.

A Teoria das Inteligências Múltiplas de H. Gardner

  1. Inteligência Linguística
  2. Inteligência Logico-Matemática
  3. Inteligência Musical
  4. Inteligência Espacial
  5. Inteligência Corporal-cinetésica
  6. Inteligência interpessoal
  7. Inteligência intrapessoal

(8. Inteligência do Naturalista )

De facto, se interpretarmos estas sete (8) definições no nosso currículo reparamos que todas as áreas disciplinares estão aqui representadas, (Letras, Ciências, Artes, Desporto, acabando nas novas áreas relacionadas com o desenvolvimento do aluno como Ser Social ).

Dos textos estudados podemos aferir, através da experiência de Linda Campbell ( Projecto da Lição; Unidades interdisciplinares; Projectos dos alunos; Avaliação; Aplicação das Aprendizagens ) que os alunos são ajudados a aprender FAZENDO, identificando e avaliando o mundo circundante que para eles será o maior estímulo para a Aprendizagem.

Na minha opinião tudo o que atrás é descrito pode ser aplicado no desenvovimento curricular das nossas escolas, presumindo até que em algumas, mesmo desconhecendo esta teoria, os professores e comunidade educativa a aplicarão . Ou estarei enganado?

Se repararmos nas nossas novas ( recentes) alterações do Currículo por Áreas não sentiremos alguns paralelismos?

Quanto à Avaliação, não vemos a diferença entre os níveis 1 a 5 ou S NS SB?

quinta-feira, outubro 13, 2005

Correcção ao post “O Eclipse de 3 de Outubro… Reflexão sobre Cultura e Competência Cultural.”

No passado dia 3 de Outubro, fiz um post sobre o acontecimento do Eclipse Anular do Sol e a movimentação que houve por parte de vários sectores da sociedade portuguesa, de modo a informar e levar as pessoas a participar na sua observação. Relacionei este acontecimento ao conceito de Competência Cultural.

Publico então a correcção a esse post.

Alguém que perpetua a sua cultura na “sua sociedade” não é alguém com competência cultural. Competência cultural é acolher as diferentes culturas, não as desintegrando, ou seja, aceitar as diferenças e viver em conjunto.

Conceito de competência cultural:
“Conjunto congruente de comportamentos, atitudes e políticas que operam num sistema e que permite que esse sistema se organize de modo a trabalhar efectivamente em situações inter-culturais”
( Cross, Bazron, Dennis, and Isaacs, 1989).

quarta-feira, outubro 12, 2005

Abordagem ao projecto na escola e no currículo

O conceito de projecto foi introduzido na linguagem e no contexto educativo no início do século XX nos estados Unidos da América, tendo como referência o pensamento de John Dewey(1859-1952), a partir do movimento de educação progressista que se verificou. A educação assentava na experiência e na ideia de uma pedgogia aberta em que o aluno é o actor da sua própria formação através de aprendizagens concretas e significativas. Estamos presentes de uma perspectiva construtivista, sócio-interaccionista, que valoriza e estimula a criança a ser o sujeito da acção. Aprender não é só receber uma certa informação e saber repeti-la; é preciso saber interpretá-la e ser capaz de a relacionar com outros conhecimentos, num processo dinâmico de construção e reconstrução.
Em 1897 no seu «Credo Pedagógico», Dewey escreveu: «A educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura. A escola deve representar vida presente - tão real e vital para a criança como aquela que ela vive em casa, no bairro, ou no pátio».
É, naturalmente, a fazer que se aprende a fazer e a vida faz sentido a partir de acções que se realizam com base em objectivos significativos para as pessoas, no seu ambiente social, familiar, económico e cultural. Haverá, então, melhor preparação para vida do que desenvolver na escola, sob a orientação devida, a prática de conceber e executar projectos significativos?
Até aos anos 70, o conceito de projecto não desempenhou um papel relevante na escola. Foi a partir da década de 80 que o projecto reapareceu no primeiro plano das ideias e preocupações educativas. Eis algumas das razões: «reacção contra o insucesso da pedagogia por objectivos» (Boutinet), que dominou durante sa décadas de 60 e 70; e a emergência da formação de adultos, na qual era mais evidente a necessidade de negociar projectos.
No trabalho de projecto há um conjunto de aspectos pedagógicos importantes:
1º- o projecto diz respeito a um problema específico; Cristopher Ormell em 1992 escreveu: «um problema que os alunos gostariam de resolver, (...) sobre o qual podem falar com amigos, (...) do qual de facto valha apena falar».
2º- faz uma abordagem interdisciplinar de uma situação, mobiliza e adquire novos conhecimentos e, ainda, o aspecto cooperativo é um factor importante para a sua realização.
Esta pequena abordagem vem a propósito, depois da aula de grupo do dia 30 de Setembro, em que o meu grupo constituído, ainda, pelo Delfim e por duas colegas que não sei o nome (peço desculpa), definiram currículo como tudo o que acontece na escola de acordo com um projecto próprio tendo em conta os aspectos sócio-económicos, geográficos, políticos e culturais.
Parece-me que esta definição antevia, um pouco , o que se iria passar ( e passou) na aula seguinte sobre o tópico: Manifestações culturais e a sua tradução no currículo escolar.
Por outro lado, hoje, fala-se em Projecto Educativo, Projecto Curricular de Escola, Projecto Curricular de Turma, etc. Também no currículo do ensino básico, o trabalho de projecto tem um papel relevante nas experiências de aprendizagens.
Bibliografia:
Ministério da Educação Departamento da Educação Básica, Reorganização Curricular do Ensino Básico - Novas Áreas Curriculares , Lisboa, 2002.

