quarta-feira, novembro 02, 2005

Um post polémico

Um post polémico
(certamente)
Deixem que eu exteriorize a minha sensação das desarmonias e harmonias culturais.
Nó, professores, muitas vezes fazemos (sem querer) nas nossas escolas os grupos consoante os interesses, gostos, afinidades pessoais. Outras vezes, refugiamo-nos no “nosso grupo”, “nosso departamento”; outras vezes como todos sabemos, há escolas onde existem os “professores” e os “ provisórios”; muitas vezes se pensa que esta ou aquela disciplina é menos importante e até será inadmissível de nestas a avaliação quase ser obrigatória, à partida, muito positiva.
Neste Mestrado temos duas áreas de expressão. Nas nossas escolas para que nos solicitam? Quando existem níveis negativos, qual é a reacção do Conselho de Turma?

Afinal, as desarmonias na Educação não são só étnicas, sociais ou económicas…são, como todos nós sabemos , por opções políticas, por sermos mais ou menos sensíveis aos alunos menos favorecidos, ou aos mais favorecidos!

Será que, no nosso quotidiano , estaremos impermeáveis a estas desarmonias?
O que é que nós fazemos para criar as harmonias entre a nossa própria classe?

Em termos de representatividade da nossa classe quantos sindicatos existem?
Quando algum colega comete um erro, qual é a reacção de todos nós? É ajudá-lo a melhorar ou como muitas vezes acontece, ainda o fazemos sentir pior?
Bom, eu acredito que mesmo entre nós professores existem desarmonias culturais, sociais e…económicas.
Ou eu estarei assim tão enganado?
Será que aquilo que dizemos ou propomos é o que fazemos?

Hoje, posso dizer que vivo numa escola onde todos nos esforçamos por criar um GRUPO com um objectivo comum: Fazer melhor! Mas, já estive em outras em que quem fazia bem, era…uma ovelhinha
Gostava muito que vocês todos me dessem a vossa opinião: os professores favorecem as harmonias?

5 comentários:

Anónimo disse...

enfim....faz o que te digo não faças o que eu faço. Tem razão ao levantar esta questão, acredito que antes de fazer com os alunos as mudanças temos de fazer asmudanças entre nós.
de facto, acho que os professores são muito pouco solidários com a propria classe, mas acredito que façam o melhor com osalunos, acho eu..

filomena disse...

Delfim temos que admitir, que tudo quanto relatas é vivido pela maioria dos professores, infelizmente.
Concordo contigo, quando referes que os professores são promotores de desarmonias e não podemos considerar esta classe de unida.
Não podemos na verdade é ficar, ou parar, por aqui. Ainda são bastantes os professores que trabalham com prazer (para mim o principal suporte da carreira docente). A esses nos devemos juntar, com bastante empenho e convicção, para resolver as situações problemáticas que todos os dias entram nas nossas escolas.

Hildeberto Peixoto disse...

Caro colega… em primeiro lugar deixa-me felicitar-te por “viveres numa escola onde toda a classe docente se esforça por criar um GRUPO com um objectivo comum: Fazer melhor!” Acho isso fantástico e cada vez mais difícil de se encontrar…

Efectivamente, enquanto estagiário, senti na pele o “querer fazer”, o “querer inovar” (não necessariamente para ter uma boa nota no final do Estágio mas pelo gosto e prazer que me dá caminhar ao encontro de novos desafios naquela que será a minha profissão, e que farei questão de levar muito a sério…), e realmente senti uma resistência tal que só um grande esforço da minha parte, e dos meus colegas de grupo de estágio, permitiu que levássemos avante projectos, em nossa opinião, importantes e inovadores na escola onde estagiámos (como a compilação de um CD de turma; como a elaboração, pelos alunos, de uma sebenta cronológica de História da Música; como levar músicos/grupos profissionais às escolas para tocarem com a turma, etc…).
Só como exemplo, o grupo de estagiários, apesar dos esforços, nunca conseguiu reunir os dois professores de Educação Musical colocados na escola (Básica 2/3 Ciclos) para preparar uma simples festa de Natal (cuja desculpa era sempre a incompatibilidade de horários)… resultado: turmas de diferentes professores apresentaram as mesmas canções, os mesmos arranjos, etc… penso que não havia necessidade…
Claro, no meio de um rebanho, as “ovelhinhas” (nós, professores estagiários –“ruama miúda”) tivemos que avançar sozinhos sem o apoio do “nosso grupo”, “nosso departamento”, muito menos da escola em geral…

