segunda-feira, outubro 31, 2005

Uma nota para ter em atenção

A decisão de não fechar o blog aos comentários de eventuais leitores foi tomada na presunção de que essa abertura tinha alguma lógica e era mesmo vantajosa. Afinal, toda a estrutura das nossas actividades baseia-se no princípio saudável do confronto de ideias, procurando desse confronto extrair semelhanças e diferenças que, pelo filtro de uma exegese fundamentada, tornem menos nebulosa a teia de opiniões e tendam para uma compreensão alicerçada, tanto quanto possível, por dados da investigação.

É evidente que o blog é nosso - e qualquer leitor o compreende; mas ao aceitarmos que alguém entre no nosso mundo, temos de para com ele (ou ela) conservar a mesma atitude que temos uns para com os outros. Ou seja, concordar, ou discordar, aduzindo argumentos, mas tentando cumprir uma das máximas da aprendizagem cooperativa, que é "discordar sem ser desagradável".

Vem esta nota a propósito de um diálogo nem sempre muito feliz que existiu com um blogger que é meu leitor e comentador no meu próprio blog. Nem sempre estamos de acordo, mas isso não tem impedido que continuemos o diálogo, porque respeito as suas opiniões como ele tem respeitado as minhas, sem qualquer "agressão" mais ou menos ostensiva.

Estamos sempre a aprender, e por isso escrevo esta nota. Tal como penso que a escola se deve abrir à comunidade onde está inserida, penso igualmente que devemos abrir-nos à blogosfera, para aceitar um diálogo franco, honesto, mas urbano.

9 comentários:

Delfim Peixoto disse...

Concordo com o professor, mas pessoalmente acho que também temos de considerar os comentários que o não são. Presumo que isto tem a ver com o meu penúltimo post, mas Professor Varela acho que os “ convidados “ têm de ser os primeiros a compreender o que o professor propõe. Desculpe-me mas acho que nós professores também devemos demonstrar que os comentários têm um preço, isto é, devem ser o mais educados, fundamentados , demonstrativos de que se “ lê antes de comentar” antecedido da leitura de posts anteriores , e sobretudo fundamentando a própria opinião e não lançando ideias que também podem ser entendidas como “ rurais” ou estarei enganado? Pode ser que sim, admito, mas “ ninguém reage se não tiver havido estímulo”.

AnaOliveira disse...

Professor Varela, concordo totalmente com o que diz... por isso mesmo senti muitas dificuldades na escolha das palavras para o comentário. Cheguei, inclusive, a apagar um anterior... Em momento nenhum, o objectivo foi desrespeitar o alkalendas... No entanto, parece-me que o alkalendas também interviu, de um modo "provocatório" embora de uma forma mais dissimulada... Apesar de toda esta situação constrangedora mas rica, pois de facto as nossas aprendizagens ocorrem através da "experiência"... penso que o alkalendas não tem motivos para não continuar a blogar connosco... Só assim, teremos, todos, a oportunidade de mostrar a nossa capacidade de diálogo sem desistir ao primeiro confronto.

filomena disse...

Eu já referi este conceito, penso que num comentário, mas considero-o pertinente neste contexto.
Uma "língua comum" é um bom instrumento, mas para que seja validado e valorizado, é necessário que se aceite dialogar com os outros acerca do que nos diferencia e também sobre o que nos une, enquanto seres humanos.
Depois desta reflecção, só posso estar de acordo com o referido pelo professor Varela.

AnaOliveira disse...

Pois é... é o nosso processo na construção da "competência cultural"...

Delfim Peixoto disse...

Filomena, concordo absolutamente com a tua reflexão assim como já concordei com o post do Professor Varela de Freitas . Acho que tens razão quanto à Língua comum ser um bom instrumento para se dialogar, com os outros, não fôra assim ninguem se entenderia.Mas, eu acrescentaria mais um pouco: além da Língua os códigos de comunicação devem ser entendidos por todos, pois dialogar subentende também ter a possibilidade de descodificar a mensagem. Por outro lado, mais importante do que estes factores será a postura sobre esse diálogo...temos de estar abertos a ideias novas, a novos conceitos, sem esquecer os que fazem parte da nossa estrutura racional e emocional, salvando assim a melhor maneira de não haver " desarmonia" cultural.Assim, acho que para além da língua, a Cultura e competência cultural devrão ser no seu mais alto nível.

Delfim Peixoto disse...

Filomena, concordo absolutamente com a tua reflexão assim como já concordei com o post do Professor Varela de Freitas . Acho que tens razão quanto à Língua comum ser um bom instrumento para se dialogar, com os outros, não fôra assim ninguem se entenderia.Mas, eu acrescentaria mais um pouco: além da Língua os códigos de comunicação devem ser entendidos por todos, pois dialogar subentende também ter a possibilidade de descodificar a mensagem. Por outro lado, mais importante do que estes factores será a postura sobre esse diálogo...temos de estar abertos a ideias novas, a novos conceitos, sem esquecer os que fazem parte da nossa estrutura racional e emocional, salvando assim a melhor maneira de não haver " desarmonia" cultural.Assim, acho que para além da língua, a Cultura e competência cultural devrão ser no seu mais alto nível.

Delfim Peixoto disse...

Peço descupa pela repetição do comentário..foi, obviamente sem querer.

filomena disse...

Delfim é lógico que o que dizes tem toda arazão de ser. Se os códigos não são entendidos tendo em conta objetivos comuns, para nada serva a comunicação linguística e, dessa forma não será a "língua comum" validada ou valorizada.
É como tu dizes, está certo para criar "desarmonia" cultural.

adkalendas disse...

Caros colegas
só hoje li os vossos comentários.
Fico satisfeito por ver um dos princípios da minha filosofia de vida aqui expostos. Respeitar as opiniões dos outros.
É isso que eu faço e que gosto que me façam.
Quanto à minha intervenção, eu admiti à partida que não estava devidamente preparado para a temática em discussão.
Mesmo assim, arrisquei um comentário, que tentava contrariar alguma sensação de ideias feitas sem grande reflexão.
Foi a minha sensação. Posso estar errado nessa sensação, e posso ter cometido um erro ao intervir, mas não me arrependo.
É preferível discutir ideias a estar calado.