terça-feira, outubro 11, 2005

Desenvolvimento do Currículo através de manifestações culturais

Aceitando o convite formulado pelo Senhor Professor Varela vou dar um testemunho pessoal e profissional:
1.Na Escola E.B. 2/3 de Real - Braga, tendo os professores de Educação Musical concluído que a Música regional estava a perder algum peso, aliado à vontade dos alunos quererem recuperar esse património, a Escola decidiu, através de " Oferta de escola" incluir a " Música Popular da Região do Minho", no Sexto ano. Fizemos pesquisas de grupos de Zés-Pereiras, de "Rusgas", de Ranchos Folclóricos, de compositores bracarenses, de construtores de instrumentos.
Realizamos visitas de estudo a vários construtores de instrumentos , para os alunos do sexto ano.
A partir destas actividades criamos um pequeno ateliê de aprendizagem de instrumentos musicais populares como o Cavaquinho, viola ( guitarra ), criou-se um grupo ( REALZÉS )de percussão que esteve presente na abertura de um jogo do Euro2004.
2.Outro exemplo: sendo a Escola muito próxima do Museu dos Biscainhos realizou o Grupo de História e Ed. Musical uma " Partita do sec. XVIII", com dramatização de textos e reprodução de músicas da época, além de termos saboreado os " doces conventuais ". Os alunos participaram com um nível elevado de interesse e entusiamo, pedindo cada vez mais aos seus professores para realizarem eventos destes e...."fora da escola".
Actualmente, como resultado destas participações está a ser criado um atelier de Produção de espectáculo desde o Teatro, Música, cenografia, entre outros, onde os alunos podem aplicar os conhecimentos abordados nas várias disciplinas.
3. Outro exemplo, tendo a esola sido escolhida ( convidada) a aceitar uma turma ao abrigo do PIEF, PEETI ( luta contra a exploração e pela eliminação do trabalho infantil) alguns professores voluntariaram-se ( eu também) para leccionar algumas disciplinas a uma Turma de uma cultura minoritária ( etnia cigana ). No meu caso pessoal por ter já trabalhado com estas situações e alguns outros pelo desafio que seria criar um currículo novo a partir da cultura cigana, com o objectivo de desenvolver nos alunos e nos próprios professores uma efectiva competência cultural.
Sendo assim, para concluir, penso que a Escola denota uma superior abertura ao meio, às várias culturas que ela integra, procurando também ir beber nessas culturas uma forma de eliminar o abandono escolar, favorecendo a integração.
O único factor negativo destas propostas tem sido realmente o novo sistema de ocupação dos professores (substituições) que começa a criar algumas brechas nos objectivos propostos a partida.
Não sei se seria exemplos destes que o Professor pretendia mas acho que devo partilhar estas experiências com todos, achando que neste pequenino espaço não caberá o entusiasmo que a escola vive sobre estes Projectos.