É verdade que as nossas disciplinas, injusta e infelizmente, são por vezes consideradas menos importantes que as outras, mas, muito sinceramente, penso que a culpa é, em parte, nossa que pouco ou nada fazemos para que sejam reconhecidas (claro que há excepções, felizmente). É a leitura que faço ao longo de algum tempo de estágio e longas conversas com colegas da área. As coisas não caem do céu, é necessário um grande esforço e dedicação para se alcançarem os objectivos por nós pretendidos…
Estou-me a lembrar da Escola Básica de Vialonga que aderiu a um projecto (ao que parece pioneiro na Europa), em que crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico têm aulas de violino (40 minutos todos os dias). Isto só foi possível com o empenho da professora responsável pelo projecto (Rita Mendes - directora pedagógica do Orfeão de Leiria que tive oportunidade de entrevistar para saber mais pormenores, que depois poderei partilhar convosco) em conjunto com a direcção da referida escola, que, por sua vez, apresentou o projecto ao Ministério da Educação, que o aprovou.

Quando escolhi esta profissão estava consciente das dificuldades e desafios por que iria passar (e ainda mal comecei) e só segui em frente porque, para mim, as coisas difíceis são as que me dão mais prazer. Caros colegas, se eu algum dia perder as forças para continuar a lutar pelo sucesso da minha profissão, acreditem que deixo o ensino e dedico-me à agricultura ou outra coisa qualquer…

Há quem diga que os artistas são muito individualistas (não sou eu que o digo, atenção), ou seja, devido às características de estudo das suas áreas (estudar, sozinho, durante horas um instrumento; pintar, sozinho, uma tela…) não são tão sociáveis como as outras pessoas. Será que esta ideia se reflecte na realidade descrita pelo Delfim?

P.S. – a palavra “ruama”, utilizada por mim na expressão “ruama miúda”, é uma palavra utilizada em algumas Ilhas dos Açores que corresponde a um peixe com a mesma forma mas mais pequeno que o “carapau”, que, desculpem a minha ignorância, não sei que nome se dá cá no Continente. Já agora, agradeço que alguém me diga que nome se dá cá no continente a esse peixe“inho”…

Varela de Freitas disse...

Uma intervenção muito curta apenas para dizer que se o retrato feito pelo Delfim é genericamente verdadeiro, ele não se verifica apenas nas escolas com professores. Não nos penalizameos demais; em todas as profissões há "desarmonias"! E também esse quadro não é um exclusivo nacional, embora ache que de facto nós, portugueses, cultivamos em demasia a inveja e a calúnia, os dois venenos da harmonia...

Margarida disse...

Na minha curta experiência de docente (que se resume a 3 anos não completos), realmente o que verifiquei foi que cada um faz à sua maneira e se pergunta como fazer melhor, as respostas são abstractas. Ou seja, a melhor solução é fazer uma pesquisa exaustiva de tudo o que há sobre a disciplina; e se formos procurar as informações nos arquivos das escolas, muito reduzida é a "papelada" na maioria delas. Todos fazem o que lhes apetece e poucos são os que têm a amabilidade em partilhar informação. Estes sim são os verdadeiros profissionais porque trabalham para a construção de um processo, e para um fim ou fins.
Como exemplo, partilharei um episódio que se passou comigo. Até agora fui sempre colocada como substituta, e o mais normalmente sempre depois de Outubro. Assim sendo, os alunos ficam sempre prejudicados e especialmente quando se trata de um 12º ano e de Geometria Descritiva, como é o caso. De modo a solucionar a situação o melhor possível, optei por dar aulas extra da disciplina durante 6 meses. Ao fim de este tempo, os alunos tinham recuperado o tempo perdido. Acontece, que este mesmo momento coincidiu com o nascimento do meu filho (nas férias da Páscoa). Os alunos, quando iniciaram o 3º período, já tinham um professor à sua disposição (um professor que não tinha o horário completo na mesma escola e que por isso mesmo pediu as horas em questão). Qual não foi o meu espanto, quando recebi uma chamada dos meus alunos a pedir ajuda, porque o meu substituto não sabia nada da disciplina. E ainda por cima, eles tinham o exame de final do ano?
Como é que é possível as pessoas não serem responsáveis para com os outros e preocuparem-se exclusivamente com o seu "tacho"?
E concordo plenamente com o Professor quando diz que este problema não se fica só pela docência, mas estende-se por todas as outras profissões.