Um post da Sofia

Após a terceira aula de Currículo e Cultura no dia 7 de outubro de 2005, fiquei elucidada em relação à definição de Currículo e de Competência Cultural. Assim, começo por dizer que o currículo é um esboço estruturado, a partirde uma realidade social, histórica e cultural, onde os intervenientes participam, transformam e trocam mutuamente conhecimentos, capacidades, experiências e vivências. Ainda defino o currículo como um projecto de formação participativo entre o ensino/aprendizagem e o reconhecimento da hierarquia, do tempo, da mudança e da interdependência, sem esquecer o desenvolvimento global e contínuo do indivíduo. Como síntese, digo que o currículo deve ser redesenhado a partir do interior do indivíduo, dentro e fora da escola. É nele que estão planificados os processos que se vão desenvolvendo ao longo do tempo, com sucessivas reflexões, por causa das mudanças e dos acordos que se vão fazendo quase diariamente.
De seguida, apresento a minha definição de Competência Cultural.
A Competência Cultural corresponde á aceitação, ao respeito e ao acolhimento das múltiplas culturas, pela troca de informação. É a maneira inteligente de agir face à diversidade, para posteriormente formar estruturas capazes de compreender os sistemas culturais existentes na Humanidade. Só neste sentido é que a formação cultural fomenta o desenvolvimento do indivíduo, isto se houver integração entre o exterior e o interior daescola.
O dilema da diferença nas escolas: RESPEITAR OU ANULAR?
Nesta aula, ainda falamos do paradoxo que existe nas escolas em relação, aos alunos, à diferença e à igualdade de direitos. Assim, e através deste texto, procuro falar do respeito e da flexibilidade entre professores e alunos. Segundo a minha opinião, é preciso que a escola esteja organizada no sentido dos professores direccionarem os diversos saberes e interesses dos alunos em significados úteis, capazes de formar cidadãos conscientes, activos, participativos e críticos na sociedade presente e futura.
"O papel que a escola de hoje desempenha é determinante na constituição de novas mentalidades: mais abertas, mais dialogantes, mas que olham a cultura de frente e percebem que a vida se constroí com raízes no passado e olhos postos no futuro (Núcleo de Apoio Pedagógico de Ponte deLima)".
Para que isto possa acontecer, algumas crianças deviam ser conduzidas por caminhos diferentes, que oferecessem respostas à própria formação, e assim serem capazes de formar a sua identidade, a partir do contexto social ecultural onde estão inseridos. Daí, pensar o quão importante é a introdução da cultura local na escola, ou seja, no currículo escolar, através da participação e da troca de informação/saberes de todos os intervenientes, como enriquecimento, aprofundamento e valorização, do indivíduo. No fundo, penso que a formação do indivíduo pela aceitação da diferença é a mais correcta e a que terá maior número de sucesso, uma vez que os alunos diferem quanto à diversidade cultural, social e económica, nos modos de aprendizagem e na estrutura pessoal.
Sofia Raquel Dourado da Torre
(Publicado a pedido da Sofia)

domingo, outubro 09, 2005

Tópico 2 – Manifestações culturais e sua tradução no currículo escolar


Como o professor apreciou a aula

Relato objectivo
Esta sessão diferiu da anterior porque há mais tempo reservado para o trabalho dos grupos (todo o tempo da próxima sexta-feira). Por isso planeei a minha intervenção com mais alguma folga, fazendo chegar com antecipação aos estudantes, via e-mail, dois textos de suporte.

Tive a surpresa de saber que ia contar com mais uma aluna, e por outro lado estiveram na aula três novos estudantes. O número total eleva-se assim a 36, o que para um mestrado é exagerado. Nos primeiros vinte minutos acertámos aspectos relacionados com o blog e distribuí um mapa resumo com as intervenções feitas; 37,5% do total dos estudantes colaboraram.

A intervenção, apoiada por uma apresentação em PowerPoint, diferiu da da primeira sessão por ter sido muito mais participada, com muitas intervenções dos estudantes. Quando foi tempo de intervalo ainda havia muito tópico para explorar, pelo que na segunda parte da aula toda ela foi praticamente preenchida com o resto da intervenção, sempre com muita participação dos estudantes.

Apreciação subjectiva
É sempre muito gratificante para um professor ter uma audiência reactiva, ou seja, que intervenha sempre que julgue que uma afirmação feita merece um comentário ou que simplesmente procure ser mais bem informada. Na explanação de tópicos que são, muitas vezes, naturalmente controversos, espero sempre que exista diálogo. Ora nesta turma não vai faltar diálogo! E ainda bem. Há no entanto dois escolhos a evitar. Um, muito próprio de audiências onde predominam professores, é introduzir na discussão as limitações que eventualmente tenham na sua escola ou conheçam de outras. Se bem que por vezes essas situações possam ser na verdade contextualizadas em relação ao tema que está em causa, a sua generalização transforma-se rapidamente numa espécie de “muro de lamentações” que raramente nos conduz a discussões proveitosas. O outro escolho é poder-se cair na banalização do que se discute, o tal cair na “conversa de café” com que me preocupei logo no primeiro dia. Creio que se em relação ao primeiro escolho já tivemos um ou dois exemplos, em relação ao segundo temos conseguido evitá-lo.

No meu plano de hoje, tinha deixado em aberto a possibilidade de haver trabalho de grupo, em especial de comentário ao que tinha sido publicado no blog; mas não tinha a certeza que fosse possível. De facto não foi.

Retenho desta terceira aula um muito bom nível de participação dos estudantes, que me parecem interessados (ou pelo menos, não aborrecidos…); a necessidade de voltar por alguns momentos à avaliação por portfolio; e, em especial, acompanhar bastante a produção no blog, se ela se vier a confirmar como espero.

Continuo satisfeito.

sábado, outubro 08, 2005

4 definições de Currículo

1. " conjunto de todas as experiências que o aluno adquire, sob a orientação da escola" (Foshay,1969:275 ).
2. "engloba todas as experiências de aprendizagem proporcionadas pela escola" ( Saylor, 1966:5).
3. " modelo organizado do programa educacional da escola e descreve a matéria, o método e a ordem do ensino - o que, como e quando se ensina" ( Phenix,1958:57 ).
4. " série estruturada de resultados de aprendizagem que se têm em vista. O currículo prescreve ( ou, pelo menos, antecipa) os resultados do ensino; não prescreve os meios" ( Johnson, 1977:6)

Definitivamente, as duas primeiras vêm ao encontro da ideia do professor Varela ( que eu corroboro), quando diz que Currículo " ...é tudo o que acontece na escola ".

Penso só que deveremos ter em conta os " três conceitos gerais "de Currículo: Formal, informal e oculto .
Mesmo no currículo escolar estes três conceitos estarão bem presentes.



Me Deixe Aprender

Me deixe falar
Eu quero dizer
Estou neste mundo
Preciso aprender

Não me ponha limite
Mas abra os caminhos
Necessito crescer
Sair do meu ninho

E não é por querer sair
Que vou esquecer quem sou
Eu tenho raiz
Mas por outra vereda vou

E respeitar meu amigo
Que mora ao lado
Talvez não entenda sua língua
Mas através de sinais
Identificar teu afago

E por favor
Me deixe falar
Eu quero dizer
Estou neste mundo
Preciso Aprender...

sexta-feira, outubro 07, 2005

comentário sobre currículo, cultura e competência cultural

Não podemos dissociar os termos/conceitos de currículo, cultura e competência cultural uma vez que estão interligados e complementam-se.

O ritmo acelerado do desenvolvimento e das diferentes culturas influenciam todos os sectores da sociedade, incluindo, naturalmente, o sistema educativo. No dizer de Freitas (1998, p.72) “tal como o país, a educação mudou. O sentido dessa mudança parece claramente positivo”. Constatamos deste modo a necessidade de aproximar a escola das diferentes culturas (e respectivas “formas” de cultura) incutindo em todos os intervenientes uma maior e melhor competência cultural. Este é um dos objectivos do sistema educativo português traduzido no actual currículo do Ensino Básico.

O currículo deverá deste modo ser entendido e trabalhado tendo em conta a diversidade dos alunos, recorrendo-se a práticas que permitam e facilitem o intercâmbio de saberes. A este respeito Leite (1996) refere que o desenvolvimento do currículo, atendendo a um contexto multicultural, terá como base a centralidade no aluno(s), cuja estrutura parte das experiências vividas pelos mesmos, estimulando, favorecendo e valorizando a construção participada do saber, do espírito crítico, do debate de ideias e do respeito pelo outro.

A escola é um espaço privilegiado de aproximação entre a “cultura do meio” e a “cultura escolar”. Segundo Pacheco (2000, p.17) “trata-se de legitimar curricularmente a cultura popular do quotidiano dos alunos, dos seus saberes, dos seus contextos e dos seus problemas sociais”.Segundo Correia (2000) reforça esta ideia dizendo que é importante não só conhecer o aluno mas também os seus ambientes de aprendizagem. Falar de diversidade é falar de adequação pedagógica e, consequentemente, de adequação curricular que permita ter em conta as características e necessidades dos alunos e respectivos ambientes de aprendizagem, construindo o plano curricular na perspectiva da motivação, responsabilização e sucesso escolar.
A este respeito refere Freitas (1998, p.65) “ Em termos de Organização curricular, e assumindo que Curriculum não é apenas o conjunto das disciplinas leccionado na escola, mas tudo que a escola promove em termos de sucesso de ensino-aprendizagem dos alunos”. Assim, a qualidade e a fiabilidade do ensino estão dependentes da competência profissional dos professores e da sua capacidade para atingir os objectivos que conduzam a uma melhoria da qualidade do ensino aprendizagem. O professor deverá ser um inovador ou um inventor, reconstruindo o ensino, de modo a este ser concebido em simultâneo como uma ciência e uma arte. A arte do professor expressa-se pelo seu desempenho.
(Texto que me foi solicitado publicasse da autoria de Maria Jorge)

quinta-feira, outubro 06, 2005

A Cultura

A Cultura está relacionada com as diferentes manifestações de um povo, transmitidas de geração em geração, através das vivências e experiências que o indivíduo apresenta, como sendo a identidade desse mesmo povo.

A Cultura sofre constantemente modificações, por ser acumulativa e adaptativa, pois vai-se modificando, perdendo e aumentando os aspectos mais adequados à sobrevivência e que correspondem às necessidades do Homem.

Assim sendo, a Cultura é a totalidade complexa, constituída por conhecimentos ou capacidades adquiridas pelo homem, enquanto membro de uma sociedade. Toda a cultura é singular, geograficamente ou socialmente localizada e é transmitida pelas tradições, modificadas em função do contexto histórico.

Comentário individual à citação de Eduard T. Hall
“Cultura é de facto uma prisão a não ser que se saiba que há uma chave para se sair dela (…)”.

A Cultura resulta de um conjunto de saberes adquiridos e transmitidos por símbolos, modelos, a cada indivíduo. Assim, o homem torna-se dependente da cultura, uma vez que se adapta ao meio agindo em substituição; por exemplo, em relação às mudanças atmosféricas, posso dizer que a evolução cultural é superior à biológica, uma vez que não se desenvolve pelagem ou camada de gordura, mas sim o tipo de vestuário.

Em suma, concluo que a cultura é a “bússola”, que orienta e segue a sociedade, ou seja toda a cultura é socializada, porque não existe nenhuma sociedade que não possua a sua cultura.




Sofia Raquel Dourado da Torre
Data: 6 de Outubro de 2005

Reconhecer o que é inerente à nossa cultura

“...cultura inclui tudo o que existe na sociedade, produto do homem: artefactos, atitudes e valores.” (in O significado de cultura)

Conhecer a nossa cultura, conhecer o que nos distingue e nos assemelha dos outros seres, conhecer o que nos é próprio e nos identifica, é caminho fundamental ao crescimento e construção do futuro para cada individuo, grupo ou sociedade.

Muitas vezes não temos capacidade de reconhecer quais os “artefactos, atitudes e valores” específicos da nossa própria cultura pois eles fazem parte inerente do nosso viver. Esses artefactos preenchem o espaço que ocupamos: estão dentro das nossas casas, das nossas gavetas, estão pendurados nas nossas paredes e em cima das nossas mesas... Fazem de tal modo, parte da nossa vida que os nossos olhos já não se surpreendem nem distinguem a sua raiz cultural.

O mesmo sucede com as nossas atitudes e valores. Estas são aquilo que nos somos. São o que nos permite emocionar ou racionalizar um acontecimento. São o que nos faz estabelecer prioridades e definir escolhas a curto e longo prazo na nossa vida. Na verdade, são os nossos valores pessoais e culturais que orientam as nossas atitudes no que consideramos certo ou errado, bom ou mau.

No entanto, ao conhecermos outras culturas, ao experimentarmos outros artefactos, ao observarmos outras formas de experiênciar os objectos, os espaços, as emoções, as relações, as atitudes, os valores, ao vermos outras paisagens e outras realidades, fazemos caminho no conhecimento da nossa própria cultura reconhecendo de forma natural o que a distingue das outras.

Valorizando e conhecendo culturas distantes ou próximas, reconhecendo as suas riquezas e unicidades, estamos a valorizar e conhecer a nossa própria.

Daí a importância do currículo contemplar, não apenas o que diz respeito à cultura própria da população escolar a que se refere, mas também a criação de espaços onde a confrontação de diferentes culturas e sub-culturas possa levar a um maior conhecimento e enriquecimento dessa mesma população.

(Este texto é da Susana, que me solicitou colocá-lo no blog há dias; mas só hoje li a sua mensagem)